Manuscrito desconhecido de John Locke encontrado numa biblioteca de Maryland

O manuscrito original de John Locke, com mais de 300 anos, foi encontrado nos arquivos da biblioteca da Universidade de St. John, no campus de Anápolis, em Maryland.

Foi o académico independente J. C. Walmsley, com a ajuda do seu antigo colega de Cambridge, Felix Waldman, que encontrou o documento. Waldman contou ao Wall Street Journal como Walmsley, ao folhear um catálogo de livros de 1928, se deparou com o título de um texto de John Locke que desconhecia. O título, Reasons for Tolerating Papists Equally with Others, levava a crer que se tratava de uma atribuição errónea. E

Em 1689, na sua Carta Sobre a Tolerância, uma das obras-chave de Locke, posterior à que foi encontrada, o filósofo propõe uma visão liberal da Igreja Anglicana na sua relação com as seitas protestantes, mas não estende essa tolerância a católicos e ateus.

O surgimento do manuscrito foi uma surpresa. Ao receber uma versão digitalizada do documento, Walmsley identificou de imediato a caligrafia de Locke e a sua busca incessante levou-o a Anápolis. O documento contém uma sucessão lógica, bem à maneira lockeana, que põe a polémica hipótese de tolerar os católicos, num tempo em que estes e protestantes se perseguiam e se opunham em conflitos militares.

O filósofo acaba por concluir a impossibilidade de poder estender a tolerância aos católicos, visto que a infalível autoridade do papa sobre estes entrava em conflito com a obediência que deviam prestar ao governo inglês. Os académicos já dedicaram um estudo à sua descoberta, publicado no Historical Journal da Cambridge University Press.

John ​Locke nasceu e viveu na Inglaterra do século XVII, enquanto emergiam no continente europeu os estados absolutos, liderados por monarcas que concentravam todo o poder sob o inviolável e divino direito de governar.

Pelo contrário, no parlamento inglês, lutava-se para limitar as tendências centralistas. Depois de uma tentativa falhada de assassinato do rei Carlos II de Inglaterra, em 1683, John Locke apesar de não estar diretamente envolvido, viu-se obrigado a fugir da sua terra natal e a procurar exílio nos Países Baixos durante seis anos.

Aí reforçou as suas ideias sobre a tolerância e a relevância da liberdade no quadro da monarquia constitucional, bem como a sua condenação do absolutismo régio, que associava aos permanentes conflitos religiosos e políticos que assolaram a Europa.

​Quando partiu para o exílio, o filósofo terá deixado na posse do seu amigo e membro do parlamento Edward Clarke, em conjunto com outros textos, este manuscrito. Ao longo de várias gerações ficou na posse da família, até passar para a posse da leiloeira Sotheby’s em 1922. Trocado de mão em mão, acabou por ser doado à Universidade de St. John.

O pensamento de Locke é considerado uma das pedras fundacionais do liberalismo clássico e da democracia ocidental, que influenciou o movimento intelectual e filosófico que reinou no século XVIII – o Iluminismo –, bem como os ideais da revolução francesa e da constituição americana.

ZAP ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

Austrália aprova lei e é o primeiro país a obrigar Facebook e Google a pagar conteúdos jornalísticos

O Parlamento da Austrália aprovou a lei que impõe à Google e ao Facebook o pagamento aos órgãos de comunicação australianos pela publicação dos seus conteúdos jornalísticos, a primeira legislação do mundo deste género. A lei …

Situação clínica de Alfredo Quintana é "muito grave"

Alfredo Quintana, guarda-redes de andebol, de 32 anos, sofreu uma paragem cardíaca num treino, na segunda-feira. Encontra-se internado no Hospital de São João, no Porto, e a situação clínica é "muito grave". A situação clínica …

Documentos mostram que assassinos de Khashoggi usaram aviões de empresa controlada pelo príncipe herdeiro

Documentos judiciais revelam que os dois jatos particulares usados ​​pelos supostos assassinos do jornalista Jamal Khashoggi pertenciam a uma empresa que, menos de um ano antes, tinha sido apreendida pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Os …

António Guterres agradece confiança do Governo português

O secretário-geral da ONU expressou, esta quarta-feira, agradecimento e humildade por receber o apoio oficial do Governo português para um segundo mandato e prometeu fazer de tudo para continuar a ser digno da renomeação. "O secretário-geral …

Israel identifica cidadãos que não foram vacinados. Na Galiza, quem recusar vacina arrisca multa

O Parlamento israelita autorizou esta quarta-feira o Ministério da Saúde a comunicar às entidades públicas do país as identidades de pessoas não vacinadas contra a covid-19, levantando preocupações sobre a privacidade dos cidadãos que recusam …

Testes por saliva usados em eventos-piloto antes de festivais de verão

Os agentes ligados a festivais e concertos e a Direção-Geral de Saúde (DGS) vão realizar várias experiências-piloto para se perceber em que moldes se podem concretizar os festivais de música no verão. Uma das ideias é …

Mais 49 mortes e 1.160 casos de covid-19. Há menos doentes internados do que no Natal

O boletim divulgado esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que foram registados 1.160 novos casos de covid-19 em Portugal. Nas últimas 24 horas, morreram 49 pessoas. Portugal registou, esta quinta-feira, 1.160 novos casos de …

Bruxelas vai rever regras de uso de telemóvel em roaming

A Comissão Europeia vai rever as regras sobre o roaming do telemóvel, ajustando as tarifas máximas e aumentando a transparência, tendo em vista que o regulamento em vigor caduca a 30 de junho de 2022. Segundo …

Amnistia Internacional retira estatuto de prisioneiro de consciência a Navalny

A Amnistia Internacional anunciou que não pode considerar o principal opositor russo um "prisioneiro de consciência" devido a algumas declarações nacionalistas e xenófobas feitas por si no passado. Esta informação foi revelada, na terça-feira, pelo jornalista …

CGTP volta à rua com concentrações nos distritos e greves e plenários nas empresas

A CGTP vai voltar à rua pela valorização dos salários e do emprego e o respeito pelos direitos individuais e coletivos. A CGTP volta à rua com uma Jornada Nacional de Luta descentralizada para exigir melhores …