Ministro da Defesa recusa “erro humano” como causa do acidente com C-130

José Sena Goulão / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), conversa com o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes (esq)

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), conversa com o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes (esq)

O ministro da Defesa Nacional recusou, esta quarta-feira, que se possa concluir que foi um “erro humano” a motivar o acidente com um C-130, considerando que a hipótese de aquele treino específico não correr bem “é natural”.

“Eu não posso falar em erro humano, posso falar quando muito num fator humano envolvido no acidente mas em que daí não resulta um qualquer juízo de censura perante o que aconteceu. Estamos a testar situações limite e, nessas situações, a hipótese de não correr bem é uma hipótese que tem que se considerar como natural”, afirmou Azeredo Lopes.

O ministro da Defesa falava aos jornalistas à margem da reunião de ministros da Defesa da NATO, que se iniciou esta quarta-feira, no quartel-general da Aliança Atlântica, Bruxelas.

Um avião C-130 da Esquadra 501 da Força Aérea sofreu, a 11 de julho, um acidente na fase de descolagem da Base Aérea n.º 6, no Montijo, do qual resultaram três mortos e quatro feridos, um deles em estado grave.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a Força Aérea Portuguesa refere que o “acidente ocorreu devido à impossibilidade da tripulação em controlar eficazmente a aeronave no decurso de uma manobra que visava treinar a interrupção da respetiva corrida de descolagem – manobra designada de ‘aborto à descolagem'”.

“Durante a execução de uma manobra de aborto à descolagem, a tripulação perdeu o controlo da aeronave, a qual descreveu uma trajetória para a direita sem hipótese de correção, saindo da pista e imobilizando-se”, indica o comunicado.

No entanto, o documento divulgado não adianta as razões que levaram à perda de controlo da aeronave.

Azeredo Lopes sublinhou que “o que foi testado foi uma situação de dificuldade máxima” e considerou que, nessas circunstâncias, dizer que foi “erro humano pressupõe uma atuação aquém do nível de exigência”.

“Neste caso não se verificou isso”, acrescentou, defendendo que o caso “ajuda de alguma maneira a compreender a condição militar”, já que “para que um piloto esteja preparado para atuar em qualquer teatro de operações com aquela aeronave, mesmo na formação e treino, é sujeito a situações limite que pela natureza das coisas pode colocar em risco a sua vida”.

Questionado sobre se os cortes orçamentais ocorridos no passado em manutenção e operação podem ter prejudicado o treino dos militares, Azeredo Lopes recusou essa possibilidade no caso concreto do acidente com o avião C-130.

“Há de haver outras circunstâncias em que podemos discutir se os cortes em operação e manutenção têm ou não impacto na capacidade das Forças Armadas mas seguramente não há de ser este o caso”, disse.

“Nem que tivéssemos um génio da aviação se for testado 200 vezes, podem as coisas não correr bem. Não consigo ver nem direta nem indiretamente uma relação entre os cortes que ocorreram no orçamento da Defesa e aquilo que veio a acontecer”, disse.

Azeredo Lopes elogiou ainda a Força Aérea por ter feito um relatório “esclarecedor, sem zonas de penumbra” e por tê-lo divulgado, considerando que foi “um ato de louvar”.

/Lusa

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