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No Dubai, a dança da chuva faz-se com drones

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Dispositivos são lançados para o céu através de uma catapulta para depois atingirem as nuvens com descargas elétricas, o que faz com que estas se agrupem. Como resultado, maiores gotas de chuva caíram no solo em vez de se evaporarem, algo que é frequente acontecer com as gotas mais pequenas.

Devido à sua geolocalização, o Dubai, situado nos Emirados Árabes Unidos, enfrenta um problema meteorológico grave: a falta de precipitação que tem um impacto direto (e forte) na gestão dos recursos hídricos do país que usa cerca de quatro mil milhões de água por ano — dos quais apenas 4% provêem de fontes renováveis.

Agora, as autoridades do emirado estão a testar novas formas para solucionar o problema. Esta semana, foi divulgado um vídeo pelas entidades responsáveis pelas previsões meteorológicas em que se vê a queda de um dilúvio sobre uma estrada do país.

No entanto, na origem da chuva não está o natural processo que todos conhecemos. Cientistas contratados pelo governo conseguiram “fazer chover” através do lançamento de drones, que atingiram as nuvens com descargas elétricas, o que fez com que estas se agrupassem, noticia o The Independent.

Como resultado, maiores gotas de chuva caíram no solo em vez de se evaporarem, algo que é frequente acontecer com as gotas mais pequenas que se formam naquele território devido às altas temperaturas — as temperaturas atingiram recentemente os 50 graus Celsius e os dias de chuva anuais são apenas alguns.

Segundo Keri Nicoll, investigadora e meteorologista envolvida no projeto, o que está a ser feito é “tornar as gotículas que se encontram dentro das nuvens grandes o suficiente para que, quando caírem da nuvem, sobrevivam até chegarem à superfície” — explicou, em Maio, à CNN, quando a equipa que se preparava para iniciar os testes.

Em 2017, Keri Nicoll e outros investigadores da Universidade de Reading, em Inglaterra, receberam 1,5 milhões de dólares — cerca de 1,27 milhões de euros — para se dedicarem, ao longo de três anos, ao Programa de Pesquisa dos Emirados Árabes Unidos para a Ciência de Intensificação da Chuva, o qual financiou cerca de nove projectos de investigação ao longo dos últimos cinco anos.

Para testar a hipótese, os investigadores construíram quatro drones com uma estrutura de 198 centímetros. Os aparelhos foram depois lançados de uma catapulta. Durante os voos, que podem durar até 40 minutos, os sensores dos drones monitorizam a temperatura, a humidade e a carga elétrica de uma nuvem, permitindo aos investigadores saber onde e quando devem iniciar o processo, descreve o Público.

Esta experiência é apenas uma das muitas tentativas dos Emirados Árabes Unidos em expandir os recursos hídricos ao seu dispor — algumas conseguem mesmo desafiar os limites da criatividade humana.

O país tem-se tornado uma referência no desenvolvimento de tecnologias de dessalinização, processo que transforma a água salgada em água doce, o que permitiu diminuir a lacuna entre a procura e o abastecimento de água. A vasta maioria da água potável existente nos Emirados Árabes Unidos, assim como 42% de toda a água usada no país, provêm das cerca de 70 centrais de dessalinização existentes naquele território.

O problema da falta de água nos Emirados Árabes Unidos é especialmente grave se considerarmos que a sua população aumentou drasticamente ao longo dos últimos anos, duplicando para 8,3 milhões entre 2005 e 2010. Na década seguinte, o número aumentou para 9,9 milhões.

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Maarten Ambaum, meteorologista e professor da Universidade de Reading, disse à BBC News que “o lençol freático está a afundar drasticamente nos Emirados Árabes Unidos, pelo que o objetivo deste projeto é tentar ajudar com as chuvas”.

Uma outra ideia que já foi considerada pelas autoridades governamentais para aumentar as reservas de água do país seria a construção de um canal que ligaria os Emirados ao Paquistão ou aos icebergs do Ártico.

  ARM, ZAP //

3 Comments

  1. As mudanças climáticas estão aí porque andam a brincar com a Natureza depois deitam a culpa nela, A Energia Eólica pode estar a contribuir para uma mudança de direcção dos ventos e até do planeta saindo da rota, uma coisa é uma ventoinha, outra é os milhões que estão por todo planeta.

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