Pedro Nuno atira a Sérgio Sousa Pinto. O que se passou entre segunda e quinta-feira?

2

Manuel de Almeida / LUSA

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos

A saída de Sérgio Sousa Pinto das listas do PS para as eleições legislativas apanhou o partido de surpresa, e Pedro Nuno Santos não se inibe de deixar uma crítica cínica ao deputado que deixa o Parlamento após 16 anos.

“Sérgio Sousa Pinto aceitou integrar as listas, elas foram aprovadas, a dele na segunda-feira, conhece a composição desde segunda-feira. Hoje de manhã decidiu que afinal não gostava, que queria sair”, apontou Pedro Nuno Santos em declarações nesta quinta-feira, em entrevista ao programa “Júlia” da SIC.

“Ele explicou-me as razões“, acrescentou na conversa com a apresentadora Júlia Pinheiro, notando, contudo, que não vai “perder muito tempo com isso”.

O PS “tem gente qualificada, com experiência, gente nova nas listas, e temos uma equipa com os valores certos, e é isso que eu quero nas listas do PS e no futuro Governo”, salientou ainda o secretário-geral do PS.

Mas porque saiu Sérgio Sousa Pinto?

O Observador anunciou que Sérgio Sousa Pinto saiu da lista por Lisboa, onde era quarto, por não se rever na restante equipa escolhida.

Mas há socialistas que dizem à CNN Portugal que o deputado saiu “por uma questão de ego“.

Outro militante socialista que se considera moderado diz, por seu turno, ao canal de notícias que acredita que “a recusa do Sérgio [Sousa Pinto] tem a ver com o facto de o núcleo duro do Pedro Nuno Santos serem uns miúdos muito à esquerda“.

Contudo, também existe a ideia de que havia um alegado mal-estar entre alguns socialistas pelo quarto lugar de Sérgio Sousa Pinto na lista por Lisboa, quando é um deputado que tantas vezes tem criticado o PS nos seus comentários televisivos.

Há até quem afirme que a sua saída é um favor para o PS. “Acho que não se perde nada, até há quem vai votar em Lisboa com mais alegria”, refere ao canal de notícias um antigo ministro que não se quis identificar.

Saídas de Medina e Sérgio Sousa Pinto são “tiro no porta-aviões”

Também Fernando Medina recusou integrar as listas do PS para as legislativas porque “tomou a decisão de sair e de fazer uma carreira no privado, e isso deve ser respeitado”, vincou Pedro Nuno Santos na entrevista a Júlia Pinheiro na SIC.

Medina e Sérgio Sousa Pinto são duas figuras da ala mais moderada do PS. E um militante considera que as suas ausências das próximas eleições antecipadas são “um tiro no porta-aviões”, conforme diz à CNN Portugal.

Mas o incómodo interno não é apenas com estes dois casos. Há uma “preocupação” geral com a constituição das listas, “pelo facto de não ter sido possível ter gente com estatuto superior, com uma vida pública certificada”, assume o deputado Ascenso Simões à CNN Portugal.

“Se nas anteriores listas estava uma parte dos antigos ministros, agora quase não há gente com experiência governativa transversal. Há um corte profundo com o passado“, lamenta Ascenso Simões.

E também existem dúvidas quanto às apostas do líder socialista para as eleições autárquicas, nomeadamente relativamente às escolhas de Alexandra Leitão para Lisboa e de Manuel Pizarro para o Porto. “Não têm hipótese”, salientam socialistas ouvidos pela CNN Portugal.

ZAP //

2 Comments

  1. O PS está um saco de gatos. É quem mais foge deste radical Pedro Santos. Os que estão a apartar-se já estão a persentir que está perto a derrocada do líder.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.