CTT. “Estamos a negociar com o Governo” condições para extensão da concessão

O presidente dos CTT disse hoje que está a “negociar com o Governo” a extensão da prestação do serviço postal universal e reiterou que os Correios concorrem à nova concessão desde que as condições sejam “de sustentabilidade”.

João Bento falava à Lusa no final da inauguração de loja CTT Picoas, que apresenta um novo conceito.

Questionado sobre o ponto de situação do prolongamento da prestação do serviço postal universal (SPU), que termina no final deste mês, o presidente executivo dos Correios de Portugal disse que “o que está a ser tratado e discutido é justamente as condições para a extensão do atual contrato“.

Isto porque “o Governo não teve condições, que são fáceis de compreender, dada a grande intensidade que tem estado presente na gestão da pandemia” e, portanto, “houve temas que não puderam avançar ao ritmo que se esperava”, prosseguiu.

“Estamos a negociar justamente com o Governo o que serão as condições para essa extensão”, que é “temporária”, e “também as condições para o lançamento do concurso” para a prestação do serviço universal postal, referiu.

Relativamente ao concurso do contrato para a nova concessão, “certamente nos apresentaremos desde que, como sempre afirmei e continuo a afirmar, as condições sejam de sustentabilidade para o operador, condições essas que no atual contrato deixaram de estar presentes e, portanto, sobre esse ponto de vista, ainda bem que ele chega ao fim”, salientou.

Os CTT inauguraram hoje a sua terceira loja com o novo conceito.

“Esta é já a terceira loja que abrimos num conjunto de pilotos que estamos a abrir pelo país inteiro, este ano e no ano que vem”, referiu João Bento.

“Tem um conjunto de preocupações que são centradas na experiência do cliente, em servir melhor os nossos clientes”, com um aspeto “mais acolhedor” e tem um espaço 24 horas, a qual tem as funções básicas de receção e de envios, “sem qualquer restrição horária”.

“Temos depois também uma nova forma de abordagem do atendimento dos clientes, uma oferta de serviços em que talvez a maior novidade que experimentamos neste novo conceito” é que “uma boa parte dos eventos são eventos feitos em self-service não só nesta zona 24 horas mas também dentro da loja, alguém que queira entregar uma encomenda, entregar uma carta, fazer um registo pode iniciar esses processos eventualmente antes de chegar à loja online, digitalmente”, explicou.

“Pode complementá-los aqui ou pode chegar à loja fazer tudo isso, quer usando dispositivos para interação digital em regime de self-service, quer por exemplo no caso das encomendas – estamos no pico de sempre da história desta empresa e de todos os operadores postais na entrega de encomendas – em que pode chegar aqui, escolher a embalagem que é mais adequada, fazer a embalagem dos produtos que querem enviar e depois, digitalmente, ou de forma convencional fazer o envio“, prosseguiu o presidente executivo dos CTT.

A “tónica”, sublinhou João Bento, é de “um melhor serviço e mais centrado nas preocupações do cliente” e com uma “lógica de modernidade”.

As duas maiores novidades que estão a ser ensaiadas são, assim, o espaço 24 horas e a experiência self-service, sendo que a loja tem também um embaixador que tenta perceber quais são as preocupações dos clientes, orientando-os nos serviços disponíveis.

A loja, apesar de pequena, disponibiliza também os serviços “nucleares” de correio expresso, encomendas, envio e receção, incluindo o espaço 24 horas, mas também a oferta de serviços de poupança e de serviços financeiros.

E tem ainda dois balcões do Banco CTT, “é um piloto compacto no centro de Lisboa em que vamos continuar a experimentar todas estas novas ferramentas e formas de interação”, acrescentou.

“Iniciámos este processo no final do verão em Braga e, recentemente, numa nova loja em Sete Rios, em que vamos estar verdadeiramente a melhorar e a aperfeiçoar tudo isto enquanto vamos complementando a nossa oferta e estamos muito satisfeitos com os resultados iniciais”, disse.

Neste segmento de lojas, disse, existe uma zona “especialmente dedicada para clientes empresariais”, em particular para as pequenas e médias empresas (PME).

