O que Snowden fez foi “serviço público”, diz ex-procurador-geral dos EUA

Laura Poitras / Wikimedia

O ex-procurador-geral de Justiça norte-americano Eric Holder afirmou que “Snowden fez um favor à sociedade americana” com as suas revelações.

Eric Holder, que ocupou o cargo de 2009 a 2015, afirmou esta segunda-feira que Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA) fez “serviço público” ao revelar informação confidencial, levantando “uma onda de debate que levou às mudanças que foram feitas”.

“Podemos certamente discutir a forma como Snowden o fez, mas acho que, no fundo, fez um serviço público ao levantar uma onda de debate que levou às mudanças que foram feitas” após a revelação, disse Holder a David Axelrod, analista político do Instituto de Política da Universidade de Chicago.

Numa entrevista transmitida em podcast, o ex-procurador-geral sublinhou, no entanto, que o ex-agente da NSA deve ser julgado nos EUA por ter colocado em risco a segurança nacional dos EUA.

“Eu diria que fazer o que ele fez – e da maneira como o fez – foi inapropriado e ilegal. Prejudicou os interesses norte-americanos. Eu sei de certos agentes que foram colocados em risco, relações com outros países foram prejudicadas, a nossa capacidade de manter o povo norte-americano em segurança foi comprometida. O que fez não foi sem consequências”, ressaltou o advogado.

Eric Holder, o primeiro procurador-geral negro dos EUA e indicado para o cargo por Barack Obama, também acredita que Snowden, atualmente em exílio na Rússia, deveria voltar para o país e enfrentar um julgamento – mas que, para decidir uma sentença adequada para o ex-agente, o juiz responsável deveria ter em conta a “utilidade do debate nacional” que as ações de Snowden provocaram.

Snowden, por seu lado, ironizou as declarações de Holder. “2013: é traição; 2014: talvez não [tenha sido], mas foi inconsequente; 2015: tecnicamente, ainda foi ilegal; 2016: foi um serviço público, mas…; 2017:…”, escreveu no Twitter.

Em junho de 2013, Edward Snowden entregou aos jornais Washington Post e The Guardian uma série de documentos secretos sobre os programas de vigilância dos EUA e os serviços secretos do Reino Unido na Internet.

Segundo estes dados, os serviços secretos norte-americanos gravam não apenas potenciais terroristas e criminosos, mas também dirigentes de diferentes países.

Temendo represálias dos serviços secretos dos EUA, o americano fugiu para Hong Kong e, em seguida, para Moscovo, onde passou várias semanas na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, até que em agosto de 2013 recebeu asilo do governo russo.

O ex-agente da NSA tinha dito no início deste mês em videoconferência com o Instituto de Política da Universidade de Chicago que estaria disposto a regressar se recebesse um julgamento justo.

ZAP / SN

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