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“Eu não quero dizer adeus.” Mosteiro torna-se símbolo da tensão em Nagorno-Karabakh

Hayk Baghdasaryan / EPA

Mosteiro de Dadivank

O mosteiro de Dadivank, na vila de Karvachar, está a tornar-se um símbolo da tensão que existe entre arménios e azeris na disputa por Nagorno-Karabakh.

O mosteiro de Dadivank foi fundado no I Século por um discípulo de São Tadeu, o evangelizador dos arménios, apesar de o primeiro registo escrito ser do Século IX. De qualquer das formas, a Arménia foi o primeiro país da história a adotar o Cristianismo como religião oficial, antes do Império Romano.

A vila de Karvachar, em arménio, ou Kalbajar, em azeri, vai ser entregue às forças do Azerbaijão, de acordo com um tratado de paz assinado entre as duas partes e mediado pela Rússia e pela Turquia. A entrega do território faz com que as duas partes disputem a herança histórica.

É nosso património e devemos cuidar e protegê-lo“, disse Sona Khachaturyan, que veio de visita da capital arménia, Yerevan, citada pela Sky News. “Infelizmente, o mosteiro vai tornar-se parte do Azerbaijão. É doloroso, mas eu não quero dizer adeus porque tenho certeza de que voltarei.”

Para os arménios, há uma ferida que dificilmente vai curar: a deportação e a morte de cerca de 1,5 milhão de arménios étnicos durante o colapso do Império Otomano. A Turquia e o Azerbaijão são os únicos dois Estados que ainda se recusam a reconhecer o genocídio, pelo que o medo e a linguagem do genocídio cultural estão a reaparecer.

Grande parte da herança cultural da Arménia foi destruída quando a Arménia Ocidental foi absorvida pela Turquia na primeira parte do século XX. Com as perdas territoriais sofridas como resultado desta guerra, a Arménia está novamente apreensiva.

Inicialmente, quando se soube que a vila ia ser entregue ao Azerbaijão, o próprio mosteiro começou a ser desmantelado, mas o abade do mosteiro prometeu que não abandonaria o local, estando disposto a morrer.

As autoridades arménias intercederam e conseguiram garantir que o mosteiro seja protegido por forças russas. A bandeira tricolor hasteada na entrada do complexo do mosteiro e os soldados russos estão no local para garantir que a palavra é cumprida.

O Azerbaijão também prometeu que os cristãos arménios terão acesso contínuo a Dadivank e a outros locais religiosos em territórios que, em breve, pertencerão a este país.

Se, por um lado, a chegada das forças russas assegura a segurança do mosteiro; por outro, o futuro permanece incerto.

  ZAP //

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