Máfia siciliana nasceu à custa da venda de limões e laranjas

Mike Palazzotto / EPA

Toto Riina, padrinho da máfia siciliana, e um dos mais temidos criminosos morreu na prisão aos 87 anos quando cumpria 26 penas de prisão perpétua.

Uma investigação apurou novos dados sobre o crescimento da máfia da Sicília, concluindo que as suas origens estão associadas ao aumento da procura e dos lucros resultantes da produção de limões e de laranjas, no final do século XIX.

Esta pesquisa, realizada por investigadores das Universidades da Rainha em Belfast (Irlanda), de Manchester (Reino Unido) e de Gotemburgo (Suécia), constata que a máfia siciliana se instalou e cresceu no âmbito da procura pública por frutas cítricas, em especial limões e laranjas.

Uma procura que foi incrementada pela descoberta, por parte do médico James Lind, no final do século XIX, de que estas frutas ajudavam a prevenir e a curar o escorbuto, dado serem ricas em vitamina C, notam os investigadores num comunicado divulgado pelo site Alpha Galileo.

Os primeiros registos da máfia siciliana respeitam aos anos de 1870 e, desde cedo, esta se infiltrou na vida económica e política de Itália e dos EUA.

As razões para os “assassinatos, atentados e desvio de dinheiros públicos” são práticas “observadas durante os últimos 140 anos”, mas “as razões por trás do seu aparecimento continuam obscuras”, salienta o professor de Economia Arcangelo Dimico, elemento da Escola de Gestão da Universidade da Rainha que esteve envolvido na pesquisa.

Aquilo que a investigação permitiu perceber é que “a presença da máfia nos anos de 1880 é fortemente associada com a prevalência do cultivo de citrinos na Sicília, destacam os autores do estudo que analisaram dados das cidades sicilianas recolhidos durante um inquérito parlamentar realizado entre 1881–1886 e a partir de 1900.

“Dada a posição dominante da Sicília no mercado internacional de frutas cítricas, o aumento na procura resultou numa grande entrada de receitas para as cidades produtoras de citrinos, durante os 1800″, explica o professor.

“A combinação de altos lucros, de um Estado de direito fraco, de um nível muito baixo de confiança interpessoal, e os altos níveis de pobreza local fizeram dos produtores de limão um alvo adequado para a predação, já que havia poucos meios para efectivamente reforçar os direitos de propriedade privada”, acrescenta o investigador.

Assim, “os produtores de limão recorreram à contratação de afiliados da máfia para protecção privada e para agirem como intermediários entre os retalhistas e os exportadores nos portos”, nota o professor.

Até agora, as origens da máfia eram essencialmente atribuídas à instabilidade política italiana e, em particular, à realidade siciliana e às fraquezas do seu sistema institucional.

Mas afinal, terá sido o boom económico, fomentado pela procura de laranjas e limões, a impulsionar a actividade da máfia, constata esta pesquisa.

Susana Valente SV, ZAP //

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