Marte vai inverter brevemente a sua trajetória nos céus (e brilhar intensamente)

O brilhante Planeta Vermelho começou um desvio em ziguezague pelos céus durante este fim-de-semana. Em apenas 5 semanas, Marte fará a maior aproximação à Terra desde de agosto de 2003.

Durante esta semana será possível ver Marte, um pouco antes da meia noite, no céu a leste-sudeste, quase alinhado com Júpiter, brilhando intensamente como se fosse uma brasa laranja-amarelada. Marte vai continuar a brilhar cada vez mais a cada semana que passe.

Na época de ano novo, Marte brilhava na constelação zodiacal de Libra. Por essa altura, estava a 292 milhões de quilómetro da Terra. Agora, e até ao final da próxima semana, a distância de Marte à Terra terá diminuído para 68,2 milhões de quilómetros. O Planeta Vermelho brilha agora 25 vezes mais que no início deste ano.

No entanto, a 28 de junho a estável trajetória  de Marte para o leste vai parar. Desde o inicio do mês, que o planeta parece ter desacelerado a sua trajetória, quase sem hesitar, como se a trajetória se tivesse tornando incerta. Depois, nos próximos dois meses, Marte vai inverter a trajetória nos céus, parecendo mover-se para trás, contra o fundo da estrela em direção a oeste.

No dia 28 de agosto, o planeta fará uma breve pausa antes de retomar o seu movimento normal para leste.

Os Gregos ficaram perplexos, Copérnico não

Todos os planetas do nosso sistema solar mostra este “movimento retrógrado” ocasionalmente. Mas, durante muito tempo, os astrónomos antigos foram incapazes de encontrar uma explicação para este fenómeno.

Embora Marte tenha este comportamento estranho, o planeta também parece estar a desviar-se significativamente da sua trajetória normal. O “movimento retrógrado” parece estar a trazê-lo muito abaixo da faixa orbital regular.

Para quem observa Marte a partir da Terra, o planeta parecerá viajar num circuito amplo durante os próximos 2 meses, medindo cerca de 2 graus de comprimento e 2,5 de largura.

Os gregos – que acreditavam convictamente que o sol, a lua e os planeta giravam em torno da Terra em círculos perfeitos – sentiram grandes dificuldades em representar e calcular esta misterioso “volta”, não tendo, durante muitos anos, uma explicação adequada para o acontecimento.

Explicar por que motivo Marte descrevia por vezes um movimento em volta e, noutras vezes, em ziguezague foi também um problema. Mas foi exatamente o que o planeta fez na primavera de 2016 e voltará a fazer no final do outono de 2022.

Finalmente, os gregos conseguiram explicaram estas anomalias, assumindo que os planetas se moviam ao redor da Terra em “epiciclos” menores – ou seja, moviam-se em pequenos círculos cujos centros se movem ao longo dos seus principais círculos orbitais em volta da Terra, resultando em curvas complexas.

Esta explicação acabou por se mostrar completamente inútil, uma vez que os resultados reais dos planetas nunca se encaixaram neste estranho mecanismo orbital.

Até 1543, quando o astrónomo polaco Nicolau Copérnico (1473-1543) publicou o trabalho duma vida, De revolutionibus, no qual finalmente revelou o segredo das estranhas voltas retrógradas. Ao rebaixar a Terra da sua posição sagrada no centro do sistema solar, substituindo-a pelo Sol, Copérnico foi capaz de explicar de forma triunfante o enigma do aparente “efeito de movimento retrógrado” dos planetas.

Afinal, é tudo uma ilusão

Na verdade, o efeito dos planetas é exatamente o mesmo que ocorre quando um carro ultrapassa outro na estrada: há dois automóveis se movem na mesma direção, mas um move-se mais devagar. À medida que é ultrapassado, o carro mais lento parece mover-se para trás relativamente ao carro mais rápido.

Copérnico aplicou o mesmo efeito aos planetas no espaço. Nesta situação, tanto a Terra como Marte estão a mover-se na mesma direção em volta do Sol, mas o mais lento – Marte – parece mover-se para trás em comparação com o mais veloz, a Terra.

É importante sublinhar que Marte não se encontra parado nem a reverter o seu caminho orbital no espaço. O que está a acontecer é apenas uma ilusão baseada na perspetiva. Marte continuará a mover-se na sua órbita elíptica regular à volta do Sol.

O que estamos a observar – a paragem, a reversão trajetória e o regresso ao seu caminho regular – é apenas resultado de vermos Marte a partir da nossa perspetiva da Terra, à medida que cada planeta viaja pelo espaço em caminhos orbitais separados e com diferentes velocidades ao redor do sol. Tal como acontece quando vemos o carro mais lento do ponto de vista do carro mais rápido.

Depois de 28 de agosto, os movimentos retrógrados de Terra e Marte vão parar. Tendo passado mais de metade do ano “em fuga” e, finalmente tendo conseguido alcançar Marte, a Terra deixará eventualmente o planeta para trás.

O brilho de Marte que agora observamos será também revertido. Desaparecendo consequentemente, e de forma igualmente rápida, ao longo da última metade deste ano.

ZAP // Space.com

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2 COMENTÁRIOS

  1. o planeta também parece estar a desviar-se significativamente da sua trajetória normal.

    Quem escreveu isto esqueceu-se que a orbita dos planetas está bem categorizada e que Marte não sai da sua rota estabelecida por todos.

    Cumprimentos

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