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Decisão da Operação Marquês causa indignação na política. Costa prefere não comentar

Mário Cruz / Lusa

Ivo Rosa depois da leitura da decisão instrutória da Operação Marquês

Depois de ser conhecida a decisão instrutória da Operação Marquês, são muitas as figuras políticas que já se manifestaram com indignação. Já António Costa prefere não mexer no assunto e diz que não tem “nada a acrescentar”.

À saída do velório de Jorge Coelho, em Lisboa, o primeiro-ministro repetiu uma ideia que já tinha frisado esta manhã. “Não é a circunstância, mas sobre esta matéria já disse tudo o que tinha dizer em outubro de 2014 e não tenho mais nada a acrescentar”, frisou aos jornalistas.

Contudo, nem todos seguem a conduta mais recatada de Costa e são muitas as figuras políticas que já evidenciaram o seu descontentamento perante a decisão de Ivo Rosa.

Da oposição ainda não se ouviram declarações, mas, segunda a Lusa, o presidente do PSD, Rui Rio, convocou para sábado uma reunião da Comissão Permanente do partido para analisar a decisão instrutória da Operação Marquês.

A socialista Ana Gomes considerou que a decisão “é arrasadora para a justiça e para o Ministério Público”.

“Acompanhei [a leitura] com crescente preocupação e estou com o coração pesado. É avassalador. (…) porque isto faz o jogo de todos os inimigos da democracia e da criminalidade organizada, que vai continuar”, disse ao Público.

Ana Gomes considera ainda que a decisão instrutória “também é um arraso para a política”, porque “tem desvalorizado as disfunções da justiça” e revela que os mega processos “não fazem justiça em tempo útil”.

A ex-eurodeputada considera haver “duas inconsistências”: a “desvalorização dos crimes de fraude fiscal e das declarações de Hélder Bagtalia, que estava sustentadas em prova documental”.

Como é habitual por parte da ex-candidata à Presidência da República, foram muitos os tweets que foi partilhando ao longo da leitura, onde ironizou sobre as decisões tomadas.

Também o CDS já reagiu oficialmente à decisão instrutória da Operação Marquês, através do seu líder, Francisco Rodrigues dos Santos, numa mensagem citada pelo Expresso.

“Do ponto de vista jurídico, é uma decisão judicial que deve ser respeitada no quadro do Estado de Direito. Trata-se contudo de uma decisão recorrível e, portanto, não definitiva (…) Depois de tantos anos, o povo não entende esta decisão e está indignado com razão. Os valores éticos e morais de um Governante não prescrevem“, pode ler-se.

A mensagem frisa ainda que “o sistema judicial mostrou, neste processo, que está doente“, deixando a promessa que “o CDS vai empenhar-se em tornar o sistema judicial rápido, previsível, forte com os fortes, em que as regras sejam respeitadas e onde a culpa não morra solteira”.

Do lado do Bloco de Esquerda, Catarina Martins também reagiu à decisão instrutória. A coordenadora considerou que ficaram à vista “grandes fragilidades que põem em crise o funcionamento da justiça”.

A líder bloquista particularizou os “prazos de prescrição de crimes de corrupção” e “a urgência da criminalização do enriquecimento injustificado”

André Ventura diz-se revoltado com as conclusões apresentadas pelo juiz Ivo Rosa. O líder do Chega fez várias publicações nas redes sociais onde disse estar “Indignado. Tremendamente indignado. Violentamente indignado!“, mas sublinha que é altura de “lutar“.

 

Tiago Mayan Gonçalves, que foi candidato à Presidência da República em janeiro deste ano, foi dos mais ativos no Twitter na tarde em que o juiz Ivo Rosa deitou abaixo a acusação do Ministério Público contra José Sócrates.

O liberal publicou uma fotografia a simular um encontro virtual na rede social Tinder, com a frase: “O meu amor por ti não prescreve”, uma referência ao motivo pelo qual o juiz ilibou Sócrates de vários crimes: terem prescrito.

No meio de tantas críticas, há quem se mostre satisfeito com a decisão. Paulo Campos, ex-secretário de Estado das Obras Públicas, e um dos poucos socialistas que se mantiveram próximos de José Sócrates, admitiu ao Expresso estar “satisfeito do ponto de vista da amizade pessoal. É um dia de satisfação”.

Elogiou a forma “exemplar” com que Ivo Rosa conduziu o processo sem fugas de informação. “É que pela primeira vez a questão da manipulação do juiz foi escancarada aos olhos de todos. E é uma matéria muito relevante, que interessa esclarecer”, frisa.

Sobre um eventual futuro regresso de Sócrates à política, Paulo Campos diz não fazer “a mínima ideia”, e refere que nunca falou com o amigo sobre isso.

  Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

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