Paradise Papers revelam desvio de fundos públicos angolanos para as Maurícias

Ricardo Stuckert / ABr

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos

O Fundo Soberano de Angola, que é gerido pelo filho mais velho do ex-presidente angolano, foi apanhado nos milhões de ficheiros dos chamados Paradise Papers, a mais recente fuga de informação que revela ligações de figuras como a Rainha Isabel II, Bono e Madonna, entre políticos e milionários, a offshores.

De acordo com o jornal suíço Le Matin Dimanche, que integra o consórcio de jornalistas que analisa os Paradise Papers, o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) é uma das entidades “apanhadas” nos 13,4 milhões de ficheiros que revelam ligações de várias personalidades mundiais a paraísos fiscais.

Em causa estão documentos da gestora suíça Quantum Global, empresa especializada na gestão de activos e que geriu investimentos do FSDEA nas Maurícias.

O Fundo Soberano de Angola, que é gerido por Filomeno “Zenú” dos Santos, filho do ex-presidente José Eduardo dos Santos, é uma entidade pública que visa promover “o crescimento, a prosperidade e o desenvolvimento sócio-económico de Angola”, como se diz no seu site oficial.

De acordo com os documentos agora divulgados nos Paradise Papers, dos cerca de 5 mil milhões de euros atribuídos ao Fundo, quase 3 mil milhões foram desviados para sete fundos de investimento nas Maurícias.

FSDEA

Filomeno “Zenú” dos Santos, filho do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

Esse processo foi gerido pela Quantum Global, empresa gerida por Jean-Claude Bastos de Morais, empresário suíço de origem angolana com quem Zenú tem mantido ligações próximas, nomeadamente no âmbito dos negócios.

Zenú e Bastos de Morais fundaram o primeiro banco de investimento angolano, o Bank Kwanza Invest, conforme lembra o Le Matin Dimanche.

O jornal nota, ainda, que o FSDEA destinou 157 milhões de euros à construção de um edifício, em Luanda, que nunca arrancou. A obra estava destinada para um terreno detido por uma empresa de Bastos de Morais e a direcção do projecto de construção também tinha sido entregue a outra empresa do suíço-angolano.

O jornal suíço lembra que a Quantum Global lucra, anualmente, entre 60 e 70 milhões de euros com a gestão do Fundo Soberano de Angola.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. E é para isto que servem os paraísos fiscais!!
    Quando acabarem, poderá haver um pouco mais de justiça no mundo – mas claro que isso não interessa aos poderosos nem à máfia da alta finança mundial!!

  2. A questão que se coloca é: E agora?.. Fica tudo como dantes não é?.. Pois claro. Muito burburinho à volta do mediatismo da coisa e nada muda. Três dias depois já apareceu outra bomba mediática qualquer e toda a gente esquece isto, para andar a discutir o assédio ou outra trampa qualquer.

    Assim vai o mundo de hoje, na era da “des) informação. O que importa é ter qualquer coisa para ir dizendo diáriamente na comunicação social, para atrair audiências… Depois tudo passa rápido no imediatismo do mediatismo.

    Quando é que se institui na sociedade a mobilização da cidadania contra o que está manifestamente errado?

  3. Estão a juntar para fazer dois hospitais decentes ,lá para o interior para melhorar a vida desses meninos que por lá andam, ao abandono.

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