O animal mais veloz do mundo vive em África mas veio da América do Norte

arnolouise / Flickr

Acinonyx jubatus, ou chita afcana - o animal mais veloz à face da Terra

Acinonyx jubatus, ou chita afcana – o animal mais veloz à face da Terra

A chita, o animal terrestre mais veloz do mundo, terá afinal origem na América do Norte, de onde migrou para África – e onde ficou isolado, concluiu um estudo publicado esta semana na Genome Biology.

A chita, ou Acinonyx jubatus, considerada o animal terrestre mais veloz à face do planeta, é um icónico felídeo predador, normalmente visto nas planícies do continente africano a correr atrás de presas, a velocidades que podem ultrapassar os 100 km por hora.

Mas apesar de aparecer em inúmeros documentários da vida selvagem sobre África, parece que a chita não é afinal uma espécie originalmente africana.

Uma nova investigação, publicada na prestigiada revista científica Genome Biology, descobriu que a chita migrou na realidade desde a América do Norte, há cerca de 100 mil anos atrás, durante a última Idade do Gelo – tendo ficado em África, separada das suas origens, após a fusão do gelo.

O estudo foi desenvolvido por um consórcio internacional com 35 cientistas de 10 países, liderado por Stephen J. O’Brien, do Centro Oceanográfico da Universidade Nova Southeastern, na Florida, EUA.

Do consórcio fez parte Agostinho Antunes, investigador do CIIMAR, Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, laboratório associado da Universidade do Porto.

O geneticista, que fez também parte da equipa internacional de cientistas que há um ano revelou o “big bang” da evolução das aves, partilhou agora as principais conclusões do estudo sobre a inesperada origem da chita africana.

A consanguinidade levada ao extremo

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O biólogo e geneticista Agostinho Antunes, licenciado na FCUP e doutorado em Biologia na área da Genética Molecular e Evolução, é investigador no CIIMAR, laboratório associado da UP

O biólogo e geneticista Agostinho Antunes, licenciado na FCUP e doutorado em Genética Molecular e Evolução, é investigador no CIIMAR, laboratório associado da UP

Para efeito do estudo, explica Agostinho Antunes, os investigadores sequenciaram, montaram e compararam o genoma de Chewbaaka, um macho chita da Namíbia, e outros seis chitas selvagens da Tanzânia e Namíbia.

A chita habita partes da África Oriental e Austral, mas é uma espécie altamente ameaçada, com populações reduzidas.

O estudo do seu genoma permitiu uma visão mais aprofundada da história evolutiva desta espécie e da dimensão do empobrecimento genómico da chita.

Este empobrecimento é responsável por uma elevada mortalidade juvenil, anomalias extremas no desenvolvimento do esperma e aumento da vulnerabilidade a surtos de doenças infecciosas.

Um total de 18 genes na chita revelaram mutações prejudiciais, nomeadamente o gene AKAP4, exibindo um grande número de mutações que podem prejudicar o desenvolvimento do esperma, explicando porque as chitas têm uma grande proporção de esperma defeituoso, e, portanto, baixo sucesso reprodutivo.

Este icónico predador africano, parente próximo do puma norte-americano, efectuou uma jornada épica através de uma ponte terrestre para a Ásia e, em seguida, viajou para o sul da África.

A migração levou a uma elevada diminuição das populações de chita, causando uma redução drástica do sua herança genética devido a cruzamentos consanguíneos.

A espécie sofreu dois estrangulamentos populacionais – um evento em que a população é rapidamente reduzida devido a factores ambientais.

O primeiro destes eventos ocorreu há 100.000 anos atrás, no final do Pleistoceno – período geológico caracterizado por glaciações repetidas, altura em que as chitas começaram a migração em direcção à Ásia através da ponte terrestre pelo estreito de Bering e, em seguida, viajaram para o sul da África.

Esta migração foi marcada por uma perda de população e fluxo genético limitado devido aos grandes limites territoriais dos indivíduos desta espécie, aumentando assim o acasalamento incestuoso.

O segundo estrangulamento populacional ocorreu há 10.000-12.000 anos atrás, levando ainda a uma maior perda de variabilidade genética observado nas chitas modernas.

Isto explica porque as chitas desapareceram da América do Norte, devido ao último recuo glacial ter causado uma extinção abrupta de grandes mamíferos, incluindo chitas e pumas, na América do Norte.

As chitas aceitam enxertos de pele de chitas não relacionadas – como se fossem clones idênticos. A análise do seu genoma sugere que este fenómeno é, em parte, devido à perda de alguns genes relacionados com o sistema imunitário e à dramática perda de diversidade genética.

A variação é tão limitada que é muito inferior ao observado em cães e gatos consanguíneos: os testes realizados mostram que a chita perdeu 90-99% da variação genética tipicamente observada em mamíferos saudáveis.

Mas aparentemente, isso não a impede de continuar a ser o animal mais veloz à face da Terra – ou o segundo, se considerarmos uma certa espécie de ácaro.

ZAP

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