Escravatura. Há mercados públicos a vender jovens mulheres por 12 euros

A escravatura não é um fantasma do passado. Ainda nos dias de hoje, há jovens mulheres a serem vendidas em mercados públicos como se fossem gado. Muitas delas acabam nestas situações à procura de uma vida melhor.

É o caso de Christine Nambereke, que em setembro do ano passado trocou o Uganda por Omã, numa tentativa de ajudar o seu marido e sete filhos. Um agente prometeu à mulher de 31 anos um emprego com um salário mensal de 148 euros. No entanto, quando chegou a Mascate, foi vendida como escrava. Acabaria por regressar ao Uganda, em maio, mas já sem vida.

A situação é dada a conhecer pelo OZY, que alerta para uma crise crescente de mulheres que são comercializadas como escravas do Uganda para países do Golfo Pérsico. Nambereke é apenas uma das 16 mulheres que, no ano passado, morreram de causas não-naturais após se queixarem de sofrer abusos.

Muitas das mulheres são vendidas ainda na juventude, entre os 10 e os 18 anos, e são direta e publicamente “compradas” como escravas no Uganda e depois revendidas para o Médio Oriente.

A venda de escravas começou no Uganda em janeiro de 2018, em Arapai, o segundo maior mercado público do país. Inicialmente, começou com cinco mulheres, mas rapidamente o número foi crescendo e, no espaço de um par de meses, já eram 20 por dia. Simultaneamente, a prática foi-se alargando a outros mercados públicos.

Só no ano passado, estima-se que 9.000 mulheres foram vendidas como escravas nestes mercados. Muitas delas custaram nada mais do que 12 euros.

Shivan Kihembo, uma das vítimas do comércio de escravos, tinha apenas 22 anos quando morreu em Omã, poucos meses após lá ter chegado. Os ‘donos’ de Kihembo exigiram dinheiro ao seu pai caso ele quisesse o corpo da filha de volta.

“Vendi a minha terra… e enviei para o chefe dela em Omã antes que o corpo fosse libertado”, disse Patrick Mugume, pai de Kihembo.

Situações como as descritas não são caso única do Uganda – noutros países acontece o mesmo. No entanto, o que distingue este país africano com 42 milhões de habitantes é a abertura com que as mulheres estão a ser leiloadas nos mercados, lado a lado com animais de estimação e utensílios domésticos.

ZAP ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Aqui está uma questão verdadeiramente séria para os antirracistas, os antifascistas e as feministas ocidentais se preocuparem.
    Porquê que não organizam uma manifestação mundial para combater a escravidão?

  2. Culpa do Musseveni. Ele é implacavel para questões menores e não actua neste caso? O negócio é aberto no Uganda: …abertura com que as mulheres estão a ser leiloadas nos mercados, lado a lado com animais de estimação e utensílios domésticos.

  3. Os arruaceiros andam muito ocupados a ressuscitar assuntos do passado, há muito ultrapassados porque as sociedades ocidentais evoluíram e não veem nada do que se passa à sua volta. Otro exemplo é no Brasil onde acusam os bandeirantes (viveram nos séculos XVI, XVII) de matar indígenas e não fazem nada contra as matanças que acontecem hoje em dia! Criticam os portugueses (séculos XV a XVIII) por fazerem comércio de escravos mas não fazem qualquer referência aos que os capturavam e vendiam aos portugueses. Idiotas ignorantes!

  4. Mulheres???! CRIANÇAS!
    E adolescentes!
    Quem escreveu isto era adulto com 10 anos e os seguintes?
    Como vão melhorar as coisas se a informação é passada com interpretação inadequada?

  5. Eis um caso que vale a pena lutar, denunciar casos REPUGNANTES mas pelos vistos os anti racistas estão preocupados a pilhar supermercados e lojas de electrodomésticos….Uma vergonha.

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