Médicos, enfermeiros e professores lamentam recondução de ministros

Nuno Fox / Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido

Médicos, enfermeiros e professores lamentaram a recondução de ministros na pasta da Saúde, Educação e das Finanças, reagindo assim à constituição do novo Governo entregue em Belém pelo primeiro-ministro indigitado, António Costa.

O secretário-geral do PS  apresentou esta terça-feira ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Executivo para os próximos quatro anos de legislatura.

Num Governo com cinco novos ministros – Ana Mendes Godinho, Maria do Céu Albuquerque, Alexandra Leitão, Ana Abrunhosa e Ricardo Serrão Santos -, 14 outros governantes foram reconduzidos, entre os quais Mário Centeno, ministro das Finanças e também presidente do Eurogrupo, bem como Marta Temido, que tutela a Saúde.

O bastonário da Ordem dos Médicos lamentou algumas escolhas de António Costa, considerando que o primeiro-ministro “não está a saber aproveitar a nova oportunidade que os portugueses lhe deram” ao manter os mesmos ministros da Saúde e das Finanças.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Guimarães, nota que António Costa “manteve os dois principais responsáveis pelo estado da Saúde em Portugal”, referindo-se ao ministros das Finanças, Mário Centeno, e da Saúde, Marta Temido.

“Não sei se esta escolha do primeiro-ministro é para ter um Serviço Nacional de Saúde mais forte ou para continuar a ser as Finanças a dominar sobre a saúde dos portugueses. Creio que é a segunda hipótese”, afirmou Miguel Guimarães, acrescentando depois que a ministra da Saúde “nada fez de significativo” pela saúde em Portugal.

Já o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos saudou esta terça-feira o primeiro-ministro pela sua indigitação e pela recondução de Marta Temida como ministra da Saúde, manifestando “total disponibilidade” para “fortalecer e salvar” o SNS.

“O Sindicato Independente dos Médicos saúda o senhor primeiro-ministro [António Costa] pela sua indigitação bem como a sua escolha para ministra da Saúde a doutora Marta Temido”, disse Jorge Roque da Cunha à agência Lusa.

Ana Rita Cavaco recorda que os enfermeiros não esquecem

As críticas chegaram também da parte dos enfermeiros pela voz da sua Bastonária: apesar de esperar um caminho de mudança, Ana Rita Cavaco recordou que a ministra reconduzida foi a governante que “apelidou os enfermeiros de criminosos” e que os enfermeiros não esquecem o que aconteceu.

À Lusa e reagindo à recondução de Marta Temido, a bastonária disse esperar uma “mudança no caminho e na relação que a ministra tem com a classe em si”, e não tanto com a Ordem, recordando que os enfermeiros são a maior classe profissional do SNS.

A bastonária aludiu ainda a declarações da ministra feitas em dezembro do ano passado, quando, numa entrevista disse ter-se recusado a iniciar conversações com os enfermeiros em greve pois isso seria beneficiar “o criminoso, o infrator”. Depois desta declaração, a ministra enviou um pedido de desculpas através da própria bastonária.

Ana Rita Cavaco lamenta contudo a “falta de disponibilidade” que Marta Temido foi revelando para com os parceiros profissionais e sociais, mas mostra-se disponível para “dialogar e resolver problemas em conjunto (..) Da nossa parte podem contar com disponibilidade para o diálogo mas também para continuar a fazer denúncias sempre que houver uma quebra na segurança da prestação de cuidados de enfermagem”, referiu.

Tiago Brandão Rodrigues “foi um não-ministro”

Também os professores lamentaram a continuação de Tiago Brandão Rodrigues, que continuará à frente do ministério da Educação. O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou esta terça-feira que a continuidade de Tiago Brandão Rodrigues como ministro da Educação é “uma afronta e uma provocação” aos professores, referindo que “não tem méritos para continuar”.

“Para os professores é sentido como uma afronta e uma provocação. Alguém que levou o confronto ao extremo em relação aos professores, levou à mesa que devia ser negocial a chantagem e que nos momentos em que era mais importante haver ministro da Educação não existiu”, disse Mário Nogueira em declarações à agência Lusa.

O secretário-geral da Fenprof referiu que em vários problemas, como as greves dos professores ou problemas com os cortes ao financiamento dos colégios privados e a discussão da identidade de género, “quem deu a cara” foram os secretários de Estado.

“É uma pessoa que já conhecemos, que demonstrou ser incapaz de dialogar, negociar e enfrentar o protesto, não tendo solução para os problemas. Quem segurou nas pontas do Ministério da Educação nos últimos quatro anos foram os secretários de Estado”, disse, acrescentando que as expectativas são “muito baixas”.

“Nem sabemos o que se pode reconhecer de mérito ao ministro, a não ser os diferentes momentos de afronta contra os professores, para poder continuar. Penso que é o primeiro ministro da Educação que continua após quatro anos de uma legislatura, mas de certeza que não é pelo excelente trabalho que desenvolveu na educação, muito pelo contrário”.

Em declarações à SIC Notícias, Mário Nogueira reiterou que a classe não tem expectativas nenhumas com este governante, uma vez que já sabem que é “Tiago Brandão Rodrigues”. No seu entender, o governante foi, na última legislatura, sobretudo um ministro do Desporto e um “não-ministro” da Educação.

Por sua vez, o presidente da Federação Nacional da Educação disse esta terça-feira que a recondução do ministro da Educação “era bastante expectável” e considerou que Tiago Brandão Rodrigues tem a vantagem de conhecer os dossiês e problemas do setor.

“Era bastante expectável a continuidade”, afirmou à agência Lusa João Dias da Silva, referindo que o ministro da Educação proposto “tem a vantagem de conhecer os dossiês que estão por resolver, os problemas que estão identificados e que precisam de ser solucionados, particularmente os que dizem respeito às carreiras dos profissionais da educação, docentes e não docentes”.

ZAP // Lusa

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