Movimento paquistanês luta pelo direito de matar irmãs e bater nas mulheres

Paquistão

A aprovação de uma lei de protecção das mulheres contra a violência na província de Punjab, no Paquistão, está a despoletar uma violenta reacção de partidos políticos e religiosos que a consideram anti-islâmica.

Este movimento pela defesa dos valores ditos “tradicionais”, que determina, por exemplo, que os homens podem matar as irmãs, ou outras familiares, por crimes de desonra, ou bater nas mulheres, é denunciado pelo escritor paquistanês Mohammed Hanif, num artigo de opinião no The New York Times.

Ele reporta a reacção à aprovação de uma lei de protecção das mulheres contra a violência, na província de Punjab, que institui “medidas radicais”, como escreve com ironia, nomeadamente que “um marido não pode bater na esposa” e que se o fizer enfrentará acusações criminais e possivelmente a expulsão de casa.

A lei ainda determina a criação de uma linha telefónica para onde as mulheres podem reportar abusos e o uso de pulseira electrónica para os ofensores, em determinadas situações, bem como a impossibilidade de comprarem armas.

Uma “coligação de mais de 30 Partidos políticos e religiosos declarou a Lei anti-islâmica“, escreve Hanif, frisando que a consideram “uma ameaça” à família e que prometem fazer protestos por todo o país se o governo não recuar na sua aprovação.

Também o Conselho de Ideologia Islâmica designado pelo governo, e composto unicamente por homens que zelam pelo cumprimento da chamada Shariah, a Lei Islâmica, considera a lei “repugnante”, diz o escritor, sublinhando que este órgão teve como “última proclamação” a defesa do “direito de um homem casar com uma menor” e que tornou “impossível para as mulheres provarem uma violação”.

O movimento pela defesa da Shariah surge numa altura em que foram revelados dados que indicam que os crimes de desonra, praticados contra mulheres por familiares, aumentaram no ano passado, no Paquistão.

De acordo com o relatório da Comissão dos Direitos Humanos do país, citado pela BBC, em 2015, 1.100 mulheres foram mortas por crimes de desonra, 900 mulheres foram vítimas de violência sexual e quase 800 suicidaram-se ou tentaram fazê-lo.

A Comissão nota que há ainda, muitos crimes que ficam por reportar.

“As causas predominantes destas mortes, em 2015, foram disputas domésticas, alegadas relações ilícitas e o exercício do direito de escolha no casamento”, esclarece também o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, conforme cita a BBC.

SV, ZAP

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17 COMENTÁRIOS

    • A religião muçulmana não é mais nem menos pré-histórica que qualquer outra… Não confunda as coisas! Isto não se passa na Europa única e exclusivamente porque houve uma separação do poder politico do religioso. Dê novamente o poder ao clero e em menos de dez anos temos as mulheres novamente excluidas das atividades sociais e culturais da sociedade

      • estevao, pago uma passagem pra vc só de ida pra Punjab, mas com um detalhe, vista-se de mulher e saia as ruas..ou mostre seu lado gay la

  1. Estes “machos” do punjab ao fim e ao cabo não passam de uns “paneleiros” cobardes, atrasados mentais, necessitando de um estágio de uns anos em que as mulheres lhes fizessem o mesmo. Deixavam logo de ser atrasados mentais e aprendiam a respeitar-se uns aos outros. Apenas gostam uns dos outros (de homens), pois pelos vistos, as mulheres para eles são apenas coisas. É claro que não estendo esta ideia a todos os paquistaneses, nem pouco mais ou menos, pois desta raça estúpida de machistas encontramos em todos os países. Amem as mulheres e tratem-nas bem, pois foram elas que vos pariram, é o mínimo que podem fazer.

  2. Afinal passados tantos anos e em pleno século XXI acabamos por concluir que afinal as descolonizações foi o pior que poderia ter acontecido para estes povos primitivos e selvagens pois são eles próprios a comprová-lo.

  3. Este é tendenciosa notícias e eu não só discordo com ele, em vez condená-la. É totalmente uma história moldada e fabricada. Primeiro de tudo o que está acontecendo em algumas partes do Paquistão chamou honra matando etc não tem nada a ver com o Islã em vez disso, é completamente contra a ideologia do Islã. Se eles seguirem o verdadeiro ensinamento do Islã que não há necessidade de até mesmo incorporar tais leis. Em segundo lugar, como mencionado no texto que 9 paridades políticos são contra a lei e eles querem a sharia, eles podem ter seu próprio ponto de vista segundo o seu manifesto político. O Paquistão é um país democrático e cada partido político tem direito de expressar seu próprio ponto de vista como o fazem em todas as outras questões. Em terceiro lugar, como mencionado sobre Conselho da Ideologia Islâmica, certamente o Paquistão é um país muçulmano e ele pode dar as suas observações como fazem em milhares de outros casos na base diária. Aqui, a questão levanta-se que está incorporando tais leis ?. eles não são do Paquistão? eles não são muçulmanos ?. Cearly, eles são muçulmanos e do Paquistão e eles querem incorporar medidas necessárias para combater tais problemas. Em vez de encourgaing o intiative para promover propaganda negativa é simplesmente uma vergonha. O Paquistão está fazendo o desenvolvimento positivo e tentar resolver essas coisas tradicionais, que são, na verdade, longe de Islam.

  4. Título: “MOVIMENTO PAQUISTANÊS LUTA PELO DIREITO DE MATAR IRMÃS E BATER NAS MULHERES”
    Daí você vai ler a matéria e é totalmente só contrário! Sendo que o MOVIMENTO PAQUISTANÊS LUTA PELA DEFESA E PROTEÇÃO DAS MULHERES no Paquistão!

    CHEGA DE SENSACIONALISMO!

    • Cara Gabriela,
      Será que leu bem a matéria? Parece não ter conseguido perceber o que está escrito. Vamos tentar explicar.
      O movimento não luta pela defesa e protecção das mulheres. O movimento luta pelos “valores tradicionais da Shariah, a Lei Islâmica”, e surgiu em protesto pela nova Lei de protecção das mulheres contra a violência, que, por exemplo, proíbe os maridos de bater nas mulheres.
      O movimento, com mais de 30 partidos, considerou essa lei “repugnante” e “anti-islâmica”.
      A única coisa sensacionalista nesta matéria são comentários escritos em maiúsculas e com pontos de exclamação.

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