Moody’s vê adiamento da venda como fator “negativo” para o Novo Banco

A agência de notação Moody’s considera que o adiamento da venda do Novo Banco pelo Banco de Portugal “é negativo” para a instituição financeira porque se “corre o risco de adiar decisões-chave” tais como medidas de reestruturação.

Num comentário divulgado esta segunda-feira, a analista da Moody’s Pepa Mori refere que “o adiamento da venda do Novo Banco tem uma influência negativa de crédito para a instituição, porque a suspensão da operação introduz o risco de atrasar decisões-chave, tais como a implementação de medidas de reestruturação que iria melhorar o já muito fraco perfil de crédito do banco”.

Para a Moody’s, o adiamento da venda do Novo Banco “também aumenta o risco dos seus ativos se desvalorizarem caso não ocorra antes de agosto de 2016″, sendo que o BdP afirmou que a Comissão Europeia pode ainda prorrogar o prazo para além da data estipulada.

Além disso, o atraso na venda e “o perfil de crédito fraco persistente é suscetível de afetar o interesse dos investidores no banco e diminuir a probabilidade de que o Banco de Portugal venda a instituição a um preço satisfatório”.

O plano de resolução atual do Novo Banco prevê um prazo até agosto de 2016, 24 meses após a criação do Novo Banco, como uma instituição financeira de transição, após o colapso do antecessor Banco Espírito Santo.

Assim, Pepa Mori considera que se o Banco de Portugal não encontrar um comprador até agosto de 2016, os ativos não vendidos “teriam de ser revistos em baixa”, sendo que as autoridades “teriam de revogar a licença bancária do Novo Banco”.

A agência de notação adianta também que o atraso de venda do Novo Banco “é também negativo para o sistema bancário de Portugal, porque existe o desafio na obtenção de um preço de venda suficiente para reembolsar o Estado Português de um empréstimo de 4,5 mil milhões de euros que concedeu ao Fundo de Resolução, usado para recapitalizar o Novo Banco”.

Caso o empréstimo não seja totalmente reembolsado, a Moody’s diz que os bancos portugueses “poderiam ser obrigados a suportar um défice da venda, dado que são responsáveis pelo financiamento do Fundo de Resolução”.

Apesar de fazer progressos na desalavancagem, adianta Pepa Mori, “os resultados financeiros do primeiro semestre de 2015 do Novo Banco confirmaram as dificuldades enfrentadas pela instituição para preservar a sua base de capital, tendo em conta a possibilidade de uma deterioração da qualidade dos ativos e perdas em curso”.

“A capacidade de absorção de risco do banco continua fraca e é limitado pela sua incapacidade de aceder aos mercados dado o seu estatuto como um banco de transição público”, observa a analista, lembrando que a Comissão Europeia proíbe qualquer nova injeção de capital público no Novo Banco, “o que deixa o banco dependente de medidas de reestruturação para melhorar os seus rácios de solvência”.

Na terça-feira passada, o Banco de Portugal interrompeu o procedimento de venda do Novo Banco e vai começar a preparar uma nova operação de alienação do banco, disse o regulador em comunicado, acrescentando que “é intenção do Banco de Portugal retomar o processo de venda depois de serem removidos os principais fatores de incerteza relativos ao Novo Banco”.

Também o novo formato do modelo de venda não está definido e a única certeza que parece existir é que não seguirá o modelo que se mantinha até 14 de setembro.

/Lusa

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