“Pequenos favores” dominam trocas em 35 Bancos de Tempo

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Arranjos de costura, condução, companhia, acompanhamento, reparações domésticas, culinária, jardinagem e lições das mais diversas áreas foram os “activos” mais trocados em 2012 nos 35 Bancos de Tempo existentes no país.

“As ajudas que se desencadeiam entre os membros do Banco de Tempo correspondem, muitas vezes, a pequenos favores que tipicamente se trocam dentro das fronteiras familiares e entre amigos e que, em alguns casos, dificilmente se encontram no mercado”, disse à Lusa a coordenadora da Rede Nacional do Banco de Tempo.

“Ninguém se lembraria de pagar para obter companhia para andar a pé, para ir ao teatro, a uma exposição ou ao médico, ninguém se lembraria de pagar a alguém que lhe fizesse um nó de gravata ou que ajudasse a melhorar um texto ou a escrever uma carta…”, afirmou Eliana Madeira.

Os dados de 2012, compilados recentemente, mostram que os serviços mais trocados foram arranjos de costura, condução, companhia e acompanhamento (em particular para actividades recreativas e culturais e para actos médicos), reparações domésticas/ bricolage, culinária, jardinagem e lições (bordados, dança, informática, línguas, etc.).

As mulheres representam 74% da totalidade dos membros do Banco de Tempo, sendo que 41% dos 1.834 membros têm idades compreendidas entre os 51 e os 70 anos, seguindo-se a faixa etária entre os 31 e os 50 anos (35%). Há ainda 207 crianças e jovens e 212 idosos (52 com mais de 80 anos).

Sem informação disponível a nível central sobre as ocupações das pessoas que aderiram à iniciativa, vários responsáveis de Bancos de Tempo referem a predominância de jovens universitários e de idosos ou reformados.

Marisa Fábrica, coordenadora do Banco de Tempo de Abrantes, o primeiro a ser criado no país, em Janeiro de 2002, disse à agência Lusa que o perfil dos membros mais idosos “destaca-se pelos pedidos e ofertas ao nível de aulas de informática, aulas de ténis, pintura e desenho, trabalhos de jardinagem e preenchimento de documentos”.

Os estudantes, por sua vez, “oferecem apoio para trabalhos escolares a realizar em computador, pedem trabalhos de costura, ajuda para passar a roupa a ferro e confecção de refeições”, observou.

Já em Castelo Branco, os serviços mais trocados são o bricolage, electricidade, preenchimento de IRS, revisão de texto e informática e serviços de apoio à agência (preparação de encontros/convívios).

Isaura Pinto, que integra a equipa que impulsiona a agência de Évora, disse à Lusa que ali são vários os serviços que os membros “trocam” entre si, mas, por norma, as pessoas que se inscrevem “preferem mais dar do que receber”.

“Parece que se inibem ou que quase se esquecem de pedir, temos que os estar sempre a ‘espicaçar’. Dizem logo que não querem nada, só querem dar, mas não é isso que se pretende, não é essa a filosofia do projecto”, relatou.

Ler para idosos, acompanhá-los a uma consulta ou ir à farmácia aviar medicamentos, tomar conta de crianças, cozinhar, efectuar arranjos de costura ou reparações domésticas e até apanhar pinhas para acender a lareira são algumas das tarefas oferecidas e procuradas neste Banco de Tempo.

“O que pretendemos é reatar as relações de boa vizinhança que se foram perdendo na cidade. E quando pedimos alguma coisa a vizinhos sentimos que ficamos quase em dívida. Aqui não, quem recebe é porque também já deu”, realçou Isaura Pinto.

Rute Castelo, membro da equipa coordenadora do Banco de Tempo de Coimbra, disse à Lusa que cerca de 10% dos membros desta agência são estudantes e, entre estes, a maior parte são universitários de segundo ciclo ou de doutoramento.

Aulas de línguas são uma das trocas mais realizadas nesta agência, onde sobressaem os pedidos para a aprendizagem e/ou prática de português e de inglês, embora também apareçam situações relacionadas com outros idiomas, como sucede actualmente com o castelhano e o italiano.

/Lusa

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