A 3.ª vaga está “a correr muito mal”. Costa diz que escolas não reabrem já (e que “ninguém proibiu” ensino online)

José Sena Goulão / Lusa

O primeiro-ministro António Costa esteve esta quarta-feira no programa “Circulatura do Quadrado”, da TVI24, onde falou sobre a evolução da pandemia em Portugal.

No programa “Circulatura do Quadrado”, na TVI24, moderado pelo jornalista Carlos Andrade, o primeiro-ministro António Costa assumiu que não acredita que as aulas presenciais possam ser retomadas em 15 dias face à evolução da pandemia em Portugal e adiantou que a alternativa será o ensino “online”.

“Não acredito que daqui a 15 dias se regresse ao ensino presencial”, declarou o líder do executivo, que também adiantou que o Governo não repetirá a medida que tomou na sexta-feira passada no sentido de decretar uma interrupção no ano letivo, com compensações nos períodos tradicionais de férias. “Por isso, devemos retomar o ensino online”.

No programa, o antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier criticou as posições assumidas pelo ministro da Educação a propósito da suspensão das aulas presenciais, mas Costa saiu em defesa de Tiago Brandão Rodrigues.

O ministro da Educação deixou um aviso aos colégios de que não há exceções à determinação, depois de a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo ter admitido não interromper as atividades letivas, recorrendo ao ensino à distância nos próximos 15 dias.

“Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”, defendeu o primeiro-ministro, recusando que o Executivo entre “numa discussão fantasma” e que haja “preconceitos” em relação ao ensino do setor privado.

Costa disse ainda que o que Brandão Rodrigues disse foi que “uma interrupção de 15 dias é fácil de compensar no calendário escolar”.

Além disso, Costa sublinhou que só com o fecho das escolas é que o país assimilou a ideia de confinamento.

Costa aponta o dedo à variante inglesa

No mesmo programa na TVI24, o primeiro-ministro admitiu que “nesta 3ª vaga as coisas estão claramente a correr muito mal, pelo crescimento exponencial dos casos”, e disse que a culpa é da “confluência entre uma nova variante inglesa e as regras do Natal”.

Sobre o Natal, Costa disse que, se tivesse “conhecimento atempado da existência da variante inglesa, o quadro de medidas do Natal teria sido diferente e as restrições de janeiro tinham entrado em vigor a 26 de dezembro”.

O primeiro-ministro admitiu que a situação ainda está para durar, uma vez que o país vai assistir a esta “tensão ainda por mais umas semanas seguramente”.

Portugal atingirá “o momento em que os novos casos por dia vão deixar de subir, a variação diária vai começar a baixar, e só depois disto começaremos a baixar o número de pessoas que precisam de internamento e só depois disso o número de óbitos por dia”.

“Não vale a pena alimentar a ilusão de que não estamos a enfrentar o pior momento e que vamos continuar a enfrentar durante mais umas semanas. Disso estou seguro”, sublinhou.

Questionado sobre a razão que o levou a hesitar em pedir o estado de emergência, Costa disse que achou que “mesmo sem estado de emergência as pessoas acatariam as restrições”, como aconteceu no início do primeiro confinamento.

Costa quer que 2º mandato de Marcelo “seja igual ao 1º”

O primeiro-ministro afirmou que espera que o segundo mandato do Presidente da República seja igual ao primeiro e defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um “voto de confiança na continuidade”.

“Espero que o segundo mandato seja igual ao primeiro. Aquilo que estas eleições traduziram foi claramente um apreço generalizado e transversal à sociedade portuguesa pela forma como Marcelo Rebelo de Sousa exerceu o seu primeiro mandato”, disse Costa.

António Costa considerou que “foi esse voto de confiança na continuidade que se traduziu no resultado eleitoral de domingo passado”.

De acordo com o primeiro-ministro, Marcelo tem mantido, até agora, uma “adequada relação institucional com o Governo“. “O Presidente da República nunca deixou de ser exigente com o Governo, seja nos bons momentos, como na saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, quer nos momentos difíceis, como nos incêndios de 2017 ou na atual pandemia de covid-19”, disse.

Maria Campos, ZAP //

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26 COMENTÁRIOS

  1. “Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”
    Este homem está doente. Só pode! Então o Ministro da Educação veio AFIRMAR CATEGORICAMENTE que os privados não poderiam desenvolver formação à distância de modo a não haver aqui beneficiados/prejudicados!!! Como as escolas públicas estavam efetivamente encerradas, as do privado estavam proibidas de desenvolver formação à distância, atendendo a que têm de respeitar as direções do Ministério da Educação. E até foi referido que não possuem autonomia administrativa como no caso dos estabelecimentos do ensino superior!!!
    Mas também foi o PM que disse aqui há uns dias que não fechava as escolas e depois fechou. Mas nesse momento afirmou que as escolas não eram um local de contágio mas um local onde podia haver contactos que facilitavam o contágio!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Este governo tem de se demitir. É um exagero de incompetência e mentiras! INACEITÁVEL!

    • Este governo quando existe alguma pressão, abre brecha por todo o lado. A sua incompetência fica logo evidente. Estão completamente à deriva. Não apliquem é a formula do ilusionismo político para nos tentar tapar olhos. Só tenho pena que a consciência política de muitos concidadãos ande tão por baixo e que não consigam vislumbrar tantas mentiras e vigarices, usadas sub-repticiamente por esta gorja governativa.

      • Costa foi gozado nitidamente pelo ministro da Educação e só quando se apercebeu é que tomou uma posição de força e desautorizou-o. Isto só demonstra que o governo está em pedaços.

