Os Piratas foram a votos. Há movimento internacional – e um Partido Pirata em Portugal

André Kosters / Lusa

Sim, há mesmo Partidos Piratas. Começaram na Suécia e ainda há poucos dias um teve quase 14 mil votos na Alemanha.

Os alemães foram votar no domingo passado, nas eleições antecipadas que foram realizadas devido à queda do Governo ainda formado por Olaf Scholz.

Como se esperava, a coligação CDU/CSU ganhou, o AfD ficou no segundo lugar e o SPD caiu para o terceiro lugar.

Ao espreitar os resultados oficiais, reparamos que, no meio de 29 partidos, estava lá um tal “Piratenpartei Deutschland”. Sim, o Partido Pirata.

E fomos confirmar: aqui está o Partido Pirata da Alemanha.

No seu programa eleitoral, os alemães são claros: “Novo território é criado a partir de novas ideias e nós temos mais do que todos os outros partidos”.

Os pontos centrais são: direitos de autor, protecção de dados, reforço dos direitos dos cidadãos, transparência do estado, Internet e educação.

Liberdade de expressão, democracia. São ideias-chave deste movimento que surgiu na Suécia há praticamente 20 anos, com o Piratepartiet, e que agora até tem um movimento internacional, o Pirate Parties International.

Os partidos piratas são partidos que se focam na sociedade de informação. Liberdade digital, direitos civis, privacidade na net.

São amigos do open source, defendem que a informação existente na internet deve ser de acesso universal, estão contra as limitações impostas pelas regras de cada país.

Apelam a uma reforma das leis relacionadas com os direitos de autor, exigem maior transparência na política.

No caso mais concreto da Alemanha, falam em “revolução digital” e vão conquistando adeptos mais jovens. É um partido muito associado aos nativos digitais.

E sim, também há em Portugal: é o Movimento Partido Pirata Português (PPP). É contra a “tentativa dissimulada de supressão global dos nossos direitos, liberdades e garantias”. O sistema de direitos de autor é “antiquado, não adequado às novas tecnologias”. O PPP nunca conseguiu entrar nos boletins de voto; ainda tentou, nas eleições europeias em 2014, mas a burocracia foi um obstáculo e não conseguiu reuniu assinaturas suficientes.

Na Alemanha, os piratas conseguiram 13.809 votos no domingo passado. Foram 0,03% dos quase 50 milhões de eleitores que votaram.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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