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Ocidente mantém negócios com a Gazprom

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greg westfall / Flickr

Instalações da Gazprom junto ao rio em Moscovo

Maior colapso de sempre na bolsa russa. Mas países europeus continuarão a comprar gás natural russo. Ameaças surgem também no desporto.

Chegou o final do primeiro dia da invasão russa à Ucrânia e o porta-voz do ministério da Defesa da Rússia ficou satisfeito. “As metas foram atingidas pelos militares. Todas as tarefas atribuídas aos grupos de tropas das forças armadas da Federação Russa para hoje foram concluídas com sucesso“, anunciou Igor Konashenkov.

Mas o panorama económico, como se esperava, não foi um sucesso. O índice da bolsa de Moscovo caiu 33,3% – a maior queda de sempre da principal bolsa russa, num dia. O índice RTS registou uma queda de 39,4%, outro recorde.

Ao início de manhã todas as movimentações na Bolsa de Moscovo foram mesmo suspensas, sendo retomadas cerca de duas horas depois.

As acções do Sberbank, o maior banco da Rússia (e o maior do Leste da Europa) caíram 47% ao longo do dia, as receitas do TCS Group desceram 46%, as acções do banco VTB desceram 42%.

Negócios com gás prolongam-se

A Gazprom desceu 32% em bolsa. Mas a maior empresa de energia da Rússia, que é igualmente a maior exportadora de gás natural do mundo, não vai deixar de exportar para os países ocidentais.

O jornalista Javier Blas assegurou que as concessionárias dos outros países europeus, que costumam importar gás natural proveniente da Rússia, vão continuar a fazê-lo.

E já amanhã, sexta-feira, vão comprar mais gás natural da Gazprom, através de gasodutos da Ucrânia.

Esta notícia surge quase ao mesmo tempo do anúncio de Joe Biden: o presidente dos Estados Unidos da América informou que o grupo G7 (composto por EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) vai apresentar um “devastador pacote de sanções” e outras medidas económicas para responsabilizar a Rússia pela invasão.

Da própria Ucrânia chegou o pedido, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, para que a Rússia deixe de fazer parte do SWIFT, o sistema utilizado para a maioria das transferências bancárias internacionais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também reagiu a este conflito, avisando que a invasão ordenada por Vladimir Putin pode ser sinónimo de um colapso económico na Ucrânia e no mundo.

Produtos removidos e pressões internacionais

Na zona Leste da Europa houve uma reacção de uma grande rede de supermercados. A Rimi Baltic, que tem quase 300 lojas na Estónia, na Letónia e na Lituânia, decidiu retirar do seu catálogo todos os produtos fabricados na Rússia. A direcção da Rimi está solidária com o povo ucraniano.

Gerhard Schröder está a ser pressionado para seguir o exemplo de outros antigos dirigentes europeus (Itália, Áustria e Finlândia), que abandonaram o cargo que ocupavam em empresas russas.

Schröder, que foi chanceler na Alemanha, será amigo pessoal de Putin, presidente da Rússia. Mas na Alemanha cresce a pressão para que deixe de estar ligado a empresas russas de energia, segundo a agência Reuters.

Possíveis problemas no desporto

No próximo mês vão disputar-se jogos de play-off na Europa, tendo em vista o Mundial 2022 de futebol. No mínimo, um desses duelos será em Moscovo, entre russos e polacos.

Ou seria, porque os responsáveis da federação da Polónia pediram à FIFA para que o palco do jogo seja outro. Também a Suécia e a República Checa, que poderão jogar igualmente na Rússia, não querem deslocar-se a solo russo em Março.

Mais à frente, em Maio, será a vez da final da Liga dos Campeões. Está marcada para São Petersburgo mas a Associated Press indica que a UEFA já decidiu que a final será realizada noutro estádio, noutro país.

As reacções no mundo do desporto multiplicam-se e, na Fórmula 1, Sebastian Vettel anunciou que não vai ao Grande Prémio da Rússia, em Setembro deste ano (caso haja realmente prova em Sochi).

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

5 Comments

  1. Sozinhos no mundo. E a torneira vai fechar em força.
    Vamos ver de que viverão os Russos nos próximos tempos.
    Ou muito me engano ou o sistema ainda implode.

    • Boa parte dos russos estão bem enganados pelo ditador/manipulador Putin e não se importam de viver cada vez pior, para um dia ter de volta a “Grande Russia” onde acham que viveram todos bem!…
      Pelos menos é que o Putin lhes promete…

  2. Mais uma vez, agora se vê os resultado das politicas da Merkel (e companhia) de dependência da Russia e da venda de interesses europeus (portos, empresas estratégicas, etc) a estrangeiros!…

  3. ja contavam com sançoes economicas e estao preparados para lhes dar a volta com ajuda da China ,o Ocidente tem de parar de comprar aos Imperialistas e Comunistas ! estamos a Fazer crescer os nossos inimigos e dar dinheiro para eles se tornarem Ameaça

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