“Há justamente um espaço físico separado mais adequado para, por exemplo, correio de quantidade”, disse João Bento, que salientou que os CTT são “certamente” líderes em Portugal na dinamização do comércio eletrónico.

Quanto ao investimento, João Bento não adiantou valores. “Não vou dizer, mas estas lojas (…) têm um investimento unitário moderadamente acima das lojas convencionais”, concluiu.

Lusa // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Os CTT estão uma miséria. As cartas chegam com grandes atrasos. Espero que o governo não conceda mais nada a esta empresa. è tudo uma treta. Estou cansado destas palhaçadas.

  2. SPU = Serviço Postal Universal
    Agora sobre os CTT.
    Tal como por toda parte, o volume deste serviço tem enfrentado uma enorme redução porque enviamos quase todas as cartas e documentos por email. Dantes havia Fax e este desapareceu por completo e o telefone fixo está por fios.
    Os CTT eram monopólio do Estado, tal como devia de ser e os empregados tinham estatuto de funcionário público.
    A União Europeia é um clube empresarial e por natureza neo-liberal. Assim sendo ela quer tudo privatizado.

    Aprendemos que no jogo do monopólio existem quatro campos com serviços essenciais, tal como a água, a electricidade, Caminhos de ferro (transportes públicos), redes de distribuição de sinais, saúde e limpeza urbana. O jogo é americano e estes serviços estão no jogo na esfera privada.

    Mas na Europa tal não era assim. Era tudo do Estado ou das autarquias. Com a UE estamos a ver a privatização de todos estes serviços a pouco e pouco, lentamente, para este facto ser aceite pelas populações sem oposição de maior.

    Existem no entanto serviços que nenhum privado quer fazer por não haver dinheiro no negócio, tal como os serviços postais universais.

    Mas o Estado Português tinha que privatizar, por pertencer à UE e conseguiu um interessado que aceitaria fazê-lo, mas só se iria ficar também com um Banco Postal, algo que até então em Portugal nunca tinha sido concedido.

    Fizeram contrato no qual constam penalidades em caso de incumprimento na parte postal pelos CTT privados, ou mesmo na tentação de cortar as curvas.

    Mesmo assim e sob o olhar da entidade que controla o cumprimento, houve de facto atropelamentos constantes que resultaram em contrapartidas leves. Todos os atropelamentos juntos fariam um incumprimento enorme, que já causou a exigência de vários cantos da sociedade de reintegrar os SPU na esfera pública.

    Neste momento estamos com um serviço postal péssimo, tanto para os utentes como para os funcionários, que está a vender património imobiliário e com a receita já devolveu aos acionistas o valor investido, com trabalhadores que ainda pensam ser funcionários públicos e que não entendem que os poucos utentes que restam deviam de ser tratados como clientes e que não fazem a mínima ideia o que é ser uma empresa competitiva, porque é e continuará ser um Monopólio.
    Por isso não concordo com a UE sobre esta febre de privatização de serviços essenciais.

  3. O comentador(a) Etter até tem alguma razão no seu comentário (manter alguns serviços na esfera publica) mas eu pessoalmente não tenho razão de queixa dos serviços dos CTT e utilizo com alguma frequência, tanto para cartas como para encomendas. Relembro que ainda há várias comunicações que têm impreterivelmente que ser feitas por carta (e isso é que me parece errado!). De resto devo dizer que preferio maioritariamente a gestão privada porque conheço bem os vicios publicos e posso dizer que me afetam mais do que os privados. Enquanto no publico só tenho opção de pagar impostos e votar, chegando sempre a conclusão que a administrção publica e os politicos são um grupo elitista que vive às custas do privado sem qualquer mérito ou concorrência e que o carreirismo politico e as familias que se alimentam do erario publico sao responsaveis pela maior parte das necessidades de financiamento do pais (muito mais pesado que os BES, BPN, submarinos, estádios, etc todos juntos). Acresce que no privado se tivermos um mercado bolsista competitivo podemos todos fazer parte das empresas e assim nao ter razoes para protestar. Eu assumo desde já o meu interesse como acionista dos CTT que o negocio se concretize no melhor interesse da empresa. cumprimentos a todos os comentadores de bancada e saude para esta epoca gripal.

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