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Metade dos chefes de equipa da Urgência do Hospital de Braga demitiu-se em bloco

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Uma dezena de chefes de equipa da Urgência do Hospital de Braga demitiu-se esta segunda-feira, em protesto contra a falta de condições de trabalho e o “desinvestimento” no Serviço Nacional de Saúde.

Contactada pela agência Lusa, a administração do hospital disse que o Serviço de Urgência “mantém o normal funcionamento”, sublinhando que os chefes de equipa que se demitiram representam “cerca de metade do total”.

A administração disse ainda que está “em diálogo” com os chefes de equipa demissionários “por forma a chegar a um consenso célere entre todos os intervenientes”.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, manifestou solidariedade para com os demissionários, sublinhando que este é mais um “grito de alerta” para a “escassez” de profissionais e de meios que se regista “um pouco por todos os hospitais públicos do país”.

“Quando um especialista que trabalha 40 horas semanais recebe cerca de 1800 euros líquidos de salário, e quando um especialista que trabalha 35 horas recebe 1150 euros, é fácil compreender a fuga para o privado”, referiu.

Para Roque da Cunha, os privados “também oferecem outro tipo de equipamento”, o que acaba igualmente por funcionar como um “chamariz” para os médicos.

O resultado, acrescenta, é um número “insuficiente” de médicos no Serviço Nacional de Saúde e um “crescente” recurso a empresas de prestação de serviços.

“É fundamental atrair profissionais, não apenas através da correta remuneração, mas também oferecendo condições de trabalho e de progressão e diferenciação profissional. É fundamental tratar bem os médicos e evitar as rescisões que têm ocorrido”, refere um comunicado do SIM.

O sindicato exige que a ministra da Saúde “receba os sindicatos e negoceie uma grelha salarial”, uma negociação, acrescenta, “que o Governo se comprometeu por escrito a fazer, há oito anos”.

“Não adianta o Ministério da Saúde proclamar que tudo está bem, que há muito mais meios. A realidade prevalece em relação à propaganda”, disse ainda o sindicato.

  // Lusa

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