Nova ponte que vai ligar Porto e Gaia custa 21 milhões e terá oito acessos

A obra da nova ponte rodoviária sobre o Douro custará 21 milhões de euros, oito dos quais em acessos, e o projeto de conceção e construção será lançado “muito em breve”, disse o autarca de Vila Nova de Gaia.

Em declarações aos jornalistas, no final da reunião camarária que decorreu esta tarde, Eduardo Vítor Rodrigues esclareceu que a ponte, enquanto obra de arte, custará cerca de 13 milhões de euros, mais um milhão face ao inicialmente anunciado, enquanto a Gaia os acessos custarão cinco milhões e ao Porto três.

“É mais um milhão por causa da cota. A APA [Agência Portuguesa do Ambiente] insistiu na questão do leito de cheia (…). O concurso é lançado muito em breve”, revelou o autarca.

Já antes, no período de discussão da reunião e perante perguntas dos vereadores do PSD, Eduardo Vítor Rodrigues referiu que a criação de um agrupamento de entidades adjudicantes que junta a Câmara de Gaia e a do Porto, está representada pela empresa municipal que representa GO Porto – Gestão e Obras do Porto, “salvaguarda em princípio as condições para, num prazo relativamente, o lançamento do concurso ser uma realidade”.

Em causa está o projeto da nova travessia sobre o Douro entre Campanhã (Porto) e o Areinho de Oliveira do Douro (Gaia), batizada como Ponte D. António Francisco dos Santos, anunciado em abril de 2018 com a previsão de conclusão em 2022.



O executivo camarário de Vila Nova de Gaia aprovou, com duas abstenções do PSD, a proposta que permite a criação do agrupamento de entidades adjudicantes.

De acordo com a proposta, a este agrupamento caberá avançar com o contrato de empreitada relativo à conceção e construção da Ponte D. António Francisco dos Santos, o contrato de prestação de serviços a celebrar com os membros do júri, o contrato de revisão e assessoria no contrato da qualidade do projeto, bem como o contrato de fiscalização da empreitada.

Sem indicar valores, o documento descreve que à GO Porto caberá pagar 100% do valor da unidade construção do acesso Norte e 50% do valor de construção da ponte sobre o rio.

a Câmara de Gaia paga 50% da construção sobre o rio, 100% da unidade de construção da ponte sobre o terreno e 100% da construção do acesso Sul.

Traduzindo estas percentagens para a prática, Gaia pagará 60% do custo total de obra e o Porto 40%.

A este propósito, o vereador social-democrata Cancela Moura questionou o porquê da proposta imputar mais custos a Vila Nova de Gaia do que ao Porto, algo que o presidente socialista rebateu, justificando que os custos a mais se referem a acessos e não à ponte em si.

“Os acessos no Porto ficam mais baratos porque a cota de acesso em Gaia é superior. A ponte quando acaba, em Gaia, continua a sair em viaduto. É essa parte que estamos a pagar a 100% [construção sobre o terreno]. Em Gaia, a ponte causaria problemas sérios de declive se o tabuleiro acabasse num beco, o que aconteceria se o projeto não incluísse uma reformulação urbana”, descreveu Eduardo Vítor Rodrigues.

Mas estes argumentos não convenceram a vereação PSD que considerou estar em causa “uma travessia cuja utilidade prática beneficia os dois municípios”.

“Receio de que Vila Nova de Gaia esteja a ser prejudicada (…). A APA obrigou a aumentar a cota, portanto Gaia não tem culpa (…). Não acompanhamos, não por estarmos contra a travessia, mas por acharmos que o Porto deveria acompanhar os prejuízos de Gaia”, referiu Cancela Moura.

Quando foi anunciada, a ponte tinha um custo estimado de 12 milhões de euros, integralmente assumidos pelos dois municípios, em partes iguais.

Em novembro de 2019, numa sessão da Assembleia Municipal do Porto, o presidente daquela autarquia, Rui Moreira, avançou que a nova travessia iria custar 26,5 milhões de euros, valor que inclui os acessos.

Sobre a fórmula de concurso e meios de financiamento, a 11 de fevereiro, o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, disse à Lusa que a construção de uma nova ponte entre o Porto e Gaia faz ainda mais sentido num contexto em que há outras formas de financiamento, como é a “bazuca europeia”.

“Assumimos fazê-lo com o nosso próprio orçamento e agora temos outras fontes de financiamento que não tínhamos na altura. Portanto, até do ponto de vista da viabilidade económica fará sentido”, disse.

