O colesterol “alimenta” o cancro da mama

National Cancer Institute / Wikimedia

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Um estudo feito por cientistas nos Estados Unidos afirma que um subproduto do colesterol pode ajudar o cancro da mama a crescer e espalhar-se pelo corpo.

A investigação sugere que o uso de medicamentos que diminuem o nível de colesterol – as chamadas estatinas – pode prevenir tumores.

O trabalho, que foi publicado na revista Science, ajuda a explicar por que a obesidade é um dos principais factores de risco da doença.

No entanto, organizações que trabalham na consciencialização e combate ao cancro da mama alertaram que ainda é muito cedo para recomendar o uso de estatinas na prevenção de tumores.

 

A obesidade já é considerada um factor de risco em diversos outros tipos de cancro, como os da mama, intestino e útero.

A gordura em pessoas acima do peso aconselhável faz com que o corpo produza mais hormonas como o estrogénio, que pode facilitar a disseminação de tumores.

O colesterol é “partido” pelo corpo num subproduto chamado 27HC, que tem o mesmo efeito do estrogénio. Pesquisas feitas com ratos por cientistas do Duke University Medical Centre, nos Estados Unidos, demonstraram que dietas ricas em colesterol e gordura aumentaram os níveis de 27HC no sangue, provocando tumores 30% maiores, comparados a animais que estavam com uma alimentação regular.

Nos ratos com dieta rica em gordura, os tumores também se espalharam com maior frequência. Testes feitos com tecidos humanos contaminados com cancro da mama também cresceram mais rapidamente quando injetados com 27HC.

“Vários estudos mostraram uma ligação entre a obesidade e cancro da mama, e mais especificamente, que o elevado colesterol está associado ao risco de cancro de mama, mas nenhum mecanismo foi identificado”, afirma à BBC o investigador Donald McDonnell, que liderou o estudo.

“O que encontrámos agora foi uma molécula, não o próprio colesterol, mas um subproduto abundante do colesterol, chamado 27HC, que imita o estrogénio e consegue de forma independente provocar o crescimento do câncer de mama.”

 

As estatinas já são usadas hoje em dia por milhões de pessoas para combater doenças cardíacas. Agora há estudos que sugerem que elas podem ajudar na prevenção ou combate ao cancro.

Mas diversas instituições que lidam com a saúde feminina não recomendam que as mulheres passem a tomar estatina por esse motivo.

“Até agora as pesquisas que relacionam níveis de colesterol, uso de estatina e risco de cancro da mama ainda são inconclusivas”, diz Hannah Bridges, porta-voz da Breakthrough Breast Cancer, entidade britânica de combate ao cancro da mama.

“Os resultados deste estudo inicial são promissores e se confirmados através de mais pesquisas podem aumentar a nossa compreensão sobre o que faz com que alguns tipos de cancro de mama se desenvolvam.”

Emma Smith, porta-voz de outra instituição, a Cancer Research UK, também afirma que ainda é “cedo demais” para que as mulheres passem a tomar estatina.

As duas entidades dizem que o colesterol pode ser combatido por meios alternativos ao uso de estatinas – por exemplo, através de uma dieta mais saudável e de exercícios regulares.

ZAP / BBC

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