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Novo comité central do PCP eleito com 98,5%

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José Sena Goulão / Lusa

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa

O novo comité central do PCP foi este domingo eleito no XXI congresso nacional dos comunistas, em Loures, com 98,5% dos votos.

Dos 611 delegados, 602 votaram a favor, seis abstiveram-se e três votaram contra na eleição que decorreu à porta fechada, no pavilhão Paz e Amizade, em Loures, Lisboa, anunciou Luísa Araújo, membro do secretariado do PCP, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas.

A lista, proposta pelo anterior comité central, é composta por 129 nomes, 19 deles estreantes, registando-se a saída de 33 membros, entre eles Carlos Carvalhas, Arménio Carlos e Agostinho Lopes.

Segundo Luísa Araújo, a composição “corresponde às características do PCP, é composto por uma maioria de operários e empregados, mais de 67%” e há também “uma forte componente de operários, 44,9%”. Há quatro anos, o comité central do foi eleito com 98,67% dos votos.

À noite, o novo comité central vai eleger o secretário-geral e os órgãos executivos – secretariado e comissão política – mas a organização do congresso só planeia anunciar os resultados no domingo de manhã.

Jerónimo de Sousa, 73 anos, líder dos comunistas há 16 anos, desde 2004, deverá ser reeleito para mais um mandato de quatro anos.

Domingo é o terceiro e último dia do congresso em que serão anunciados os resultados das eleições, é votada a proposta de resolução política, ou teses. O congresso termina com o discurso do secretário-geral dos comunistas.

PCP nunca será o primeiro “violino de orquestra dirigida por sociais-democratas”

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, afirmou que a opção pela abstenção ao Orçamento de 2021 foi tomada com “total liberdade“, mas advertiu que o seu partido nunca será primeiro violino de uma orquestra dirigida por sociais-democratas.

Estas posições foram transmitidas por João Oliveira na tarde do segundo de três dias do XXI Congresso do PCP em Loures, distrito de Lisboa.

Um discurso em que o líder parlamentar defendeu que a estratégia dos comunistas definida há quatro anos se revelou acertada e em que considerou que o seu partido alcançou em negociações com os governos minoritários do PS “melhorias das condições de vida que ficarão para a história e que são uma espinha atravessada na garganta do grande capital”.

Na parte final de uma intervenção com cerca de dez minutos, o líder parlamentar do PCP procurou deixar duas garantias de ordem política sobre o rumo futuro da sua força política: “Não seremos interpretes ou executantes de nenhuma melodia escrita pelo capital e seus representantes reacionários, nem seremos o primeiro violino de uma orquestra dirigida por sociais-democratas”.

Perante os delegados comunistas, João Oliveira procurou sobretudo justificar as razões que levaram o PCP a viabilizar através da abstenção a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2021.

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O líder parlamentar comunista apresentou então algumas das medidas que a sua bancada conseguiu introduzir na versão final da proposta de Orçamento, destacando matérias como os investimentos no Serviço Nacional de Saúde, a contratação de profissionais para as forças de segurança e para a educação, aumentos das pensões mais baixas, o lay-off a 100%, os subsídios de desemprego e de risco, entre outras.

E deixou a entender que ainda faltará cumprir pelo executivo outras matérias extra-orçamento.

“Continuamos a lutar por um aumento do salário mínimo nacional maior do que aquele que o Governo anunciou [659 euros], para que sejam revogadas as normas gravosas da legislação laboral e se avance para um aumento geral dos salários, incluindo a administração pública”, apontou.

Depois de ter reivindicado estes “avanços” no OE, João Oliveira procurou assegurar que a bancada comunista, no plano político, “agiu com total liberdade e independência, distanciando-se das opções que o Governo assumiu, mas não desperdiçando o que a luta dos trabalhadores e a intervenção do PCP permitiram que se alcançasse”.

Não falta quem queira limitar e condicionar a liberdade e independência do PCP, uns procurando que o partido lhes sirva de instrumento na estratégia para retomar ainda com mais força a política de exploração e empobrecimento interrompida em 2015; outros procurando condicionar o PCP na denúncia das opções da política de direita que comprometem o futuro do país”, declarou o presidente do Grupo Parlamentar comunista.

  ZAP // Lusa

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