“O sr. Presidente anunciou, está anunciado”. Marcelo revela data da visita de Costa a Kiev

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Miguel A. Lopes / Lusa

O gabinete do primeiro-ministro exigiu sigilo total sobre a viagem de António Costa a Kiev, mas o Presidente da República revelou a data da visita.

Em entrevista ao Público, um alto dirigente socialista desabafou que “isto nunca se diz! É dos livros!”, sobre o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado que o primeiro-ministro visitaria a Ucrânia nos próximos dias.

O líder socialista sempre se recusou a revelar as datas, explicando que deveriam ser mantidas em segredo por questões de segurança.

O Presidente da República surpreendeu o próprio Governo quando, a caminho de Timor, a fazer escala no Dubai, revelou que a visita de António Costa a Kiev se iria realizar na sequência da viagem oficial à Roménia e à Polónia.

“Não deixa de ser uma coincidência feliz que, na altura em que o primeiro-ministro português vai à Roménia, à Polónia e à Ucrânia em plena guerra, sempre com uma visão de paz, que nós celebremos com os irmãos timorenses aquilo que são 20 anos já — o tempo passou a correr — de paz, de liberdade, de desenvolvimento económico e social”, realçou Marcelo Rebelo de Sousa.

António Costa confirmou a notícia, tentando não mostrar que Marcelo não devia ter anunciado as datas: “O senhor Presidente anunciou, está anunciado. Se anunciou, fez seguramente bem. É por isso que é Presidente da República e determina o timing da sua própria palavra. Não é o Governo que a condiciona. Não comentamos a atuação nem condicionamos o timing em que o Presidente da República entende usar da palavra”

Csota foi confrontado com o anúncio em Bucareste, no primeiro dia da visita oficial à Roménia, mas recusou revelar o dia em que chegará a Kiev.

Será no dia em que lá chegar“, respondeu o primeiro-ministro, depois de os jornalistas insistirem se a visita à Ucrânia vai acontecer na sexta ou no sábado.

Costa sublinhou que Marcelo estava informado relativamente à sua deslocação à Ucrânia. “Como é sabido entre Governo e Presidente da República não há segredos. A política interna e externa é conduzida pelo Governo, devendo o Governo manter o Presidente informado”, afirmou.

Augusto Santos Silva também já tinha feito declarações que pareceram uma mensagem indireta ao Presidente da República.

O presidente da Assembleia da República anunciou que aceitou o convite do seu homólogo, o presidente do Parlamento ucraniano, para visitar Kiev e acrescentou que ainda não havia data para o encontro. “Será logo que seja oportuno”, afirmou aos jornalistas — mas tudo “será tratado com a discrição indispensável“, insistiu.

As visitas de políticos estrangeiros a Kiev não têm sido anunciadas com muita antecedência, para a segurança (nomeadamente) do Presidente ucraniano.

Boris Johnson fez uma “visita surpresa” a Kiev a 9 de abril, que só foi pública no momento em que estava a ser realizada e Ursula von der Leyen só confirmou a sua visita na véspera.

Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, visitou Kiev numa viagem também não anunciada a 1 de maio. A visita do secretário de Estado norte-americano Antony Blinken foi divulgada pelo próprio Volodymyr Zelenskyy na véspera, a 24 de abril.

Já é costume os segundos mandatos dos Presidentes causarem mais conflitos do que os primeiros. Antes de o executivo tomar posse, Marcelo recusou-se a receber Costa para a audiência de apresentação dos nomes que integravam o novo Governo porque já sabia “pela comunicação social“.

Já na tomada de posse do Governo, o Presidente da República deixou um aviso a Costa sobre a possível saída para um cargo europeu a meio do mandato.

“Agora que ganhou por quatro anos e meio, tenho a certeza que sabe que esse rosto que venceu dificilmente pode ser substituído por outra pessoa. É o preço das vitórias pessoais”, atentou Marcelo.

Estas tensões mais visíveis no segundo mandato dos Presidentes já se verificaram antes. Quando Cavaco Silva se fartou das críticas que Soares lhe fazia, disse uma frase que ficou para a história política:

Temos de ajudar o senhor Presidente a acabar o mandato com dignidade“. Um socialista repetiu-a ontem em entrevista ao Público, acrescentando que a situação começava a ser comparável.

  ZAP //

12 Comments

  1. Para show off, como há dias disse um Ministro relativamente a outros viajantes.
    Talvez leve algum F16 empacotado ou daqueles comprados nas lojas do chineses.
    Talvez agora vá bater palmas, o que não fez quando o Zellensky falou ao Parlamento Português!

  2. O Marcelo fala demais, sempre. O Costa vai lá fazer a revisão à sucata dos blindados e canhões que ofereceu para a guerra e se matarem mais depressa.

  3. Portugal é um País sue-generis o PR a gozar férias em Timor e o PM pela Europa e o Zé povinho que se governe.

  4. Os problemas não são as tricas banais das politiquices internas de Um Presidente da República que estava a contar ter um papel político determinante numa situação em que não houvesse maiorias políticas estáveis, como parecia que iria acontecer antes das eleições. O real problema ´é que estas declarações são irresponsavelmente comprometedoras da segurança para todos os que participarem na visita.

  5. O velho hábito de comentador, nunca lhe irá sair das veias. Qual menino amuado, que se antecipa para dar nas vistas. Não dá para entender estas atitudes, passando deliberadamente por cima do primeiro ministro.
    Seria muito mais útil, se falasse e contribuisse para a resolução dos muitos problemas que o país tem por resolver. Foi eleito directamente pelo povo, mas nunca fez, nem fará, nada por ele.
    Mais um viajante que se regala em passeatas à custa do sacrfício dos contribuintes, que são obrigados a viver como podem, porque sabem que não podem contar com estes políticos de uma fraqueza confrangedora.

  6. O outro deu a lista do governo para o mano divulgar na tv, este diz o dia em que o outro vai visitar o Kiev. Estão bem um para o outro.

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