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Eleições norte-americanas. Mito de fraude terá começado no Texas em 2018

As queixas infundadas de fraude generalizada nas eleições de novembro de 2020 nos Estados Unidos começaram a ser preparadas dois anos antes por um empresário do Texas.

Uma investigação do The Washington Post concluiu que o mito de fraude que envolveu as eleições norte-americanas de novembro de 2020 foi promovido por um empresário republicano do Texas, que tinha sido derrotado nas primárias do Partido Republicano desse ano.

Russell J. Ramsland Jr., de 68 anos, e a sua antiga sócia Laura Pressley, de 58 anos, são os protagonistas da história. Ambos foram derrotados em eleições no Texas – o primeiro em 2020 e a segunda em 2014.

Nesse ano, convencida de que a sua derrota resultara de manipulação das máquinas de voto, Pressley preparou um dossier com supostos indícios de fraude, que acabou por levar aos tribunais do estado norte-americano, mas sem sucesso.

Em janeiro de 2019, o Supremo do Texas viria a manter o essencial da decisão dos tribunais inferiores, dizendo que Pressley “não demonstrou que o resultado da eleição foi incorreto ou impossível de determinar”, embora tenha retirado uma multa aplicada por litigância de má-fé.

A partir dos finais de 2018, os empresários tentaram convencer outros candidatos do Partido Republicano de que tinham sido vítimas de fraude.

Ao longo do ano seguinte, apresentaram supostas provas de manipulação, mas o assunto não se tornou importante no discurso político. Mas em 2020 os relatórios da empresa de Ramsland – a Allied Security Operations Group (ASOG) – começaram a chegar ao círculo mais próximo de Donald Trump.

Os documentos, assim como os testemunhos de pessoas ligadas à ASOG que foram apresentadas como peritas em segurança eleitoral e pirataria informática, serviram de base às dezenas de processos com que os advogados e apoiantes de Trump tentaram provar a existência de fraude nas eleições de 2020.

Importa relembrar que nenhum dos 42 processos com supostos indícios de fraude foi dado como credível, incluindo pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos e por juízes nomeados por Trump.

  ZAP //

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