“Putin praticou um enorme erro.” NATO ameaça Rússia com consequências severas

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Armando Babani / EPA

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg

Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, avisou Moscovo de que haverá “consequências severas” se as tropas russas vierem a utilizar armamento químico na Ucrânia.

À entrada para a cimeira desta quinta-feira, no Quartel General da NATO, Jens Stoltenberg avisou Moscovo de que haverá “consequências severas” se a Rússia  utilizar armamento químico na Ucrânia.

“Qualquer utilização de armas químicas vai alterar dramaticamente a natureza do conflito. Será uma violação flagrante do direito internacional e terá consequências severas e em larga escala”, avisou o secretário-geral da NATO, citado pelo Diário de Notícias.

Stoltenberg criticou também o “enorme erro” de Vladimir Putin, “ao lançar uma guerra contra uma nação soberana”, subestimando as “capacidades de defesa das tropas ucranianas”.

Neste sentido, o responsável disse esperar que os aliados concordem esta quinta-feira em acelerar os investimentos em defesa.

“Constato um novo sentido de urgência entre os aliados. Todos percebem que é preciso fazer mais. Enfrentamos a mais grave crise de segurança numa geração, pelo que temos de investir mais na nossa segurança. E os aliados compreendem que a única forma de o fazer é destinar mais dinheiro para os orçamentos nacionais de defesa”, disse.

A esperança é que os 30 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte “concordem em acelerar a implementação dos compromissos”. Nas declarações hoje proferidas, Stoltenberg mostrou-se “satisfeito por vários aliados já terem feito anúncios sobre o aumento de investimentos”.

“Saúdo a decisão, por exemplo, da Alemanha, de investir 2% do PIB em defesa. Isto realmente fará diferença, dado ser uma grande economia”, comentou.

Ainda sobre a cimeira, durante a qual o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, deverá dirigir-se aos aliados por videoconferência, o secretário-geral disse acreditar que “vai mostrar a importância de América do Norte e Europa estarem juntas a enfrentar esta crise”.

“Somos a mais forte aliança do mundo, e enquanto permanecermos juntos estaremos seguros”, sublinhou.

Relativamente ao apoio à Ucrânia, Stoltenberg disse que serão analisadas ações que poderão ser tomadas complementarmente a todo o apoio que a Aliança já tem vindo a prestar para ajudar as forças armadas ucranianas a enfrentar o exército russo, mas voltou a afastar liminarmente a imposição de uma zona de exclusão aérea, tal como reclama há muito Zelensky.

“Impor uma zona de exclusão aérea significaria que teríamos de atacar de forma maciça sistemas de defesa da Rússia, na Rússia, na Belorrússia e na Ucrânia. E teríamos também de abater aviões russos, o que tornaria muito alto o risco de uma confrontação entre NATO e Rússia”, cenário que a Aliança tem a responsabilidade de evitar.

O secretário-geral da organização disse, no entanto, que a NATO vai continuar a prestar apoio à Ucrânia.

Por fim, questionado sobre a eventualidade de os aliados lhe pedirem para permanecer no cargo por mais um ano, dado o atual contexto, o secretário-geral da NATO, cujo mandato está prestes a terminar, limitou-se a dizer que deixa “essa decisão aos 30 líderes”.

Na data em que se assinala precisamente um mês desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, Bruxelas acolhe três cimeiras de alto nível, com os líderes da NATO, do G7 e da União Europeia (UE) a procurarem transmitir um forte sinal de unidade face à guerra lançada pela Rússia na Ucrânia.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de visita à Europa, vai participar nas três cimeiras, tornando-se o primeiro chefe de Estado norte-americano a marcar presença fisicamente num Conselho Europeu, que é simultaneamente a quarta cimeira de líderes da UE nas últimas cinco semanas, e na qual deverá também intervir, por videoconferência, Zelensky.

Portugal estará representado na cimeira da NATO e no Conselho Europeu — este último de dois dias, entre quinta e sexta-feira — pelo primeiro-ministro, António Costa.

O dia começa com a reunião extraordinária de líderes da Aliança Atlântica, no quartel-general da NATO, em Bruxelas, às 10h00 (09h00 de Lisboa), durante a qual os aliados deverão aprovar o aumento de forças no leste da Europa, designadamente através do “empenhamento de quatro novos grupos de combate” para a Bulgária, a Hungria, a Roménia e a Eslováquia.

Na primeira reunião presencial dos chefes de Estado e de Governo da NATO desde o início da guerra na Ucrânia, os líderes deverão também concordar em fornecer apoio adicional aos ucranianos, designadamente “assistência cibernética de segurança” e “equipamento para ajudar a Ucrânia a proteger-se contra ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares”.

  ZAP // Lusa

9 Comments

  1. Pede o desejoso para o guloso. Então quem ajudou a construir os armazéns de armamento químico na Ucrânia?

  2. O Putin com a invasão da Ucrânia já consegui duas coisas que certamente não desejaria, a primeira, o afastamento entre os dois povos, russo e ucraniano, a segunda, uma maior união entre os países da NATO e o despertar de onde vem o verdadeiro perigo.

  3. O putin é um trengo. a Nato nunca seria uma força invasora mesmo que estivesse ás portas da Rússia, porque a Nato respeita as fronteiras a não ser que seja invadida ou provocada.. Ele deve ser um imperialista ridículo com saudades da URSS. Com aquela idade já está senil.

    • O respeito é muito lindo, mas é de boca. Então e os exemplos da Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria, Palestina, servem para quê? Esquecer que a NATO é o
      braço armado dos USA/UE? Tanto quiseram expandir-se até às fronteiras da Rússia que agora encontraram alguém a dizer alto e pára o «baile».

      • Supostamente a Ucrânia é um estado soberano, deve poder decidir se quer pertencer á Nato, ou não. O putin que se meta na vida dele.já tem o maior país do mundo para governar. Se tratasse de inriquecer a Rússia com as toneladas de dinheiro que ele e os oligarcas dele tem.

        • A Ucrânia ou qualquer outro País, quando integram acordos bilaterais ou multilaterais devem cumpri-los, sob pena de serem sancionados.se não os
          respeitarem.

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