Netanyahu alerta para aumento do antissemitismo e fala do cartoon de António

Abir Sultan / EPA

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, denunciou nesta quarta-feira o aumento do anti-semitismo no mundo e deu como um dos exemplos o cartoon do autor português António.

“Vivemos um paradoxo, admiração por todo o mundo para com o Estado judeu, acompanhada em alguns círculos por um aumento do anti-semitismo”, disse. “A extrema esquerda e a extrema direita só concordam num ponto: o ódio aos judeus”.

Numa cerimónia na véspera das comemorações consagradas em Israel à memoria do Holocausto, o primeiro-ministro exemplificou o ódio com um ataque que fez um morto numa sinagoga na Califórnia e com o cartoon, publicado no jornal New York Times.

O desenho do autor português, representando o Presidente dos Estados Unidos como se fosse cego e com um quipá na cabeça, sendo guiado por um cão com a cara de Netanyahu, foi publicado no jornal e depois retirado, com um pedido de desculpas. O cartonista negou que o desenho tivesse qualquer pendor anti-semita.

A polémica, que escalou no 25 de abril aquando a publicação do cartoon, continua a dar que falar. Esta terça-feira, o NYT voltou ao tema e, através de um editorial, explicou como é que a imagem foi parar ao jornal. “O desenho foi escolhido através de um serviço de distribuição por um editor que não reconheceu o seu antissemitismo”, pode ler-se.

Quando foi publicado, explica a mesma publicação, percebeu-se a “evidência de um profundo perigo — não apenas de antissemitismo mas também da dormência face ao seu aparecimento, da maneira subtil como este antigo e duradouro preconceito é mais uma vez trabalhado para chegar à visão pública e conversa comum”.

“As imagens antissemitas são particularmente perigosas agora (…) Durante décadas, a maioria dos judeus americanos sentia-se segura para praticar a sua religião, mas agora passam por detetores de metais para entrar em sinagogas e escolas”.

O NYT escreve ainda que o facto de ter ficado em silêncio entre 1930 e 1940, quando “o antissemitismo se ergueu e banhou o mundo de sangue”, é um “fracasso que ainda assombra este jornal”. “As desculpas são importantes, mas a obrigação mais profunda do The Times é concentrar-se em liderar o jornalismo sem pestanejar e a clara expressão editorial dos seus valore”, frisa.

“Nos últimos anos, a sociedade tem mostrado sinais saudáveis ​​de maior sensibilidade a outras formas de fanatismo, mas, de alguma forma, o antissemitismo muitas vezes ainda pode ser descartado como uma doença apenas nas franjas da sociedade. Isso é um erro perigoso. Como os eventos recentes mostraram, é um problema muito mainstream”.

O anti-semitismo está a aumentar na Europa e na América do Norte, segundo um relatório do Centro Kantor para o estudo do judaísmo na Europa e divulgado pelo Congresso Judaico Europeu.

  ZAP // Lusa

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