Astrónomos descobrem origem das enormes bolhas da Via Láctea

ESA / Gaia / DPAC / CC BY-SA 3.0 IGO

As bolhas gigantes no centro da Via Láctea

Em 2019, o telescópio eROSITA descobriu um par gigante de bolhas emissoras de radiação X, cada uma com cerca de 36.000 anos-luz de altura e 45.600 anos-luz de largura, acima e abaixo do centro da Via Láctea.

O que poderá ter causado estes dois pares gigantes? Um novo estudo sugere que as bolhas são o resultado de um poderoso jato de energia, produzido por Sagitário A*, o buraco negro supermassivo que habita no centro da nossa galáxia.

Segundo o Sci-News, terá começado a expelir material há cerca de 2,6 milhões de anos, num processo que durou cerca de 100 mil anos.

“As nossas descobertas são importantes no sentido de que precisamos de compreender como os buracos negros interagem com as galáxias, porque esta interação permite que estes buracos negros cresçam de forma controlada em vez de crescerem incontrolavelmente”, explicou Mateusz Ruszkowski, astrónomo do Departamento de Astronomia da Universidade de Michigan, Estados Unidos.

Há dois modelos concorrentes que explicam as bolhas de Fermi e eRosita. O primeiro sugere que a saída é impulsionada por um vetor nuclear, no qual uma estrela explode para uma supernova e ejeta material; enquanto o segundo, que apoia as conclusões da equipa, sugere que estas saídas são impulsionadas pela energia expelida do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia.

Os buracos negros são objetos singulares, tão maciços que nem a luz pode escapar. No entanto, quando “se enchem” de materiais do ambiente, podem criar pares de jatos de matéria de alta energia que disparam em direções opostas a velocidades relativistas, uma fração significativa da velocidade da luz.

Os astrónomos estão extremamente interessados em investigar estas bolhas. A sua existência indica que Sagitário A* teve um passado muito mais ativo em comparação com a sua aparente quietude atual.

Estas atividades dão aos investigadores informações valiosas sobre como o buraco negro supermassivo e a galáxia cresceram até às suas dimensões atuais. O artigo científico foi recentemente publicado na Nature Astronomy.

  ZAP //

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