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A máscara do Joker passou das salas de cinema para os protestos nas ruas

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Alberto Valdes / EPA

Um manifestante mascarado de Joker em mais um dia de protestos no Chile

A máscara do “Joker”, o eterno rival do super-herói Batman, passou das salas de cinema para os protestos espalhados pelo mundo, desde o Médio Oriente à América Latina.

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O filme “Joker”, que tem Joaquin Phoenix como principal protagonista, não está apenas a bater recordes de bilheteira (em Portugal, no fim-de-semana de estreia, levou mais de 155 mil espetadores às salas de cinema). Tal como conta a CNN, a máscara do famoso vilão do Batman está agora a tornar-se um símbolo dos protestos em todo o mundo.

É o caso do Líbano e do Iraque, países do Médio Oriente onde as manifestações anti-governamentais e anti-corrupção têm tomado conta das ruas e onde artistas invocaram a mítica personagem em alguns cartazes ou nas redes sociais.

“O Joker somos todos nós. Beirut é a nova Gotham City. Esta é a situação da sociedade libanesa neste momento, cheia de pessoas desfavorecidas, cheia de pessoas oprimidas que estão extremamente frustradas e que estão à procura de uma janela de esperança”, explica ao canal norte-americano o artista libanês Mohamed Kabbani.

Na América Latina, o Chile, inicialmente por causa do aumento dos preços do metro, e a Bolívia, por causa da reviravolta nas Presidenciais que deram uma nova vitória a Evo Morales, também têm sido palco de vários confrontos e protestos.

“O Joker é uma personagem incompreendida, vulnerável e abandonada. Os chilenos, os que não pertencem a uma classe social privilegiada — que são a maioria de nós — sentem-se da mesma forma”, explica a psicóloga chilena Valentina Alvarez.

Também em Hong Kong, onde os protestos contra o Governo de Carrie Lam já duram há vários meses, manifestantes mostram-se nas ruas mascarados de Joker como uma forma de protesto, fazendo frente à polémica lei anti-máscaras.

Em declarações à mesma estação televisiva, Andreas Beer, investigador do HoF-Institute, da Universidade de Martin Luther de Halle-Wittenberg, na Alemanha, diz que usar a figura do Joker é uma forma eficaz de os protestantes se sentirem vistos e ouvidos.

“O que estão a fazer quando se maquilham como o Joker ou quando usam a sua máscara é basicamente comunicar ao Governo, quer seja em Hong Kong ou no Líbano: ‘Eu estou no fundo agora, mas tem cuidado com o que vais fazer a seguir'”.

Além disso, ninguém consegue resistir a um bom vilão. “Se olharmos para o Joker, é uma mistura ambígua entre algo engraçado e ameaçador. É um palhaço de horror e isso, de alguma forma, é fixe. As pessoas podem fazer memes com isso”.

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Porém, esta não é a primeira vez que uma máscara se torna um símbolo de protesto. A máscara de Salvador Dalí, usada na série “La Casa de Papel” e a máscara de Guy Fawkes, que podemos ver no filme “V de Vingança”, são outros exemplos.

Realizado a partir de um argumento que Todd Phillips escreveu em parceria com o escritor norte-americano Scott Silver, Joker apresenta uma visão original do cineasta sobre o famoso vilão da DC

  ZAP //

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