Jogos Olímpicos de Inverno. China paga a influencers norte-americanos para promover a sua imagem

O Governo chinês recorreu a influencers norte-americanos para promover a sua imagem antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

A Vippi Media, uma empresa com sede em Nova Jersey, assinou um contrato no valor de 300 mil dólares (cerca de 260 mil euros) com o consulado chinês em Nova Iorque para organizar uma campanha para promover mensagens positivas sobre a China e os Jogos Olímpicos de Inverno no TikTok, Instagram e Twitch.

O acordo, registado no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, começou em novembro e dura até março deste ano, altura em que terminam os Paraolímpicos de Inverno.

Segundo o Business Insider, este contrato surge numa altura em que países como os Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá declararam um boicote diplomático à competição por questões relacionadas com os direitos humanos.

A China continua a negar as alegações de violação, mas há quem manifeste preocupações relacionadas com a segurança dos atletas norte-americanos. Algumas organizações, inclusive, advertiram os atletas de que poderiam enfrentar sanções se se pronunciassem contra o Governo chinês.

Nos últimos anos, o país asiático investiu grandes quantias em meios de comunicação estrangeiros. Em 2020, por exemplo, gastou perto de 60 milhões de dólares nos EUA, de acordo com a Open Secrets, uma organização que acompanha o dinheiro na política norte-americana. No ano passado, esse valor foi de cerca de 23 milhões.

O acordo com a Vippi Media estabelece uma estratégia detalhada de comunicação, segundo a qual os influencers terão de produzir 3 a 5 peças de conteúdo para os seus públicos-alvo.

No contrato, o Governo chinês pede que as publicações sejam divididas por temas: 70% do conteúdo terá de estar relacionado com a Cultura – destacando a história de Pequim, relíquias culturais, vida moderna e tendências – e 20% relacionado com conteúdo diplomático, onde seja evidenciada a “cooperação” e os detalhes positivos das relações China-EUA.

Os restantes 10% de conteúdo serão notícias e tendências do consulado.

Ao The Guardian, Vipinder Jaswal, antigo diretor da Fox News e HSBC que administra a Vippi Media, disse que estava bem ciente das controvérsias em torno do Governo chinês antes de assinar o acordo.

“O que estamos a tentar fazer é simplesmente realçar a integridade e dignidade dos Jogos Olímpicos”, justificou. “Os boicotes não ajudam à compreensão mútua. Eu não apoio boicotes. São ineficazes, irrelevantes e inconsequentes.”

Apesar das suas declarações ao diário britânico, o responsável da Vippi Media tem enfrentado duras críticas em relação ao acordo com o Governo chinês.

No início deste mês, por exemplo, o senador Rick Scott, da Florida, enviou uma carta à Newsweek, onde Jaswal é colaborador, pedindo à publicação que reconsiderasse a sua relação de trabalho com o responsável.

  ZAP //

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