Militares e chavistas agrediram opositores que questionavam Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela

Cristian Hernández / EPA

Agentes da Polícia Nacional Bolivariana em formação contra opositores em protestos pelo referendo na Venezuela

Agentes da Polícia Nacional Bolivariana em formação contra opositores em protestos pelo referendo na Venezuela

Militares e motociclistas armados agrediram esta quinta-feira um grupo de 60 deputados da oposição venezuelana que pretendiam exigir ao Conselho Nacional Eleitoral o anúncio da data para verificação das assinaturas a favor dum referendo revogatório ao Presidente Nicolás Maduro.

Segundo indicaram fontes parlamentares à Agência Lusa, os deputados encontravam-se nas proximidades do CNE quando Júlio Borges, chefe da bancada da aliança opositora Mesa de Unidade Democrática, foi atacado e ferido no rosto por coletivos de chavistas armados que ali se encontravam.

Os coletivos agrediram ainda com tacos de basebol os opositores Alfonso Marquina e José Manuel Olivares, entre outros deputados.

A agressão teve lugar depois de oficiais da Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militar venezuelana, e da Polícia Nacional Bolivariana, terem usado gás pimenta, bombas de gás lacrimogéneo e tiros de borracha para impedir os deputados de entrarem nas instalações do CNE.

Pouco antes do deputado Júlio Borges, explicou aos jornalistas que acudiam “em paz” ao CNE, porque tinham “40 dias esperando” que aquele organismo “anuncie as datas para a validação das assinaturas para ativar o referendo revogatório contra o Presidente Nicolás Maduro”.

“Estamos aqui em representação dos oito milhões de pessoas que votaram pela Assembleia Nacional e pelos dois milhões de pessoas” que assinaram a favor do referendo, declarou, acrescentando que “não é possível que os venezuelanos estejam cercados” e não possam exigir os seus direitos.

Ensanguentado depois da agressão, Júlio Borges declarou que “cada golpe” fortalece a oposição, que não desistirá da vontade de mudar o Governo da Venezuela.

Miguel Gutierrez / EPA

Protestos pelo referendo na Venezuela

Protestos pelo referendo na Venezuela

O parlamentar acusou o general Fábio Zavarse, chefe da GNB, de impedir a entrada dos deputados no CNE e de “empurrar os parlamentares contra grupos de chavistas armados, que os golpearam “com tubos, pedras e engenhos explosivos”.

Entretanto, funcionários da GNB e da PNB reprimiram uma manifestação de estudantes em Caracas, que ao som de “revogatório já” pretendiam chegar ao CNE para exigir a realização do referendo.

A oposição venezuelana anunciou na segunda-feira que representantes do CNE indicaram que tinham sido validadas 1,3 milhões das 1,8 milhões de assinaturas recolhidas pela oposição para pedir a convocação de um referendo, processo para o qual era necessário menos de 200 mil assinaturas.

Ainda não houve nenhuma posilção oficial do CNE nesse sentido, apesar de informações não oficiais darem conta de que aquele organismo emitiria um comunicado na última quarta-feira.

A oposição acusa o CNE de estar aliado ao regime do Presidente Nicolás Maduro e de atrasar intencionalmente o processo para evitar que exista referendo revogatório ainda em 2016.

Se o referendo não se realizar em 2016, não será necessária a convocatória de eleições presidenciais antecipadas, prevendo a legislação que o vice-presidente Executivo dirija o país até ao final do atual mandado, que termina em 2019.

/Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

RESPONDER

Novo ano letivo marcado pelo recorde de pedidos de bolsas de estudo no superior

Número crescente de alunos e perda de rendimentos das famílias são duas das razões apontadas para os pedidos recorde. O ano letivo 2021/22 ainda agora arrancou, mas já está a bater recordes no que respeita aos …

Urgências em Lisboa estão cheias. Situação pode piorar nas próximas semanas

As urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, estão em situação crítica, com tempos de espera elevados. A situação de calamidade multiplica-se em vários hospitais do país, de …

Portugal já tem 86% da população totalmente vacinada contra a covid-19

A vacinação completa contra a covid-19 abrange já 86% da população portuguesa e são já mais de nove milhões de pessoas as que têm pelo menos uma dose da vacina, de acordo com os dados …

Direção do CDS desautoriza Telmo Correia e defende eleições "o mais brevemente possível"

A direção do CDS-PP não gostou de ouvir o líder parlamentar dizer que a melhor altura para realizar eleições legislativas seria no final de janeiro ou fevereiro. Depois de uma reunião com o presidente da Assembleia …

Órban e Le Pen apoiam a Polónia e criticam "imperialismo" da UE

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, e a líder da União Nacional (RN, na sigla em francês), Marine Le Pen, manifestaram esta terça-feira apoio à Polónia no conflito que mantém com a UE, a qual acusam …

Após goleada frente ao Bodø/Glimt, Mourinho põe de lado quatro jogadores

Em duas convocatórias consecutivas, José Mourinho deixou de fora quatro futebolistas que participaram na derrota por 6-1 frente ao Bodø/Glimt. Naquela que foi a maior derrota de sempre da carreira de José Mourinho, o Tottenham perdeu …

O que cai e o que fica: as medidas que o chumbo do OE deita por terra e as que permanecem

O grosso das medidas previstas na proposta de Orçamento do Estado para 2022 não deverá sair do papel. As aprovadas em Conselho de Ministros, por sua vez, manter-se-ão viáveis, já foram discutidas fora da sede …

Truque permite que o Orçamento não seja votado esta quarta-feira

Há um mecanismo que, se for acionado, permite que o Orçamento do Estado para 2022 sobreviva mesmo que não seja votado. O Orçamento do Estado para 2022 pode baixar à comissão sem votação. Este mecanismo, nunca …

Conceição reconhece supremacia do Santa Clara e admite culpa na derrota

O treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, reconheceu que o Santa Clara foi superior e diz-se culpado pela derrota pesada que deixa o clube fora da Taça da Liga. O FC Porto está fora da Taça …

"Vechtpartij", quadro de Jan Steen.

Antigos jogos de bebida acabavam em vinho derramado e esfaqueamentos

Hoje vistos como jogos de diversão para jovens, na antiguidade, os drinking games (jogos de bebida) eram comuns em toda a sociedade — e, por vezes, terminavam mal. O kottabos era um antigo jogo de bebida …