O maior sacrifício em massa de animais está prestes a começar no Nepal

O distrito de Bara, no Nepal, vai receber durante o próximo mês de dezembro um evento que culmina com o abate de dezenas de milhares de animais. O ritual tem como objetivo agradar a deusa Hindu que dá nome ao festival.

Trata-se do festival Gadhimai, que ocorre a cada cinco anos naquele distrito do Nepal e envolve um mês de celebrações. De acordo com o Newsweek, este evento que tem como ritual o abate de animais é o maior sacrifício em massa de animais em todo o mundo.

Búfalos, cabras, galinhas, porcos, patos, ratos e pombos são decapitados durante este evento com espadas de metal, de acordo com a organização sem fins lucrativos Humane Society International (HSI).

“A matança é brutal (…) Os animais são decapitados com um grande instrumento semelhante a uma espada. São mortos uns em frente aos outros, o que aumenta a sua angústia e [a matança] incluiu progenitoras mortas em frentes aos seus bebés”, contou Wendy Higgins, porta-voz do HSI, citado pelo mesmo portal.

“A nossa organização testemunhou o assassinato em primeira mão e reportou que a morte dos bufálos não é, muitas vezes, instantânea, são necessário vários golpes“, disse.

As raízes do festival remontam há 256 anos, quando o fundador do Templo Gadhimai, o padre Bhagwan Chowdhary, sonhou que a deusa Gadhimai queria sangue em troca da sua libertação da prisão, protegendo-o do mal e trazendo-lhe prosperidade.

Apesar de a deusa querer um sacrifício humano, o padre levou a matança a cabo com animais e este ritual acabou por ser repetido a cada cinco anos, numa tentativa de agradar a divindade. As pessoas que participam no evento acreditam que a matança fará com que a deusa Hindu do poder, que dá nome ao festival, concretize os seus desejos.

“Os devotos acreditam que, se não oferecerem sacrifícios, não serão capazes de evitar calamidades futuras e a sua prosperidade será afetada”, disse Higgins.

“Matança brutal”

Em 2009, foram mortos cerca de 500.000 animais durante o festival, segundo a Newsweek. Já o jornal britânico The Guardian aponta que terão sido mortos 250.000 animais nesse ano, dando conta da afluência de um milhão de fiéis.

Em 2014, os números caíram para 30.000 graças, em grande parte, a campanhas de grupos locais e internacionais que defendem os direitos dos animais.

Em 2015, o templo chegou a anunciar que iria banir o sacrifício de animais em futuros festivais, mas não é ainda certo que a proibição aconteça já no festival de dezembro próximo. Além disso, explica a Newsweek, a proibição destinava-se apenas aos búfalos que eram mortos na arena do templo, não sendo as restantes áreas abrangidas.

“Quando o templo prometeu uma proibição para sacrifícios da animais em futuros festivais, foi recebido com júbilo. Mas, recentemente, remeteu-se ao silêncio sobre o assunto e, por isso, parece que a proibição não pode ser garantida”, apontou Higgins.

“Mesmo que a proibição se mantenha, o templo só tem autoridade sobre os sacrifícios que ocorrem na arena principal do templo. É aí que muitos milhares de búfalos são decapitados, para que a sua morte cause grande impacto. O templo não tem autoridade morte de animais fora da sua arena”, sustentou.

Em 2014, o diário espanhol El Mundo divulgava vídeos do maior sacrifício religioso de animais do mundo, considerando-o uma “matança brutal“.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Típicos ‘meninos do copo de leite do politicamente correto’ a forçar as idiologias deles a outros países. Só acho mal ser carne que se desperdiça, de resto o país é deles e os costumes são deles.

  2. Mais uma prova da fragilidade humana perante oportunismos religiosos que no fundo o objectivo é manter o povo submisso aos seus interesses e ideias.

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