Micróbio “esfomeado e peludo”. Cientistas descobrem novo ramo da Árvore da Vida

The Simpson Lab, Dalhousie University

As fileiras de flagelos dão ao micróbio Hemimastix kukwesjijk uma aparência “peluda”

Uma equipa de cientistas da Universidade de Dalhousie, no Canadá, fez uma enorme descoberta ao detetar duas espécies de micróbios até agora não classificadas numa amostra de lixo canadiano. Os espécimes encontrados são tão incomuns que podem obrigar os cientistas a reorganizar a Árvore da Vida.

Em comunicado, os especialistas explicaram que estes organismos minúsculos de aparência “incomum”, apelidados de hemimastigotas, não se encaixam em nenhum reino até agora classificado, seja este relativo a plantas, animais ou até mesmo ao “super-grupo” que abrange animais e fungos simultaneamente.

De acordo com o novo estudo, publicado na semana passada na revista Nature, estes estranhos organismos são “protistas eucariotas com duas fileiras de flagelos”.

Tal como nota a publicação, a classificação de eucarionte representa todas as espécies que possuem células complexas, como é o caso dos humanos. Já a classificação de protista, inclui a maioria dos organismos que não se encaixam em nenhum dos outros três reinos eucarióticos, Animalia (animais), Plantae (plantas) ou Fungi (fungos).

Os hemimastigotas são organismos unicelulares e usam os flagelos para mover e capturar outros micróbios que consomem como presas.

Durante a investigação, os cientistas encontraram duas espécies distintas de hemimastigotas. Uma das espécies foi chamada de Spironema, tendo já sido observada microscopicamente algumas vezes desde de o século XIX no entanto, a sua classificação sempre foi um mistério para a Ciência.

Já a segunda espécie, é totalmente nova e não foi ainda “batizada”. A equipa propõe chamar a este segundo organismo Hemimastix kukwesjijk, em homenagem aos Micmac, grupo indígena que viveu na Nova Escócia. Kukwes é um “ogre esfomeado e peludo” que, segundo os cientistas, parece realmente comportar-se como um “ogre em miniatura”.

Importante descoberta para a evolução celular

“A partir das nossas análises, ficou claro que os hemimastigotas não pertencem a nenhum grupo conhecido ao nível do reino”, disse Alastair Simpson, um dos investigadores.

“Esta pequena coleção de organismos é um grupo completamente novo a esse nível”, acrescentou, afirmando que “é um ramo da Árvore da Vida que foi separado por um longo período de tempo, talvez há mais mais de 1.000 milhões de anos, e não tínhamos informações sobre este ramo em absoluto”.

O comunicado frisa ainda a importância da descoberta para compreender a evolução das células complexas nos últimos 1.000 a 2.000 milhões de anos. Para os especialista, a descoberta “abre uma nova porta para a compreensão da evolução de células complexas e as suas origens antigas, muito antes dos animais e das plantas surgirem na Terra”.

Por tudo isto, concluiu a equipa, os hemimastigotas podem representar todo um novo super-reino, podendo esboçar-se assim um novo ramo na Árvore da Vida.

ZAP // RT / Science Alert

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