Moradores do Porto contra Pingo Doce na Marechal

TeoDias / Flickkr

Placa Avenida Marechal Gomes da Gosta - Porto

Placa Avenida Marechal Gomes da Gosta – Porto

Cerca de 60 moradores da zona da avenida Marechal Gomes da Costa, no Porto, apresentaram na autarquia um abaixo-assinado para travar a construção de um supermercado com 2.000 metros quadrados de área naquela avenida da cidade.

No documento a que a Lusa teve hoje acesso, os moradores do gaveto da rua João de Barros com a avenida Marechal Gomes da Costa contestam “a eventual aprovação urbanística” de “um edifício comercial com uma implantação de cerca de 2.000 metros quadrados para utilização de um supermercado tipo Pingo Doce“, com cave mais rés-do-chão.

Os moradores alegam tratar-se de “uma área habitacional de excelência, com predominância de moradias unifamiliares”, conforme o uso previsto no Plano Diretor Municipal, e que o gaveto em causa “é um ponto de grave conflito de trânsito, com imensos acidentes, que levou inclusive à colocação de semáforos reguladores de velocidade, pela Câmara do Porto”.

O anterior vereador do Urbanismo, Gonçalo Gonçalves, deferiu no dia 27 de setembro de 2013 um pedido de alteração ao alvará daquele loteamento, que prevê a alteração da moradia unifamiliar para um edifício destinado a uma unidade comercial, de acordo com um documento da autarquia enviado a um dos moradores queixosos.

Em resposta escrita enviada hoje à Lusa, a autarquia garante que “neste momento não está licenciada qualquer superfície comercial” naquele lote da Marechal Gomes da Costa, afirmando estar licenciado para aquele terreno “um alvará de loteamento com tipologia não definida, destinado a habitação, com serviços e parqueamento”.

Tratando-se de um pedido de esclarecimentos feito ao fim de semana, o assessor do presidente da Câmara do Porto acrescenta “não ser possível informar sobre a data exata em que tal alvará foi emitido” pela autarquia, mas assegura que “o mesmo não ocorreu durante o presente mandato, uma vez que o atual executivo, liderado por Rui Moreira, não emitiu até hoje qualquer alvará de loteamento para a avenida”.

Em declarações à Lusa, Sebastião Eça, morador num condomínio de moradias contíguo ao lote em causa, afirmou que a ideia é mesmo “construir ali um supermercado”, não entendendo como é que o anterior executivo deferiu o pedido em causa, tendo em conta que “quando os moradores que vivem na Marechal pretendem fazer qualquer alteração, a Câmara é a primeira a implicar, mesmo com frisos nas janelas”.

“O nosso objectivo é travar este processo”, disse, acrescentando que o supermercado irá trazer mais constrangimentos de trânsito à zona, além de ser muito discutível o seu enquadramento naquela avenida, a mesma onde se localiza Serralves.

Aquando da aprovação do loteamento, o antigo vereador do Urbanismo impôs diversas condições ao projeto a submeter à autarquia.

“O projecto de arquitectura que vier a ser desenvolvido deve resultar numa volumetria contida, que se aproxime da tipologia dominante da avenida, ou seja não deve nunca resultar num volume compacto, monolítico, optando-se pela criação de cheios e vazios que interrompam a fachada voltada para esta frente”, afirmou o vereador.

Também a localização das entradas e saídas ao interior do lote não poderão originar situações de congestionamento de tráfego, nem permitir viragens à esquerda na rua João de Barros.

“A utilização específica que vier a ser proposta para o lote em questão não pode implicar significativa sobrecarga nas infraestruturas existentes, nomeadamente no que se refere ao volume de tráfego automóvel”, salientou ainda o ex-vereador do Urbanismo.

/Lusa

4 COMENTÁRIOS

  1. Desculpem~me srs moradores. Não será esta posição motivada por uma questão de elites, procurando evitar a chegada dde “pobres desgraçados” que vão a correr atrás das promoções do possível supermercado? Se a questão é essa, lamento profundamento essa atitude da parte dos moradores. Não esqueçamos que a zona norte é uma das zonas mais atingidas pela miséria que tem vindo a assolar o nosso país, criando as dificuldades que todos conhecemos. Se essa questão é realmente de aspecto arquitectetónico, ainda pode-se avaliar esses aspectosm mas se na verdade é somente de questões de ordem social, mais uma vez lamento que nos dias de hoje ainda existam grupos que esquecem o essencial, em defesa do seu” bem estar”.
    A propósito, gostaria de relembrar que a Câmara do Porto, zeloao de interesse que nunca foram devidamente explicados, empurrou para fora da Cidade, uma estrutura comercial de grande relevo, que poeria de certa forma amenizar algumas ads nossas dificuldades de emprego, e possivelmente de outra ordem. Lembram-se da “guerra” da instalação na zona da boavista dos Supermercados Corte Inglês? Obrigados pela vossa atenção e desculpem-me se por acaso estarei equivocado a respeito das vossas posições.

    • Hoje o supermercado já lá está construído, apesar dos​ protestos e dos desmentidos. É contestável do ponto de vista arquitectónico e urbanístico? É. Mas é também do ponto de vista da necessidade da sua existência. A menos de 100 m, na perpendicular à Marechal para sul, existe um Modelo Continente. E a menos de 100 m na mesma perpendicular, mas para norte, existe há bastantes anos outro Pingo Doce. A autorização nunca deveria ter sido concedida mas outros interesses devem ter falado, tilintando, mais alto na apreciação camarária.

  2. Caro Eja,

    Compreendo a sua ironia mas, a mesma peca já por tardia…A menos de 100m há uma superfície totalmente similar da rede Modelo / Continente. E que seja do meu conhecimento os lá moradores não provocaram confusão.

    Relativamente ao dito “El Corte Inglês” poderia, eventualmente criar ali alguns novos postos de trabalho… Mas, e os que lá já existem nas outras superfícies comerciais? Obviamente que iriam para o desemprego.
    É preciso raciocinar-se e medir o alcance das nossas palavras…

    • O Modelo Continente não está na Marechal. Está escondido num pequeno complexo comercial numa zona com características arquitectónicas muito diferentes das da Marechal.

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