  2. Eh! eh! eh! Só dá vontade de rir para não chorar. Será que os ministros falam entre eles e com o 1º ministro?
    Começo a ter dúvidas. O desgoverno deste governo é mesmo estrutural. Pobre Portugal

  3. Este é o exemplo que o nosso líder dá. Faltar à verdade descaradamente. Tristeza e vergonha de ser uma professora portuguesa. Alguém faça alguma coisa…

    • Faltar à verdade como o anda a fazer a desavergonhada ministra da Justiça. Isto pertence ao ADN destes trauliteiros. Já não têm um pingo de vergonha.

  4. Costa não pode alijar culpas com a variante inglesa da covid-19. A variante é conhecida desde setembro em inglaterra e antes do Natal já era clara a sua contiagiosidade (https://www.publico.pt/2020/12/21/ciencia/noticia/sabe-variante-coronavirus-encontrada-inglaterra-1943776). Mas se a questão ainda poderia colocar-se no Natal é incompreensível a razão por que não se confinou, pelo menos nos termos que estamos a fazer agora, a partir do dia 1 de janeiro ou de dia 4, que foi a data de regresso às aulas?

  5. Realmente não pode estar bem, eu ouvi o ministro da educação e foi bastante claro, deve de ter ficado com lapsos de memoria desde que ficou em quarentena, nunca deveria de ter sido 1º ministro em 2015, até pelo passado governativo que já trazia de trás. Vamos no 6º ano de faz de conta e o preço que vamos pagar , mais uma vez, vai ser muito alto.

  6. Este homem está doido.
    Por mais que se puxe pela cabeça não dá para entender como é possível uma pessoa assim ser o chefe de um governo.
    Mente com o maior dos descaramentos a fazer de nós parvos. E, se calhar, tem razão, somos mesmo parvos

  7. É o homem que afirmava no ano passado que, haja o que houver, estaremos preparados no início do próximo ano escolar para que todos possam aceder ao ensino à distãncia. Computadores para todos, ligações à internet é o que se quiser.
    Alguém que o interne.

  8. Este gajo deveria sentir-se envergonhado de tal afirmação. Fui eu que abri as portas no Natal? Quem tudo quer, tudo perde, em termos de economia. A ganância era grande e redundou neste desastre.

  9. No que respeita ao encerramento das escolas desde o início que foi equiparado a “interrupção das atividades letivas”. Se assim é, teria de ser uma medida universal, uma vez que mexe com o calendário escolar. Portanto, é uma consequência lógica que as atividades letivas durante esse período não pudessem prosseguir, no público e no privado. Não é nada de novo: é o que acontece nas Férias do Natal e nas Férias da Páscoa. O que terá acontecido foi uma deficiente transmissão da informação ou da receção da informação ou as duas coisas ao mesmo tempo. Aqui talvez Costa tenha razão, mas com o ziguezagueamento das medidas, a mensagem terá ficado turva, como tem acontecido outras vezes com outro tipo de medidas.

  10. Ó sr. PM, mais uma vez foi apanhado desprevenido, primeiro não se apercebeu que vinha a segunda vaga, e depois não sabia da variante inglesa em Portugal, o sr. não andará demasiado distraído com a UE?
    Se me permite um conselho, como o sr. tem o maior governo de sempre, não sei como cabem em S. Bento, arranje alguns assessores, mande-os ler jornais, ouvir os técnicos, os médicos, enfim os que sabem do que falam.

  11. Devo dizer que a terceira vaga está a correr muito bem. O vírus farta-se de se reproduzir! Ainda queriam uma terceira vaga melhor?! Em breve o buraco do SNS estará tapado. Em breve o CNP terá um saldo positivo. Não havará a quem pagar as pensões, estarão todos mortos.

  12. 1º Confinamento!
    -Nó os Portugueses pensámos o pior, uns com medo outros por responsabilidade, antes do governo declarar estado de emergência,fechámos-nos em casa, apenas não cumpriam as minorias.
    De todos os quadrantes choveram elogios ao sucesso do governo ás medidas implementadas para lidar com a situação, elogios da comunicação social, PR e até países incluindo os EUA!
    Neste caso sim, um verdadeiro aproveitamento político para elogiar um sucesso que nada teve a ver com as medidas do Governo, mas sim com a atitude dos Portugueses.

    Hoje quando estamos a ter o pior desempenho a nível mundial, o Governo fica chocado e diz ser aproveitamento político quando a oposição afirma que não foram tomadas as medidas necessárias, ou tomadas medidas muito tarde , para lidar com esta nova vaga, onde o governo contrariou todas as recomendações de, praticamente todos os sectores nomeadamente Professores e Profissionais de saúde.
    No Natal e passagem de Ano, actitude completamente ao contrário da maioria dos países com o resultado que está à vista.
    Nã é aproveitamento politico é infelismente a realidade.

    Vamos acabar por fechar tudo menos o futebol, (com a quantidade de testes que se fazem é o sector onde aparecem mais infetados) é sem duvida um dos maiores focos de contágio!
    Para a Comunicação Social, não interessa parar o futebol, já que necessitam daqueles programas muito interessantes que quase todos os canais passam à noite, em que se debate se foi penálti, falta, fora de jogo se agarrou não agarrou, se vem determinado jogador ou não, por vezes um Mês a falar no mesmo e nalguns casos nem são casos, como o caso Cavanni, etc…

    Também não vamos parar a construção, onde trabalham muitas pessoas ilegais sem contratos, outros a recibos verdes que quando dão positivo, não dizem onde estão a trabalhar, sector que movimenta muitos milhões praticamente imune à fiscalização.

    Muita saude para todos.

  13. O Covid comprou um fato novo para nada. Neste momento, anda por aí escondido, a ver as galinhas na rua.

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