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Natal sem restrições pode causar mais 1.500 mortes

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Manuel Fernando Araújo / Lusa

Vista geral da Rua de Santa Catarina durante o recolher obrigatório do estado de emergência no âmbito das medidas de contenção da covid-19, no Porto.

O mês de janeiro pode chegar ao fim com um acréscimo de 800 a 1.500 mortes devido ao aumento de contactos durante o Natal. Cerca de 20 mil portugueses estarão infetados e contagiosos na quadra natalícia.

Uma estimativa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) prevê que, pelo menos, 20 mil portugueses estarão infetados e contagiosos por altura do Natal. A maioria deles assintomática, fazendo com que um aumento de casos e mortes após o Natal seja uma certeza.

Estas projeções, de acordo com o Expresso, foram apresentadas pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde, Henrique de Barros, na última reunião do Infarmed.

“Se em cada família o risco é pequeno, multiplicar por milhares de reuniões familiares corresponde à ocorrência de muitas infeções”, avisou Henrique de Barros. Dentro do mesmo agregado familiar, se uma pessoa estiver infetada a probabilidade de contágio é de 23%. Numa família de cinco pessoas, uma pessoa infetada infetará outra.

A probabilidade cai para 6% nos casos de contacto social, em que o convívio é feito com pessoas que não partilham a mesma casa. No entanto, o investigador Milton Severo explica que deverá subir no Natal, visto que as pessoas passam mais horas juntas.

Henrique Oliveira, vice-presidente do departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico, calcula que o mês de janeiro pode chegar ao fim com um acréscimo de 800 a 1.500 mortes devido ao aumento de contactos durante o Natal.

“Existem assintomáticos e levemente sintomáticos que escapam totalmente aos testes e que estão a transmitir o vírus”, explica Henrique Oliveira ao Expresso, indo um pouco de encontro à teoria apresentada pelos investigadores do ISPUP.

“Estamos a tentar debelar o fogo e estamos a conseguir. Mas é como se durante aqueles dois dias baixássemos a guarda e até atirássemos alguma gasolina. E depois no dia 27 vamos tentar apagar o fogo outra vez”, diz ainda Henrique Oliveira.

O matemático explica que estão reunidas todas as condições para um “evento de grande propagação”, já que se misturam pessoas de diferentes áreas geográficas, idades e agregados familiares.

Para os dias entre 23 e 26 de dezembro deverá haver liberdade de circulação entre concelhos. O Governo também optou por não fixar um número limite de pessoas nas reuniões familiares, embora António Costa tenha deixado um aviso: “É fundamental que todas as famílias tenham a consciência que devem organizar as suas celebrações tendo em conta os riscos que existem e que muitas vezes não são visíveis”.

  ZAP //

4 Comments

  1. Os confinamentos e as restrições, têm como resultados um aumento da mortalidade, q é tres vezes superior à das mortes por Covid!
    É isto q os numeros comprovam!
    Impor regras é uma coisa necessaria, já destruir os direitos mais básicos, a economia, provocar mais sofrimento e mortes, por falta de bom senso, é outra coisa com consequências muito mais gravosa!

  2. Confinar tudo e imediatamente é um imperativo nacional. Tudo o resto são tretas e politiquices

    • Sim, já temos 10 mil mortos a mais (não covid) do que o ano passado (e ainda não passamos a pior parte do ano) os quais temos de assumir que foi devido ás medidas tomadas, perante isso faz todo o sentido confinar o pais !!!

      Vejamos 6000 desempregados a mais devido ás medidas, empresas que se não forem ajudadas fecham aumentado ainda mais o numero de desempregados.
      Empresas que esperam por receber o apoios prometidos desde Março mas ainda assim tem de pagar os dividendos dos impostos ao estado.
      Um pais que está a atrasar os pagamentos aos cidadãos (porque não há dinheiro para pagar).

      Você deve de ser funcionário publico ou reformado, situações que por enquanto ainda recebem do governo, porque se for um dos desempregados pelo fechamento de empresa e que está à espera de fundo de desemprego (que ainda não sabe quando vai chegar), talvez falasse de forma diferente.
      Eu felizmente ainda tenho trabalho (a receber apenas 60%), mas tenho o vizinho de cima que se não fosse com ajudas dos restantes moradores do prédio, ele e a família não comia porque ele e a mulher ficaram sem emprego devido a falência das empresas e tem 1 filho para alimentar e a ajuda do governo nem ver …
      O mais triste não é ouvir nas noticias que um idoso de 96 anos morreu num lar, é ouvir o meu vizinho a chorar de agradecimento e vergonha quando lhe levamos comida.

      Não podemos matar um milhão para salvar 1.
      A economia de rastos, um governo sem dinheiro e uma sociedade sem rendimentos não salva vidas. Se as empresas não laborarem fecham e deixam de pagar impostos, se o governo não recebe impostos não tem dinheiro para pagar o SNS o que leva a menos camas para UCI … logo mais mortos.

      Não quer isto dizer que devemos ignorar a mortalidade, mas temos de arranjar o balanço e fechar um pais não é nem pode nunca ser a solução.

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