Lusa // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Mais uma ponte no norte sem os utentes pagarem portagem, quando todas as pontes no sul se paga portagem.
    É o país que temos, uns são de primeira outros de segunda.

  2. Quanto ao nome a dar à nova ponte que nem sei de quem se trata, (deve ser alguém do clérigo), parece-me um exagero sobretudo pela extensão do nome que, na prática, quanto a mim, acabará por ficar a ponte sem nome, muito mais prático; quanto à cota, pergunto se não será demasiado baixa do lado do Porto para dar passagem a barcos cada vez maiores na exploração do turismo no Douro.

  3. Tanta coisa para se fazer em muitas cidades do país e vai-se fazer mais uma ponte ao lado de duas que já existem?!!! Se a ponte vai ligar a Campanhã, então já lá estão duas. Para quê mais uma, sobretudo admitindo que muitas outras do país nada têm.

    • Acho que nunca foste ao Porto ou nunca passas-te ali na marginal!!! Se fosses do Porto saberias o quanto faz falta uma ponte ali. Apenas para investigares… será uma ponte para acesso entre as duas cidades, as outras desembocam em locais pouco acessíveis ao centro das cidades… e turisticamente falando é uma excelente aposta.

      • Para começar, assino como Gajo de Alfama mas vou ao Porto todas as semanas. De resto, tenho casa no Porto, na zona das Antas. Sei que uma ponte a mais dá sempre jeito. E se pensamos apenas na marginal, de facto não existem muitas alternativas rápidas. Mas também não nos podemos esquecer que a Ponto do Infante sai praticamente a 500 metros da Rua Passos Manuel e ,do lado de Gaia, a aproximadamente 600 metros do Jardim do Morro! Do lado ocidental tens a ponte da Arrábida e do lado Oriental a do Freixo, distanciadas por menos de 5 kms! Pelo meio ainda tens a D. Luís (metro no tabuleito superior e carros no tabuleiro inferior). Podem fazer uma ponte de 100 em 100 metros mas penso que o país tem muitas outras urgências.
        A questão central na utilização de dinheiros públicos é a hierarquização das necessidades.
        Por esse país há muitas coisas mais prioritárias do que essa ponte. Viseu não tem comboio! Leiria idem (tem a linha do Oeste, motorizada e por eletrificar que simplesmente não funciona, sobretudo se pensamos que Caldas da Rainha é atualmente dormitório de Lisboa). Coimbra não tem metro (destruiram a antiga linha férrea há mais de 10 anos e agora as populações da Lousã, Miranda,… têm de ir de carro trabalhar!!!). A Guarda não tem nada. Évora nem um cinema digno desse nome tinha há meia dúzia de anos (obviamente que isso compete aos privados e não ao poder público). Coimbra e Viseu estão ligados por uma estrada da morte. Portalegre… bem de Portalegre nem vale a pena falar. Penso que deverão estar algures ainda no século XVIII.
        Muitos parques empresariais por esse país nem velocidade de internet digna possuem!!! Nem acessos rodoviários. Há vastíssimas zonas do território que nem saneamento básico possuem em pleno século XXI !!!!!!
        No campo da educação temos escolas por climatizar e nalgumas até dentro das salas chove. Nos hospitais, todos sabemos como estamos de meios. A polícia nem viaturas tem para perseguir os criminosos. A justiça tem instalações nalguns casos deploráveis onde até chuva cai em cima de processos arquivados, para além da total falta de condições de trabalho na esmagadora maioria dos tribunais portugueses.
        Muitos mais exemplos poderiam ser dados.
        É tudo uma questão de prioridades e, insisto, há coisas bem mais importantes e urgentes no país do que mais uma ponte entre Porto e Gaia.
        Podes afirmar: mas a nova ponte vai dar muito jeito. Não digo que não, mas vejo muitas outras utilizações possívei para esse dinheiro.

        PS: Já agora não é “passas-te” mas sim “passaste”.

  4. Lisboetas com calor na parte de trás…coitadinhos.

    Só quem não conhece a realidade do porto e Gaia diz tanta coisa sem nexo.

    Lisboa só tem o q merece pois só tem políticos corruptos, o Porto por acaso tem alguns também mas não tanto, daí haver dinheiro para tanta “folga” e não há era pagamento de portagens ou seja lá do q for.

    Enfim, alfaces com sal a mais…coitadas das buchas.

  5. Mas se quem paga a ponte são as Câmaras municipais de Porto e Gaia, querem que a obra seja feita em Lisboa, Viseu ou onde afinal? Vá, escolham lá, não se acanhem… Já agora poderia haver um aviso na caixa de comentários “Se beber não comente”

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