Cientistas desenvolvem método de tratamento inovador para a leucemia

Os cientistas conseguiram reverter células de leucemia em células inofensivas. O método ainda não foi testado num paciente, mas é altamente promissor.

Uma equipa de investigadores espanhóis e israelitas desenvolveu um método de tratamento inovador para a leucemia.

Os autores conseguiram reverter células de leucemia altamente proliferativas para células normais inofensivas, alterando as modificações químicas de seus ARNs mensageiros.

A leucemia é um cancro que tem início nas células do sangue. Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células.

Quando as células envelhecem, morrem e novas células tomam o seu lugar. Por vezes, este processo corre mal. Formam-se novas células quando o organismo não precisa delas, e as células velhas não morrem, quando deviam.

Nas pessoas com leucemia, a medula óssea produz glóbulos brancos anómalos. No início, as células de leucemia funcionam quase normalmente.

Com o tempo, ultrapassam, em número, os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas. Torna-se, assim, difícil o sangue conseguir realizar a sua função, explica a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Aquilo que causa exatamente a leucemia ainda não é totalmente compreendido pelos cientistas, e o seu tratamento também pode ser complicado.

“Sabemos que uma estratégia que os tumores humanos têm para evitar a eficácia dos medicamentos é mudar a sua aparência, tornando-se outro cancro semelhante, mas insensível ao medicamento”, disseram os autores, citado pelo The Jerusalem Post.

“Por exemplo, as leucemias da linhagem linfática são mudadas para a estirpe mieloide para escapar ao tratamento”, acrescentaram.

Os cientistas conseguiram, num ambiente controlado, que células de leucemia fossem transformadas em células inofensivas chamadas macrófagos. De acordo com o Interesting Engineering, isto resultou numa revisão nas mudanças químicas que ocorrem no seu ARN mensageiro.

O ARN mensageiro é responsável pela transferência de informações do ADN até ao citoplasma. A sua função é orientar a síntese de proteínas, estruturas cujo papel central em todos os seres vivos é a manifestação das características hereditárias contidas no ADN.

Resultados promissores

“Os primeiros medicamentos pré-clínicos contra este alvo já foram desenvolvidos em modelos experimentais de doenças malignas do sangue, por isso fornecemos mais uma razão pela qual esses novos medicamentos podem ser úteis em terapias contra o cancro, principalmente no caso de leucemias e linfomas”, disse o Manel Esteller, autor correspondente do estudo.

Os resultados da investigação foram recentemente publicados na revista científica Leukemia.

Embora os resultados ainda não tenham sido testados num paciente, são bastante promissores para o tratamento da leucemia — e não só. O método de transformar células cancerígenas em células ‘saudáveis’ pode vir a ser a nova técnica da medicina para derrotar o cancro.

A investigação científica na área da oncologia tem registado avanços promissores nos últimos tempos. Na semana passada, um pequeno ensaio de medicamentos realizado nos EUA descobriu que todos os pacientes tratados na experiência tiveram o seu cancro retal em remissão com sucesso.

Além disso, investigadores da Universidade de Birmingham descobriram uma nova forma através da qual as células cancerígenas podem reparar danos no ADN.

  Daniel Costa, ZAP //

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