Maltesa, antiaborto. Metsola é a nova presidente do Parlamento Europeu

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European Union / Patrick Mascart / Flickr

Roberta Metsola, candidata a presidente do Parlamento Europeu

A maltesa teve apoio não só do seu grupo parlamentar, mas também dos Socialistas e Democratas e do Renew, que vão cumprir o acordo que, em 2019, permitia eleger David Sassoli.

Segundo o Diário de Notícias, no dia em que faz 43 anos, a maltesa Roberta Metsola venceu as eleições para presidente do Parlamento Europeu.

A candidata do Grupo do Partido Popular Europeu (PPE), o maior do hemiciclo, enfrentou três outros adversários, mas contou com o apoio do Grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), apesar da falta de consenso devido à sua posição antiaborto, e do Renew Europe.

Em 2019, houve um acordo a três entre o PPE, o S&D e o Renew, para a partilha de poder. Os partidos previam a eleição do socialista David Sassoli, que morreu na semana passada, como presidente do Parlamento Europeu durante a primeira metade do mandato, passando depois a pasta a alguém do PPE.

O acordo abria a porta à eleição da conservadora alemã Ursula von der Leyen como presidente da Comissão Europeia e de Charles Michel, do Renew, como presidente do Conselho Europeu.

Os socialistas optaram por não apresentar uma alternativa a Metsola e ontem anunciaram “ter alcançado um acordo com o PPE e o Renew para garantir uma maioria de trabalho estável até 2024”, que inclui uma “forte representação institucional do eurodeputados do S&D e acordos num documento de trabalho com as nossas prioridades: estado de Direito, direitos das mulher, dimensão social e regras fiscais”.

Os socialistas ainda estudaram lançar o seu próprio candidato, temendo a perda de influência ao nível europeu, numa altura em que a esquerda ganhou novo fôlego com a vitória de Olaf Scholz na Alemanha.

Ainda de luto pela morte de Sassoli, os socialistas estão divididos em relação a  Roberta Metsola.

Eleita eurodeputada em 2013, casada com um finlandês e mãe de quatro filhos, a maltesa é desde 2019 a primeira vice-presidente do Parlamento Europeu, tendo assumido interinamente a presidência nos últimos dias, em substituição do italiano.

Para o líder do grupo do EPP, Manfred Weber, “Metsola é o rosto de um Parlamento Europeu moderno, virado para o futuro e fonte de inspiração para todos”.

Mas apesar do seu currículo de defesa dos direitos LGBT e dos migrantes, é a sua posição antiaborto que gera problemas à esquerda.

Malta é o único país da União Europeia onde a interrupção voluntária da gravidez é totalmente proibida.

Esta questão é especialmente significativa, visto que Metsola será a terceira mulher a liderar o Parlamento Europeu. A primeira foi a francesa Simone Veil, responsável pela aprovação em 1974 da lei da despenalização do aborto em França.

Como resposta, o Grupo dos Verdes e o da Esquerda Unitária optaram por nomear duas feministas, a sueca Alice Bah Kuhnke, no primeiro caso, e a espanhola Sira Rego, no segundo.

Qualquer uma delas pode ter atraído votos de socialistas descontentes com Metsola. O último candidato era o conservador polaco Kosma Złotowski.

A eleição, que Sassoli tinha decidido em dezembro que seria presencial para respeitar a “natureza solene” do ato, foi realizada de forma remota, por causa do aumento dos casos de covid-19, provocado pela variante Ómicron.

A eleição, presidida pelo socialista português Pedro Silva Pereira, o segundo vice-presidente do Parlamento Europeu, começou às 8:30h, com os resultados esperados partilhados por volta 10:00h (em horas portuguesas).

Depois de eleita presidente, os eurodeputados elegerão os 14 vice-presidentes — Silva Pereira é candidato de novo — e os cinco questores que, todos juntos, compõem a Mesa do Parlamento Europeu.

A votação determinará a composição deste órgão nos próximos dois anos e meio, ou seja, até 2024.

Quem eram os outros candidatos?

A sueca Alice Bah Kuhnke, de 50 anos, é a vice-presidente e candidata do Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia —  que inclui o independente português Francisco Guerreiro.

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Antiga jornalista, como o falecido David Sassoli, foi ministra da Cultura, antes de ser eleita eurodeputada em 2019. Filha de pai da Gâmbia, é casada e tem três filhos.

O polaco Kosma Złotowski, de 58 anos, eleito pelo partido Lei e Justiça (no poder), é o candidato do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus.

É eurodeputado desde 2014, tendo sido antes autarca de Bydgoszcz, senador e deputado. Também passou pelo jornalismo, é casado e tem dois filhos.

A valenciana Sira Rego, de 48 anos é eurodeputada desde 2019, tendo sido eleita pela aliança Unidas Podemos — é militante comunista dentro da Esquerda Unida.

É a candidata do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, do qual é vice-presidente e a que pertencem tanto o Bloco de Esquerda como o PCP.

Homenagem a Sassoli

O Parlamento Europeu prestou ontem homenagem ao falecido presidente David Sassoli, com discursos solenes que lembraram o sorriso do italiano, as suas palavras de defesa da democracia e da união da Europa e rosas brancas.

O jornalista que se tornou eurodeputado envolveu-se na juventude com o movimento político católico Rosa Branca, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a lembrar que esta flor se tornou num “símbolo do seu compromisso político e moral ao longo da vida”.

O amigo Enrico Letta, ex-primeiro-ministro italiano, lembrou que para Sassoli “a democracia não devia ser tomada como certa” e que era preciso lutar por ela.

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Vamos continuar o teu trabalho. As tuas lutas vão continuar a ser as nossas lutas”, realçou o ex-primeiro ministro.

  ZAP //

3 Comments

  1. PARLAMENTO EUROPEU – As mulheres estão em alta na politica europeia. Não bastaram, no passado, as Catarinas, Maria Tereza, Maria Antonieta, Margareth ( Thatcher ) e mais a eletebegiana Úrsula Von der Leyen, e logo aparece a maltesa Roberta Metsola , não esquecendo a nossa queridíssima Angela Merkel.. Efusivos parabéns a Dignífica Roberta Metsola. ´ ´´E o que pensa joaoluizgondimaguiargondim – [email protected]

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