Neto, o internacional brasileiro que não se importa de ser suplente

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Guarda-redes chegou à Europa há quase 11 anos e ficou sentado no banco na maioria das épocas. Na selecção brasileira o período de espera foi ainda maior.

O Barcelona é provavelmente o clube estrangeiro mais comentado por cá. À instabilidade financeira e desportiva juntou-se a presença no grupo do Benfica na Liga dos Campeões (e a derrota surpreendente por 3-0), a saída de Ronald Koeman, o regresso de Xavi, os feitos de Alexia e Pedri na Bola de Ouro e as contas que se avizinham com o Bayern Munique que envolvem também o Benfica.

No meio de tanta coisa, reparamos num caso chamado Neto.

Norberto Murara Neto nasceu em Minas Gerais há 32 anos. Começou a jogar futebol por lá, no Cruzeiro, mas aos 14 anos mudou-se para o Paraná, mais concretamente para Curitiba, para jogar pelo Club Athletico Paranaense.

Em 2009, perto de completar 20 anos, integrou o plantel principal. Começou por ser suplente – normal – mas quando o titular Galatto saiu para o Málaga, passou a ser o dono da baliza. Destacou-se rapidamente no Brasil e foi chamado à selecção principal brasileira logo nessa época, em 2010, embora não tenha jogado (já lá vamos).

Voltando ao Athletico Paranaense, quando se estreou no Brasileirão, foi…expulso. Neto estava a mostrar o seu nível nos meses anteriores mas viu o cartão vermelho contra o Corinthians de Ronaldo, ao ter cometido falta sobre Dentinho quando o adversário seguia isolado para marcar um golo.

Não ficou durante muito tempo no Athletico. No início de 2011, no mercado de inverno, foi contratado pela Fiorentina. E aí começou a confirmar o seu estatuto de suplente.

Na primeira (meia) época viu Artur Boruc ser o titular mais frequente, com Sébastien Frey como segunda opção. Nunca jogou. Na segunda temporada Boruc tomou mesmo conta da baliza mas deu espaço ao brasileiro, que jogou quatro vezes.

O polaco saiu em 2012, no final dessa segunda época, mas os responsáveis da Fiorentina ainda não confiavam em Neto: receberam Emiliano Viviano por empréstimo e foi o italiano que passou a ser titular.

Até que Neto, em 2013/14, de raramente utilizado passou a ser o futebolista com mais minutos em campo no plantel da Fiorentina. Titular indiscutível, quer nessa época, quer na época seguinte.

Regressou à selecção brasileira e foi contratado pela Juventus no Verão de 2015. Mas em Turim morava Gianluigi Buffon. Neto só entrou em campo oito vezes na primeira época e 14 vezes no segundo percurso.

Nova mudança de clube, para o Valência. E em Espanha brilhou: titular habitual logo na época de estreia, repetindo e até reforçando esse estatuto em 2018/19.

Em Junho de 2019, uma troca entre Valência e Barcelona: Jasper Cillessen deixou a Catalunha para reforçar o Valência e Neto seguiu para Camp Nou, onde ainda está – mas sempre como suplente. Foram cinco jogos realizados na primeira época, 12 na temporada passada e dois na presente campanha (não entra em campo desde Agosto). Sempre atrás de Marc-André Ter Stegen.

Resumo: em quase 11 anos ao serviço de clubes europeus, Neto foi titular habitual em quatro épocas; duas na Fiorentina e duas em Valência.

Paciência na selecção

Mas o guardião de 32 anos, como referimos, é internacional brasileiro. E mesmo na selecção brasileira ficou muito (mesmo muito) tempo à espera para jogar.

A primeira vez que foi chamado para a selecção foi em 2010. Mas a primeira vez que jogou foi em 2018. Pelo meio passaram oito anos e 24 jogos. Neto esteve sentado no banco da selecção em 24 compromissos e nunca saltou para o relvado. Até que se estreou, num amigável diante de El Salvador.

Entretanto representou a selecção sub-23 nos Jogos Olímpicos de Londres (porque Rafael Cabral lesionou-se) e foi convocado para a Copa América 2015 (porque Diego Alves lesionou-se), embora não tenha jogado nesse torneio.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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