Morreu Chalana, o pequeno grande génio do futebol nacional

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Uma das maiores figuras do Benfica e do futebol português tinha 63 anos. Conquistou 15 títulos durante a sua carreira de futebolista.

1984. Europeu de futebol desse ano – o primeiro com a presença de Portugal.

Entre as crianças e adolescentes que seguiam atentamente futebol, provavelmente a maioria queria ser como Fernando Chalana.

Era o ano de Chalana (e supostamente de Fernando Mamede, por outros motivos).

Com a companhia da sua esposa, o “Chalanix” brilhou em França. Sem golos mas com fintas e assistências que impressionavam. Foi incluído na melhor equipa do Euro 1984, segundo a UEFA.

Antes, bem antes, estreou-se na equipa principal do Benfica quando tinha apenas 17 anos. Terá sido, até então, o futebolista mais jovem de sempre a jogar na primeira divisão em Portugal.

Falar sobre Chalana é falar sobre o Benfica. Com 15 anos deixou a famosa escola do Barreirense (nasceu no Barreiro) para jogar pelos juvenis do Benfica. E ficou na Luz durante os 10 anos seguintes.

Depois do já mencionado Europeu, ficou em França, no Bordéus. Três anos depois voltou à Luz, já sem o ritmo de outrora e com as lesões quase sempre presentes. Ainda jogou por Belenenses e Estrela da Amadora.

Conquistou 15 títulos enquanto sénior, incluindo seis campeonatos em Portugal e um em França.

Entre quedas e lesões, ficou famosa uma grande penalidade que não era grande penalidade, no jogo entre Portugal e União Soviética, na qualificação para o Europeu 1984. A falta foi feita fora da área mas Chalana saltou lá para dentro e foi assinalada grande penalidade. Jordão marcou, Portugal apurado.

Mais tarde foi treinador durante praticamente 20 anos e, quase sempre, no Benfica. Integrou diversas estruturas e chegou a ser treinador principal na Luz durante alguns jogos.

Chalana morreu nesta quarta-feira. Tinha 63 anos.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

6 Comments

    • Concordo com o mau-gosto da escolha do video. Nada que espante. Vi esse jogo, estava um dia muito bonito, mas era Novembro e nos dias anteriores chovera muito, o relvado da Luz estava magnífico, mas empapado. Chalana e Bento eram os únicos jogadores de super-classe dessa seleção – não é difícil recordar quem eram os outros, basta digitar – e como o Bento não marcava golos, o Chalana teve que inventar um penalty, mas para isso teve que fazer uso do seu génio: passou por um, passou por dois e o terceiro teve que fazer o que Chalana esperava. O FC só cometeu um pequeno erro, exagerou um pouco no mergulho, mas seria difícil a qualquer árbitro, sem Varinas, não marcar um penalty por uma falta cometida em cima ou a centímetros da linha de área. Penalties muito mais escandalosos tenho visto nestes dois últimos anos e sacados por Taremi e sancionados pelas Varinas que não existiam em 1983. Chalana nunca foi um batoteiro, naquela tarde teve que o ser, se o não fizesse Portugal seria eliminado. Repito, estive lá e vi: o barbudo fez batota mas, para a fazer, teve que inventar uma grande jogada, coisa que não é necessária no futebol-batota que se joga em Portugal.

      • Por acaso, quando li este artigo no telemóvel, o primeiro vídeo não me apareceu ou, simplesmente, não o vi. Não disse que o Chalana era batoteiro. Uma manha de vez em quando, em situação de grande necessidade, só demonstra a inteligência do jogador. Infelizmente, no futebol há muitos jogadores que usam e abusam dessa manha (não é só o Taremi, nem se verifica apenas de há dois anos a esta parte), o que faz deles autênticos batoteiros. Curiosamente, em jogos internacionais, ficam mais honestos… Sabemos porquê. Eu não sou benfiquista (nem portista, nem sportinguista, já agora), mas sou suficientemente amante de futebol para reconhecer os grandes jogadores (o Chalana, aliás, também representou Portugal). Outro atributo que admiro no “Pequeno Grande Génio” é a humildade. Não precisou de se auto intitular rei para todos o reconhecerem como um rei nos relvados onde jogou. Suponho que se depreende em quem estou a pensar.

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