Operação “Tutti-Frutti” envolve 20 câmaras e vários mandatos

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jad99 / Wikimedia

Edifício da Câmara Municipal de Lisboa

A operação “Tutti-Frutti”, que levou a novas buscas na Câmara Municipal de Lisboa, já envolve 20 câmaras, dezenas de arguidos e vários mandatos.

As buscas realizadas na Câmara de Lisboa estão relacionadas com o processo “Tutti-frutti”, uma investigação iniciada em 2017 sobre alegados favorecimentos de dirigentes políticos a militantes do PSD e do PS, confirmou à Lusa a Procuradoria-Geral da República.

Os investigadores estavam a analisar documentos relacionados com processos urbanísticos geridos pelo ex-vereador do Urbanismo Manuel Salgado, durante a presidência municipal de Fernando Medina (PS), atual ministro das Finanças.

O Jornal de Notícias escreve que o megainquérito já conta com dezenas de arguidos de vários quadrantes políticos e envolve nesta altura duas dezenas de autarquias.

O Ministério Público esteve nas últimas semanas a interrogar suspeitos e arguidos. Foi aqui que surgiram novos factos, levando à necessidade de procurar documentos relacionados com as alegações dos arguidos e suspeitos. Parte desta documentação foi ontem recolhida na Câmara de Lisboa, escreve o JN.

O diretor nacional da Polícia Judiciária confirmou a investigação “a vários mandatos”, em declarações aos jornalistas. Luís Neves vai de encontro àquilo que o JN escreve e refere que “era necessário encontrar cirurgicamente um documento específico”.

“Tem a ver com factos que estão em investigação, mais antigos [do que o mandato de Fernando Medina]. Não tem de ser mandatos do A, do B, ou do C. Há outras personagens que podem estar a ser investigados ou que podem ser importantes para a investigação”, explica Luís Neves.

Em 2018, a Procuradoria-Geral da República indicou que são investigados neste inquérito alegados crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido, por suspeitas do exercício de “influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”.

Em outubro, a CNN Portugal noticiou haver “mais de 500 escutas telefónicas com relevância criminal a envolver altos dirigentes do PS e do PSD […], nomeadamente por esquemas de alegado conluio em pactos de bloco central, em que alguns dos suspeitos envolvidos são membros do atual Governo, como Fernando Medina ou Duarte Cordeiro [ministro do Ambiente e ex-vice-presidente da Câmara de Lisboa]”.

Nessa altura, acrescentou o canal, a investigação tinha já detetado “situações suspeitas em 16 câmaras, 12 juntas e duas assembleias municipais” e foram-lhe apensados outros nove inquéritos, “todos por alegados crimes na Câmara de Lisboa”.

  ZAP // Lusa

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