Pânico em Veneza. Cruzeiro desgovernado colide com o porto

O navio atingiu um barco turístico e o cais de embarque de um canal do centro da movimentada cidade italiana, em plena época alta. O incidente acontece num contexto de insatisfação crescente dos habitantes locais com o turismo de massas.

Um navio de cruzeiro perdeu este domingo o controlo à sua chegada a Veneza, causando o pânico ao embater numa doca e num barco turístico enquanto atracava, relataram órgãos de comunicação social italianos.

O acidente causou ferimentos sem gravidade em quatro turistas, duas das quais foram levadas para o hospital para observação. Não foi divulgada a nacionalidade das turistas.

O acidente ocorreu na movimenta doca de San Basilio, no canal de Giudecca, no centro de Veneza. De acordo com o jornal italiano Corriere della Sera, terá sido provocado pela quebra de um dos cabos que ligam os navios de cruzeiro aos rebocadores que os ajudam a entrar nos canais.

A quebra do cabo terá feito com que o MSC Opera, navio de cruzeiro ítalo-suíço com pavilhão do Panamá, que pode transportar até 2.679 passageiros, não conseguisse parar por causa das fortes correntes que o empurravam para a doca.

Imagens divulgadas na rede social Twitter mostram o momento em que o enorme navio colide com o cais e com outro barco, enquanto turistas que se encontravam no cais fogem à frente do navio, que atingiu o cais e raspou a lateral direita contra a doca, com os motores a rugir, antes de embater no Michelangelo, pequeno barco turístico que se encontrava próximo.

Veneza tem estado a debater como lidar com a explosão do turismo na cidade, uma das mais visitadas do mundo. O centro histórico de Veneza tem cerca de 50 mil habitantes e é visitado todos os anos por 20 a 30 milhões de turistas — dos quais apenas 20% pernoitam na região.

Em 2018, para regular a entrada dos turistas, foram instalados portões nos únicos pontos de entrada terrestre da cidade, que são fechados quando se alcança certo número de entradas. As autoridades também proibiram, durante 3 anos, a abertura de restaurantes de comida rápida.

Veneza irá cobrar, além disso, uma taxa aos turistas que ficam apenas um dia na cidade. Quem se hospeda em Veneza já paga uma taxa de alojamento, que gera cerca de 30 milhões de euros por ano para as autoridades municipais.

Os venezianos há muito tempo que se queixam da presença excessiva de turistas, que, segundo os locais, descaracterizam a cidade. Um dos principais alvos das reclamações são os turistas dos navios de cruzeiro.

Centenas destes navios chegam todos os anos à famosa cidade italiana, na qual despejam milhões de turistas, que descem para conhecer a cidade, onde passam poucas horas e gastam pouco, mas geram custos de limpeza e esgotam os espaços públicos.

O turismo de massas é cada vez mais criticado pelos habitantes das grandes cidades europeias, como Barcelona, Amesterdão e Veneza.

Entre as principais reclamações estão a subida de preços devido a serviços como o Airbnb e a descaracterização das cidades, causada pela grande circulação de pessoas e do desaparecimento do comércio tradicional, substituído por lojas, bares e restaurantes para os turistas.

ZAP // Lusa / Deutsche Welle

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