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Vacina da AstraZeneca chega a 9 de fevereiro. Perda de doses deve evitar-se, diz DGS

John Cairns / University of Oxford

Vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca chega a Portugal no dia 9 de fevereiro, revelou o coordenador da taskforce responsável pelo plano de vacinação, Francisco Ramos.

“Chegarão cerca de 113 mil doses, salvo erro, no dia 9 de fevereiro”, adiantou à SIC Notícias o coordenador da taskforce sobre a mais recente vacina a ser autorizada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) para a sua introdução no mercado e administração a todas as pessoas com mais de 18 anos.

Paralelamente, Francisco Ramos referiu que está prevista a chegada este domingo de mais 10.800 doses da Moderna e cerca de 80 mil da vacina da Pfizer/BioNTech na segunda-feira, manifestando ainda a expetativa da autorização da vacina da Janssen pela EMA no mês de março, contribuindo para o reforço do ritmo de vacinação no país durante o segundo trimestre.

Questionado sobre a polémica em torno de alguns episódios de vacinação de pessoas que não estariam entre os grupos prioritários desta primeira fase, como terá ocorrido na delegação do Norte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e na Segurança Social de Setúbal, o responsável pelo processo de vacinação contra a covid considerou-a “lamentável”, mas demarcou a taskforce desses casos.

“Não procuro ter conhecimento dessas situações. Não me parece que seja competência nem preocupação da taskforce andar à procura de quem faz batota. Outras entidades terão de atuar”, sublinhou, acrescentando: “O que foi feito esta semana foi solicitar à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde que promovesse auditorias no sentido de averiguar sobre o cumprimento das regras e desses critérios”.

Sem deixar de salientar que a vacinação nos lares de idosos está perto da sua conclusão, estimando “cerca de 30 mil pessoas” ainda por vacinar nestes estabelecimentos, devido à existência de surtos, Francisco Ramos vincou também que foi pedida ajuda a outras entidades para chegar também a lares ilegais.

“Há apenas alguns lares ilegais em que ainda não foi possível estabelecer o contacto. Ainda ontem, sexta-feira, foi pedida a colaboração da Segurança Social e da Proteção Civil para as unidades de saúde conseguirem chegar a esses lares e estabelecerem contactos com os seus responsáveis”, observou.

Perda de doses deve evitar-se, diz DGS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que para evitar o desperdício de doses da vacina contra a covid-19 deve vacinar-se “qualquer pessoa elegível”, mas respeitando a ordem de prioridades “na medida do possível”.

“A administração de vacinas é organizada de forma a evitar o desperdício de doses, pelo que a vacinação deve prosseguir, mesmo que não estejam vacinadas todas as pessoas identificadas como mais prioritárias dentro da Fase 1”, adianta a DGS na norma sobre a “Fase 1 da Campanha de Vacinação contra a covid-19”, divulgada no sábado.

A Direção-Geral da Saúde refere que nestes casos, por exemplo, “a vacinação deve prosseguir para as pessoas com comorbilidades com menos de 65 anos de idade mesmo que não estejam vacinadas todas as pessoas com 65 ou mais anos de idade”.

Segundo a DGS, “os frascos (não perfurados) que sobrarem de uma sessão vacinal” devem ser utilizados no mesmo dia e os “já perfurados não podem ser transportados”.

“A Campanha de Vacinação contra a covid-19 é planeada de acordo com a alocação das vacinas contratadas para Portugal, administradas faseadamente a grupos prioritários, até que toda a população elegível esteja vacinada”, lê-se no documento, onde constam os grupos prioritários para receber a vacina.

Entre os grupos prioritários para receber a vacina na fase 1 passam a estar também as pessoas com 80 ou mais anos.

A norma contempla questões relacionadas com o armazenamento e distribuição das vacinas e os pontos de vacinação, que podem ser adaptados, se for necessário, a esta campanha de vacinação, em articulação com as autarquias e outros parceiros.

Enquanto a disponibilidade das vacinas for limitada, designadamente na Fase 1, a vacinação é priorizada para quem mais dela beneficia, pelo que não devem ser priorizadas para vacinação as pessoas que recuperaram da infeção por SARS-CoV-2.

No entanto, nalguns contextos, como por exemplo, nos lares para idosos ou instituições similares e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, é recomendada a vacinação de todas as pessoas elegíveis, independentemente da história prévia de infeção por SARS-CoV-2, “para uma melhor gestão do plano logístico e de administração”, refere a norma.

Todos os atos vacinais devem ser registados, no momento da vacinação, na Plataforma Nacional de Registo e Gestão da Vacinação – VACINAS, onde será feita a monitorização do número de vacinas administradas.

As pessoas que forem diagnosticadas com infeção por SARS-CoV-2 após a primeira dose, não devem ser vacinadas com a segunda dose.

Ministério da Saúde considera “inaceitável”

Em comunicado, o ministério dirigido por Marte Temido considerou “inaceitável qualquer utilização indevida de vacinas”.

“O Ministério da Saúde considera inaceitável qualquer utilização indevida de vacinas que decorra durante o processo de vacinação”, lê-no no comunicado enviado às redações, horas depois do INEM ter aceitado o pedido de demissão do Diretor Regional, depois de este ter autorizado a vacinação de 11 funcionários de uma pastelaria próxima.

Na mesma nota, sublinha-se que o “Plano de Vacinação contra a covid-19 foi concebido com base em critérios técnicos, suportados na melhor evidência científica” e que, por isso, a “operacionalização do Plano prevê que, no caso de, por circunstâncias imprevistas, não ser possível administrar todas as doses definidas numa determinada entidade, face às caraterísticas de conservação das vacinas e com o intuito de evitar a sua inutilização, as mesmas possam vir a ser administradas a pessoas não previstas inicialmente“.

No entanto, também nestas “situações, se deverão observar as prioridades definidas pelo Plano de Vacinação”.

“Como tal, tendo em vista obviar a qualquer falta imprevista de pessoas numa entidade priorizada para vacinar, o Ministério da Saúde entendeu determinar que a taskforce reforce instruções para que as entidades responsáveis pela operacionalização do plano preparem, de antemão, uma lista de outras pessoas prioritárias a quem poderão administrar as vacinas, no caso de impossibilidade superveniente de alguma das pessoas inicialmente definidas, devendo, ainda, tal circunstância ser devidamente reportada”, refere no comunicado.

Segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Governo, já tinham sido atribuídas 249.337 primeiras doses e 53.652 segundas doses de vacinas.

A covid-19 já matou em Portugal 12.179 pessoas dos 711.081 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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  Sofia Teixeira Santos, ZAP // Lusa

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