Máfias e milícias responsáveis por incêndios da Amazónia, conclui relatório

Mato Grosso Firefighters / EPA

As queimadas associadas aos desmatamento da Amazónia resultam em grande parte da ação violenta de redes criminosas, conclui um relatório da Human Rights Watch.

Divulgado esta terça-feira, um relatório da Human Rights Watch conclui que as queimadas associadas aos desmatamento da Amazónia resultam em grande parte da ação violenta de redes criminosas, enquanto o Governo brasileiro falha na proteção dos defensores e da própria floresta.

O desmatamento e as queimadas ilegais estão associados à ação de redes mafiosas que financiam maquinaria pesada e mão de obra e que contratam mílicias para intimidar quem se oponha, salienta a organização não-governamental.

Além disso, segundo o relatório, a situação não é alheia ao facto de o Governo de Jair Bolsonaro, desde que tomou posse, ter cortado 25% do orçamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o organismo encarregue de proteger a floresta amazónica. O corte levou à queda das multas ambientais e retirou poderes aos fiscais do Ibama, por exemplo.

O relatório – Máfias do Ipê: como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira – analisa a forma como o desmatamento ilegal por redes criminosas e as queimadas estão relacionados com atos de violência contra os defensores da floresta e com o fracasso do Estado em investigar e punir os responsáveis.

“Os brasileiros que defendem a Amazónia enfrentam ameaças e ataques por parte de redes criminosas envolvidas na extração ilegal de madeira”, afirma Daniel Wilkinson, diretor de direitos humanos e meio ambiente da organização, citado pelo Expresso. “A situação está a piorar com o Presidente Bolsonaro, cujo ataque aos órgãos de proteção do meio ambiente coloca em risco a floresta e as pessoas que ali vivem.”

De acordo com o relatório, “as redes criminosas têm a capacidade logística de coordenar a extração, o processamento e a venda de madeira em larga escala, enquanto empregam homens armados para intimidar e, em alguns casos, executar aqueles que tentam defender a floresta”.

Os incêndios “não ocorrem naturalmente no ecossistema húmido da bacia amazónica. São iniciados por pessoas como parte do processo de desmatamento, após removerem as árvores de maior valor. As queimadas espalham-se pelas pequenas clareiras e ramais abertos pelos madeireiros, onde a existência de vegetação mais seca e inflamável facilita a propagação do fogo na floresta tropical”, explica a Human Rights Watch.

A Human Rights Watch entrevistou mais de 170 pessoas, incluindo 60 membros de povos indígenas e outros moradores dos estados do Maranhão, Pará e Rondônia. Os investigadores entrevistaram também funcionários públicos em Brasília e na região amazónica.

ZAP //

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