Os narcisistas podem ser irritantes, mas são mais bem-sucedidos

Os narcisistas podem ser pessoas irritantes que procuram constantemente chamar à atenção, mas são também mais propensos a ter sucesso, de acordo com um novo estudo internacional. 

Mesmo que os seus traços de personalidade possam parecer negativos, os cientistas acreditam que a crença de superioridade dos narcisistas lhes dá uma espécie de “resistência mental” que não lhes permite desistir.

Uma equipa internacional de pesquisadores diz que os narcisistas tendem a destacar-se em áreas como educação, trabalho e vida sentimental. O seu “elevado sentido de autoestima”, dizem, assegura-lhes uma grande auto-confiança.

Para os psicólogos, o narcisismo é um dos três traços “sombrios” das personalidades “malévolas”. A este traço junta-se a psicopatia e o maquiavelismo, tendendo os narcisistas a ser egocêntricos, vaidosos e carentes de admiração alheia.

Segundo Kostas Papageorgiou, da universidade Queen’s de Belfast, no Reino Unido, a pesquisa mostra que os narcisistas são frequentemente bem-sucedidos socialmente, não se deixando intimidar pela rejeição e o seu desejo por atenção pode torná-los “encantadores” e altamente motivados.

Deixando de lado a moralidade social convencional e focando apenas no sucesso, o “narcisismo pode parecer um traço muito positivo“, diz o psicólogo. “Se és um narcisista, acreditas firmemente que és melhor do que ninguém e que mereces uma recompensa”, acrescenta.

Este traço pode ser insuportável para todos os que rodeiam os narcisistas, mas Papageorgiou acredita que este tipo de autoconfiança sem limites também está ligada à capacidade de ser “mentalmente forte” e disponível para “abraçar desafios”.

Eu, eu e eu

De acordo com o psicólogo, o “poder” do narcisismo está atualmente à vista do público: o comportamento prevaleceu na cultura popular e está também presente nas redes sociais, na televisão em tempo real ou na política.

Papageorgiou faz parte de uma equipa de investigadores que incluiu académicos da Goldsmiths, da Universidade de Londres, do King’s College, da Universidade do Texas em Austin e da Universidade Metropolitana de Manchester. Os resultados foram publicados no passado mês de abril na Science Direct.

A equipa de investigadores usou o desempenho de jovens em exames do Ensino Secundário para demonstrar como os narcisistas conseguiam superar pessoas com mais capacidades.

Através de uma amostra de mais 300 alunos identificados como narcisistas de uma escola secundária em Itália, os cientistas descobriram que os narcisistas tendem a obter melhores notas em provas do que seria esperado noutros testes de inteligência.

Os psicólogos disseram que – além de características como o egoísmo e a necessidade de dominar – estes narcisistas tinham altos níveis de resiliência e de determinação.

Concluindo: os narcisistas em estudo não eram mais inteligentes, mas eram mais confiantes e assertivos. E, desta forma, conseguiam ultrapassar outros alunos que teriam maiores capacidades.

Mais atraentes

Segundo Papageorgiou, os narcisistas carregam o seu sentido de superioridade de forma a obter vantagens para a escola, universidade, trabalho – e até mesmo para o romance.

“Os narcisistas são bastante carismáticos. Se passarmos muito tempo a tentar ser charmosos e a persuadir outras pessoas, isso pode tornar-nos mais atraentes”, explica.

Para o psicólogo, é possível que haja um elemento evolutivo a contribuir para o aumento do narcisismo. Os narcisistas tendem a ter mais parceiros sexuais, acabando por transmitir mais os seus genes. Papageorgiou diz que cerca de 60% do narcisismo é herdado, sendo o resto moldado pelo ambiente.

Os narcisistas podem ser “absolutamente destrutivos para quem os rodeia”, mas não há nada de inevitável nisso, podendo as pessoas com estes traços limitar o impacto do seu caráter nos outros. “Podemos controlar estes traços, em vez de deixar que estes traços nos controlem”, explicou.

O pesquisador conclui que os traços de personalidade não devem ser vistos como “bons ou maus”, mas como “produtos da evolução” e “expressões da natureza humana“.

ZAP // BBC

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4 COMENTÁRIOS

  1. O que deve ser posto em causa, e referindo-me directamente ao título da notícia, são os critérios de “bem sucedido”. O que se entende por uma pessoa bem sucedida? O que é o objectivo da existência humana? O que é que dá sentido à vida de uma pessoa?

    Será destruir os outros para proveito próprio? Será o individualismo puro e duro? Não será antes o reconhecimento colectivo e social das virtudes de uma pessoa, a definição correcta de sucesso? Não deve ser o bem que uma pessoa faz à sua comunidade, a verdadeira medida do seu sucesso? E não deve ser portanto a comunidade, a avaliadora desse seu sucesso?

    Se por pessoa bem sucedida, entendemos uma pessoa que fica ela própria e apenas ela, contente com os resultados do que faz, em desconecção ou deterimento do bem comum… Então somos desde logo nós que estamos a mostrar ter uma noção manifestamente podre do que é “sucesso”. Ninguém deveria reconhecer “sucesso” em pessoas assim e estamos a funcionar mal em sociedade e em cidadania, se o fazemos.

    Se calhar é o que invejamos para nós, ao elogiarmos tal comportamento… Digo eu.

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