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“Nenhum deputado do PSD tem moral para falar dos preços da TAP”, diz Pedro Nuno Santos

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António Cotrim / Lusa

O ministro das Infraestruturas e Obras Públicas, Pedro Nuno Santos

O ministro das Infraestruturas e Obras Públicas, Pedro Nuno Santos, afirmou que “nenhum deputado do PSD tem moral para falar da TAP”, durante a Comissão de Orçamento e Finanças para debater o Orçamento de Estado de 2020 (OE2020), que decorreu na terça-feira. Na mesma audição, disse que “não há tempo, nem dinheiro” para estudar outras localizações para o novo aeroporto.

Segundo noticiou o ECO, durante a audição no Parlamento, o deputado do PSD Paulo Neves questionou Pedro Nuno Santos sobre os montantes cobrados pela TAP nas viagens à Madeira. Em resposta, o ministro indicou que se o PS não tivesse revertido o processo de privatização da empresa, nem sequer se poderiam questionar esses preços.

“Hoje, só estamos a falar da TAP porque se conseguiu garantir 50% da empresa em 2015. Porque o PSD privatizou a TAP, entendia que a TAP deveria ser privatizada”, começou por responder Pedro Nuno Santos, referindo que “se o Estado não estivesse na TAP”, a preocupação da empresa com os preços cobrados aos madeirenses “era muito menor”.

O ministro continuou: “Se fizéssemos o que o PSD queria, [os portugueses] comiam os preços e calavam. Só estamos a discutir aqui hoje os preços da TAP porque um Governo socialista reverteu [o processo de privatização], se não o PSD – responsável pela privatização que travámos – não colocava aqui a questão”.

“Nenhum deputado do PSD tem moral para falar da TAP”, acusou. “Se o Estado não estivesse na TAP, tenho dúvidas que a TAP ainda cá estivesse”, frisou, acrescentando que “foi muito difícil voltar a ter 50% da TAP”.

E rematou: “Se há partidos que não se podem queixar dos preços praticados pela TAP são o PSD e o CDS. Vocês queriam que a TAP fosse uma empresa 100% privada. PCP e Bloco de Esquerda podem queixar-se, mas vocês [PSD] podem queixar-se zero”.

Apesar da participação de 50%, Pedro Nuno Santos reconhece que o Estado “não tem influência na gestão corrente da empresa”.

“Não há tempo, nem dinheiro”

Durante o debate, o ministro afastou a hipótese de estudar outras alternativas em relação ao futuro aeroporto, fechando a localização Montijo. “Há uma autorização ambiental para construção do aeroporto do Montijo. Todos os investimentos têm impacto ambiental. Não temos tempo nem dinheiro para estudar novas localizações. Já lá vão 17 estudos de localizações. Esta é a melhor solução”, revelou Pedro Nuno Santos, citado pelo Jornal i.

ANA / VINCI Aeroportos

Projeto para novo Aeroporto no Montijo

De acordo com o próprio, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) é uma entidade “independente”, ao contrário do que sugerem algumas associações ambientais e de contestação à construção do aeroporto do Montijo.

“Acreditamos na APA”, referiu, acrescentando que, atualmente “estamos a perder dezenas de milhões de euros, centenas todos os dias, porque o aeroporto de Lisboa não pode receber a quantidade de voos que procuram todos os dias” aquela infraestrutura. Essa perda “são menos receitas, são menos empregos, perde o povo português”, garantiu.

Desta forma, rejeitou a solução defendida por Pedro Santana Lopes e Carmona Rodrigues, que apontaram Alverca como solução, que foi apresentada ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e previa a construção de mais uma pista e a capacidade de gerir 75 milhões de passageiros e 500 mil movimentos anuais de aviões.

Relativamente à extensão do Metro para Cascais considerou que “seria um erro gigantesco” e “um desastre para a população”, visto que “não é possível nenhum metro ligeiro” competir com a quantidade de passageiros que suporta o comboio.

O ministro lembrou também que o Porta 65, programa de apoio ao arrendamento jovem, conta com uma dotação de 20 milhões de euros. Um valor que, destacou, representa uma subida de dois milhões de euros.

Na audição foi ainda discutido o tema dos CTT, com o governante a garantir que entrada do Estado no capital dos CTT “não está excluída”. O atual contrato de concessão dos CTT termina no final deste ano e Pedro Nuno Santos lembrou que “só há quatro países que têm empresas de correios totalmente privatizadas”: Holanda, Reino Unido, Malta e Portugal.

  ZAP //

1 Comment

  1. E tem toda a razão!!
    Os mesmos que entregaram a TAP de “mão beijada” a uns vigaristas, agora estão preocupados com os preços?!
    Está boa!…

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