Parlamento condena perseguição a homossexuais na Chechénia. PCP abstém-se

PSD / Flickr

-

O Parlamento português aprovou, esta sexta-feira, um voto de condenação pela perseguição da população lésbica, gay, bissexual e transgénero (LGBT) na Chechénia, do qual o PCP se absteve.

O voto de condenação apresentado pelo BE foi aprovado com os votos favoráveis de todos os partidos, com exceção do grupo parlamentar comunista, que se absteve, justificando numa declaração de voto escrita que, “não tendo sido possível confirmar os factos invocados” não pôde acompanhar uma iniciativa que se funda no que tem sido noticiado pela comunicação social internacional.

O sentido de voto do PCP provocou ruído de protesto no hemiciclo, sendo audível o aparte parlamentar: “No PCP não há gays”. Esta frase, cuja autoria a Lusa não conseguiu determinar, retomava a intervenção do líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, que tinha ilustrado a situação da comunidade LGBT na Chechénia com a afirmação do seu primeiro-ministro, segundo o qual não há qualquer perseguição aos homossexuais no país porque lá não há homossexuais.

O texto do voto faz referência à criação de um campo de concentração para a população LGBT, pelo Governo da República da Chechénia, região autónoma integrada na Federação Russa, noticiado em vários órgãos de comunicação social internacional, e refere também “relatos de vítimas e denúncias de grupos russos de defesa dos direitos de humanos”.

Segundo esses relatos, “dezenas de homossexuais foram detidos e mantidos em cativeiro num antigo quartel militar na cidade chechena de Argun, onde são torturados por espancamento e com recurso a choques elétricos“, havendo registo de três mortes.

“Este atentado aos direitos humanos enquadra-se numa política mais geral de perseguição continuada à população LGBT” naquele território, sublinha-se no voto.

Numa intervenção de apoio aquela condenação, o socialista Paulo Trigo Pereira sublinhou a posição da Alta representante da Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, que, afirmou, “disse ser indispensável levar a cabo investigações eficazes exaustivas sobre informações de sequestros e assassinatos na República da Chechénia”.

Na terça-feira, centenas de pessoas concentraram-se junto à embaixada da Rússia, em Lisboa, para contestar a “perseguição a homossexuais” na Chechénia e exigir às autoridades portuguesas uma “pressão internacional e diplomática” para exigir o respeito pelos direitos humanos.

No protesto participaram as deputadas do PS Isabel Moreira e do Bloco de Esquerda Isabel Pires e Sandra Cunha, além do candidato bloquista à Câmara de Lisboa, Ricardo Robles.

No final de março último, um inquérito publicado pelo jornal independente russo Novaia Gazeta revelou que os homossexuais se tornaram um alvo das autoridades da Chechénia, uma sociedade conservadora onde a homossexualidade, considerada um tabu, é um crime passível de morte na maioria das famílias.

De acordo com o jornal, as autoridades locais prenderam mais de cem homossexuais e incitaram as respetivas famílias a matá-los para “lavar a sua honra”.

De acordo com a Novaia Gazeta, pelo menos duas pessoas foram assassinadas pelos seus familiares e uma terceira morreu em consequência de atos de tortura.

Alguns homossexuais que fugiram da Chechénia para Moscovo afirmaram à agência France Presse que foram espancados e detidos numa “prisão não oficial” e vivem hoje com medo de serem identificados e capturados pelas respetivas famílias.

Foi aberto um inquérito pelo Ministério Público russo na passada segunda-feira, que fez saber não ter recebido “qualquer queixa oficial” de eventuais vítimas.

// Lusa

1 COMENTÁRIO

  1. Quem mania que estes políticos têm de interferirem no que se passa nos outros países sem terem provas concretas do que se passa. Fez o PCP muito bem em abster-se.

RESPONDER

Marcelo "está atento", pede consequências e usará todos os poderes contra fragilidade do Estado

O Presidente da República advertiu esta terça-feira que usará todos os seus poderes contra a fragilidade do Estado que considerou existir face aos incêndios que mataram mais de 100 pessoas, e defendeu que se justifica …

#MeToo: a hashtag que está a mostrar a magnitude do assédio sexual

Mais de 200 mil pessoas já partilharam a hashtag "Me too" ("eu também" em inglês) para mostrar a magnitude do assédio sexual, um problema que tem feito correr muita tinta nos últimos dias devido às …

Leipzig vs Porto | Dragões sem asas para os alemães

FC Porto somou a sua segunda derrota nesta edição da Liga dos Campeões, ao perder, por 3-2, na deslocação ao terreno do Leipzig, com todos os golos a serem apontados na primeira parte. A equipa …

Falha de segurança ameaça redes Wi-Fi de todo o mundo

Uma falha descoberta no protocolo WPA2 coloca as redes Wi-Fi em perigo. O "ataque KRACKS" pode roubar informação como palavras-chave e números de cartões de crédito.  A mais recente ameaça tecnológica dá pelo nome de "ataque …

CDS-PP avança com moção de censura ao Governo

A presidente do CDS-PP anunciou, esta terça-feira, que o partido vai apresentar uma moção de censura ao Governo em resultado dos incêndios e devido à falha em "cumprir a função mais básica do Estado: proteger …

Cristiano Ronaldo rejeita acordo com fisco espanhol e volta a defender Jorge Mendes

Os advogados de Cristiano Ronaldo defendem que a atribuição ao jogador de uma fraude fiscal no valor 14,7 milhões de euros é "inconsistente" e sem fundamento. O jornal espanhol El Mundo avança a notícia depois de …

Forças da Síria anunciam conquista de Raqa, antiga capital do Daesh

As Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada liderada por milícias curdas, anunciaram esta terça-feira que controlam totalmente a cidade de Al Raqa, mas sem confirmar o fim da presença do grupo extremista autodenominado …

Ministério da Saúde falseou tempos de espera nos hospitais

O Ministério da Saúde apagou pedidos antigos para falsear os tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A conclusão é de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas. De acordo com esta análise, divulgada …

Linha da EDP causou incêndio de Pedrógão Grande (e um segundo fogo nunca foi registado)

Um novo relatório, encomendado pelo Governo, conclui que o grande incêndio de Pedrógão Grande começou por causa de uma linha de média tensão da EDP que terá entrado em contacto com a vegetação. Essa circunstância …

Governo e sindicatos dos enfermeiros chegam a acordo

O Ministério da Saúde chegou, esta segunda-feira, a acordo com as estruturas sindicais representantes dos enfermeiros, anunciou o Governo em comunicado. "Após um período longo de negociações árduas com as estruturas sindicais, o Governo está em …