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Marroquino acusado de terrorismo condenado a 12 anos de prisão. “Espero que o seu Deus lhe perdoe”

O cidadão marroquino acusado de recrutar em Portugal operacionais para o Estado Islâmico (EI) foi condenado, esta terça-feira, a 12 anos de prisão em cúmulo jurídico.

Abdesselam Tazi, 65 anos, foi condenado por sete dos oito crimes de que estava acusado, tendo o tribunal considerado não provado apenas o crime de adesão a organização terrorista internacional.

O cidadão marroquino, em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, foi condenado a 12 anos de prisão em cúmulo jurídico por falsificação com vista ao terrorismo, recrutamento para o terrorismo, financiamento do terrorismo e quatro crimes de uso de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo.

Segundo a acusação do Ministério Público (Mp), Tazi deslocou-se várias vezes ao Centro de Acolhimento para Refugiados, no concelho de Loures, para recrutar operacionais para o Estado Islâmico, prometendo-lhes mensalmente 1.800 dólares (cerca de 1.500 euros).

O Ministério Público conta que o marroquino “passou a visitar regularmente” o CAR “para dar apoio às pessoas em relação às quais organizara a sua vinda para Portugal e outros migrantes jovens que pudessem ser radicalizados e recrutados para aderirem ao Daesh”, procurando convencê-las de “que teriam uma vida melhor se aderissem ao Daesh e fossem viver para a Síria”.

O advogado de Tazi, Lopes Guerreiro, disse que vai recorrer da sentença, considerando que esta é ambígua. O advogado manifestou uma reação de “surpresa” pelos crimes a que o marroquino foi condenado, “tendo em conta a prova produzida em julgamento”.

“Esta decisão apanha-me de surpresa, não obstante a absolvição do crime de adesão a organização terrorista internacional. O indivíduo sai daqui absolvido por ter aderido a uma organização terrorista internacional, mas acaba condenado por ter recrutado alguém para uma organização da qual não faz parte”, lançou a dúvida.

“A decisão é extensa, terei de a ler e só depois posso dizer alguma coisa em concreto, mas o recurso é evidente que vai ser interposto porque a decisão não se compadece com a prova que foi produzida em julgamento e que está no processo”, acrescentou.

Tazi, em prisão preventiva desde março de 2017 na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, respondia por oito crimes: adesão a organização terrorista internacional, falsificação com vista ao terrorismo, recrutamento para o terrorismo, financiamento do terrorismo e quatro crimes de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo.

“Espero que o seu Deus o perdoe”

“Espero que o seu Deus lhe perdoe”, disse o juiz, citado pelo jornal Público, no final da leitura da sentença. “O senhor é um homem religioso. Eu também sou (…) O senhor veio do seu país para convencer uns miúdos indefesos a aderir à sua causa”, apontou.

O magistrado apontou depois o facto de o arguido financiar a sua vida com recurso aos cartões de crédito de outras pessoas: “A sua atividade não era normal. Vivia da utilização de cartões de crédito”, disse, sublinhando que não se percebia como é que um homem que era tão religioso e conservador andava a viver com dinheiro dos outros.

“Não percebo como é que uma pessoa com as suas convicções se permite viver desta forma. Por um lado, é rígido com o comportamento das mulheres e depois em coisas bem mais graves não se importa a andar a defraudar as pessoas, a utilizar cartões de crédito para depois andar a recrutar jovens para irem para a Síria”.

Ao ouvir as palavras do juiz, conta o matutino, Tazi respondia: “Não. Não”, reiterando que não recrutou ninguém e que as denuncias contra a sua pessoa foram uma vingança por não aceitar traficar droga.

  ZAP // Lusa

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