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México construiu um falso templo asteca (em vez de restaurar o original)

A réplica da pirâmide foi apresentada ao público num espetáculo noturno, na semana passada. A capital mexicana quis homenagear a “resistência indígena” dos mexicanos ou astecas no 500.º aniversário da conquista.

O Templo Mayor, um centro sagrado asteca, foi encerrado em abril depois de uma tempestade de granizo ter causado o colapso de um telhado metálico no sítio arqueológico. Quase quatro meses depois, ainda não foi reparado e os restos da pirâmide e do museu adjacente permanecem fechados aos visitantes por falta de fundos.

Uma empresa mexicana, a Ocesa, decidiu investir uma boa quantia de dinheiro para construir uma réplica da lendária pirâmide asteca. Segundo a Vice, a construção foi apresentada na semana passada, num espetáculo noturno de luzes néon que iluminaram as falsas paredes de poliestireno da pirâmide.

A iniciativa de se construir uma réplica ostentosa ao lado do sítio sagrado incendiou o Twitter mexicano, que se encheu de memes e críticas.

Não se sabe quanto dinheiro foi gasto na construção da réplica, nem tampouco por que não foi atribuída qualquer quantia para reparar o templo original. Segundo as autoridades da Cidade do México, citadas pela Vice, a Ocesa recebeu um bónus fiscal pela realização do espetáculo de apresentação da réplica.

Os media mexicanos têm noticiado que, desde que tomou posse, o Presidente Andrés Manuel López Obrador cortou o orçamento do Templo Mayor em 75%, o que impediu a continuação dos esforços de escavação.

Além disso, deixou o Instituto Nacional de Antropologia e História do país sem dinheiro para reparar o telhado danificado.

O Presidente do México esteve presente na inauguração da réplica, na praça central Zócalo, naquela que foi uma estranha homenagem ao aniversário da captura da cidade e do último imperador asteca, Cuauhtémoc, pelo exército espanhol de Hernán Cortés e seus aliados, a 13 de agosto de 1521.

A réplica do Templo Mayor vai permanecer na gigantesca praça da capital durante algumas semanas para comemorar o aniversário.

  Liliana Malainho, ZAP //

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