PCP considera que medidas anunciadas pelo Governo são “desproporcionais”

Manuel de Almeida / Lusa

O secretário-geral do PCP defendeu num comício em Alhos Vedros, no concelho da Moita, que as medidas anunciadas no sábado pelo Governo para combater a covid-19, são “desproporcionais e para além do estritamente necessário”.

“Esta epidemia, como o PCP sempre tem reiterado ao longo dos meses, coloca problemas sanitários, económicos e sociais, que não são resolvidos pela limitação de direitos e pela criação de climas de medo”, disse Jerónimo de Sousa, num comício de apoio à candidatura de João Ferreira à Presidência da República.

“As medidas de regulação que a situação sanitária exige a cada momento devem sempre ser fundamentadas, de aplicação clara e sem margem para arbitrariedades e uso do poder, sob pena de não só não serem compreendidas e aceites como, pelo contrário, serão rejeitadas pelas populações”, acrescentou.

Também os “termos pouco claros que a legislação sobre o uso da máscara vem suscitando” e o que se passou sexta-feira nas principais saídas da cidade de Lisboa, incluindo as pontes sobre o Tejo, foram alvo de crítica de Jerónimo de Sousa.

“A imposição de barreiras à hora de regresso a casa, depois de um dia de trabalho, colocando muitas dezenas de milhares de pessoas, entre elas crianças, várias horas fechadas dentro dos automóveis e autocarros, em intermináveis filas, é inaceitável”, afirmou.

Para Jerónimo de Sousa, tratou-se de “uma ação gratuita e desproporcionada, sem qualquer efeito prático relativamente ao combate à epidemia, mas profundamente penalizadora da vida das populações”.

“Para o PCP, a prioridade do combate à covid-19 é o reforço do SNS, com o reforço urgente de profissionais em falta, o aumento do número de camas hospitalares, nomeadamente camas de cuidados intensivos”, frisou o líder comunista.

Outras medidas, vincou, passam por “normalizar o funcionamento de cuidados de saúde primários através do recrutamento de meios e enfermeiros de família e o alargamento da estrutura de saúde pública, instrumento fundamental para a deteção dos surtos e interrupção das cadeias de contágio”.

“Opções políticas que deveriam estar, desde logo, espelhadas no Orçamento do Estado para 2021, bem como outras para dar resposta aos graves problemas que o país enfrenta”, advogou.

No comício em Alhos Vedros, Jerónimo de Sousa reiterou também a ideia de que apesar da abstenção do PCP na votação na generalidade do Orçamento de Estado para 2021, a decisão final do PCP ainda não está tomada.

“A decisão final do PCP sobre o Orçamento do Estado dependerá, não dos apelos ou das chantagens que sobre nós exerçam, venham elas de onde vierem, incluindo do atual Presidente da República que nos queria amarrar a um orçamento independentemente do seu conteúdo, em nome de uma suposta estabilidade”, assegurou Jerónimo de Sousa.

// Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Vivemos tempos difíceis. Convém manter alguma serenidade para não irmos para além do estritamente necessário. O poder político de governança tinha as previsões, mas ao soube prevenir devidamente. Por isso, agora as medidas parecem exageradas e tardias. O desconfinamento não foi devidamente planeado de modo a minimizar riscos de contágio. O que houve foram medidas avulsas e muitas vezes claramente contraditórias. Se no início, em março as hesitações eram compreensíveis, de julho até agora, com muito mais conhecimento, são difíceis de aceitar. Comércio, transportes, trabalho, educação, festividades, convívios, etc., tudo devia ter sido devidamente ponderado de modo a promover regulamentos claros e compreensíveis que reduzissem substancialmente o risco de contágio e, claro, colocar no terreno os necessários meios de fiscalização. Claro que isso não dispensa a necessária responsabilidade individual, também ela claramente em défice, mas não fará muito sentido culpabilizar as pessoas por eventuais desmandos que alguns cometem, cuja possibilidade de ocorrência é substancialmente alta de acontecer em qualquer cenário, sobretudo se não houver uma regulamentação que seja suficientemente dissuasora desses mesmos comportamentos de risco e a tal fiscalização à altura.

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